2011/08/04
Juntando cacos
E essa doença, podemos identificá-la como uma cultura de morte (sem aspas). Na Europa, de formas mais ou menos veladas, geralmente habilidosas, têm vindo a ganhar terreno posições políticas que advogam o recurso arbitrário à morte de inocentes com o alibi de evitar o sofrimento. Ao fim de várias décadas após ter sido palco quase exclusivo dos dois conflitos de maior mortandade do mundo, a Europa continua a cultivar esquemas de morte.
O caso Breiwik é mais um expoente particularmente intenso, um pico, dessa cultura e enquadra-se dentro do esquema geral da cultura europeia hodierna.
Os europeus pensam, em geral, que, se as barbaridades, muitas vezes disfarçadas de compaixão, não forem dirigidas contra os que são saudáveis e “desejados”, não têm mal nenhum. Na pior das hipóteses, serão um mal menor. Mas esquecem-se que essa “moral” abre a porta à arbitrariedade, seja o aborto, seja a eutanásia, e outras que surgirão nesse caldo. Essa moral podre tem coisas como estas: se alguém fizer vigília de oração à porta da clínica da D. Yolanda, é fanatismo; os abortos que lá se fazem são exercício do direito de escolha.
É por estas e por outras que não nos podemos espantar do caso Breiwik. Uma sociedade que aceita matar os seus próprios filhos e os seus doentes terminais, não se pode espantar que estas coisas aconteçam.
Afinal de contas, é tudo morte.
manuelbras@portugalmail.pt
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2011/07/27
Informação de confiança duma triste história sem pés nem cabeça

Duas das fontes utilizadas para o rotular e lhe fazer o “perfil” são a própria página no facebook e os comentários no site Document.no.
Com base nisso é apresentado como cristão fundamentalista, conservador, com fortes convicções nacionalistas, com posições anti-islâmicas e anti-multiculturalistas. Mas se olharmos para os seus alegados actos tudo nos diz o contrário: um cristão que massacra outros cristãos, um nacionalista norueguês que assassina outros noruegueses. Que raio de coisa é esta? Mas, esta narrativa será para levar a sério? Nesta história há coisas que não batem certo, há coisas sem pés nem cabeça.
A RTP, pela voz de António Esteves Martins em Oslo, dá fífias a respeito do caso, no jornal do canal 2 das 22h de 23 de Julho, alegando que Breivik é “católico, apesar da Noruega ser um país protestante”. Reparem o que Breivik diz de si próprio em Document.no da linha 267 a 271:
“I myself am a Protestant and baptized / confirmed to me by my own free will when I was 15
But today's Protestant church is a joke. Priests in jeans who march for Palestine and churches that look like the minimalist shopping centers. I am a supporter of an indirect collective conversion of the Protestant church back to the Catholic. In the meantime, I vote for the most conservative candidates in church elections.
The only thing that can save the Protestant church is to go back to basics.”
A outra fífia da RTP, desta vez no jornal do canal 1 de 23 de Julho às 20h, com certeza também não inocente, foi a revelação do perfil de Breivik com base no facebook, mas omitindo selectivamente as suas “activities and interests” pela maçonaria, em que surge numa das fotos vestido a preceito.
A informação da RTP é como a esquerda: é de confiança.
http://www.telegraph.co.uk./news/worldnews/europe/norway/8656515/Norway-attacks-profile-of-suspect-Anders-Behring-Breivik.html
manuelbras@portugalmail.pt
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2009/06/12
Declínio Demográfico (II)

Manuel Brás
O alerta que aqui temos lançado sobre as consequências políticas e sociais da imigração islâmica para a Europa, bem como da sua taxa de fertilidade várias vezes superior à europeia, não constitui uma crítica religiosa, nem uma crítica à religião, seja ela qual for.
Até já reconhecemos aqui que podemos considerar a religião, em termos empíricos, como um factor que contribui positivamente para a natalidade, na medida em que, ao contrário do materialismo/ateísmo, vê nos filhos um dom de Deus e vê em Deus a sua esperança. Sem esperança na transcendência que perfura este mundo, não há natalidade. É o que sucede nas sociedades materialistas e sem Deus. A prova está na diferença de natalidade e fertilidade entre as sociedades materialistas/ateias e as sociedades que vivem a religião duma forma vibrante.A justificada apreensão com a imigração e a demografia islâmica tem a ver com as suas consequências políticas e sociais no futuro, isto é, com quem vai efectivamente exercer o poder político em sociedades com populações islâmicas relevantes, para já não falar numa população islâmica maioritária.
Estamos a pensar no que sucede actualmente em países como a França, a Alemanha, a Bélgica, a Holanda, o Reino Unido... O que será daqui a 10, 20, 30 anos? Quem deterá o poder político nessas terras?
É que, segundo reza a tradição, quando uma liderança islâmica se vê em condições impõe a sua lei num determinado território e todos têm que se submeter a essa ordem, sejam islâmicos ou não.É isto que os europeus devem ter presente. As lideranças islâmicas não vão prescindir do exercício do poder civil e político logo que forem capazes disso, como sucede em tantos países.
Será que a Europa se vai tornar num Líbano, num Irão, num Iraque, num Egipto, ou numa Argélia? Será que vamos ter cá Hezbollahs, Hamas, Muslim Brothers...?
manuelbras@portugalmail.pt
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2009/05/13
Declínio Demográfico
Manuel Brás
Embora os políticos que temos governem para o instante que passa e para se manterem o mais que podem no lugar e não mostrem qualquer sensibilidade para o assunto, temos aqui chamado a atenção para o declínio demográfico em curso da Europa durante as últimas décadas.
Este é talvez o facto político mais relevante no presente e para o futuro imediato das nações europeias, Portugal incluído, e para todo o Ocidente.
No meio de tantas previsões, os políticos não se atrevem a prever como será Portugal, a Europa e o Ocidente em 2050, ou seja daqui a 40 anos. E é imprescindível que o façam, porque pode até acontecer que algumas nações europeias nem sequer já existam e o poder pode estar noutras mãos. Afinal de contas, para quê e para quem é que as actuais gerações andam a acumular riqueza, se a continuidade da Europa e da nossa civilização está em perigo?
A miséria demográfica europeia tem culpados: aqueles que mentalizaram os europeus na indiferença e na desvalorização da família e da maternidade, habilmente, de modo a ocupar um lugar atrás de muitas outras coisas no ranking de prioridades na vida.
O ateísmo e a perda do sentido de Deus na vida contribuem para olhar com reservas para a maternidade e a natalidade. Em países onde as convicções religiosas foram abaladas e substituídas pelo ateísmo e pelo materialismo a taxa de fertilidade desceu a pique e hoje estão envelhecidos. Em países onde as convicções religiosas, e em geral a crença em Deus, se mantiveram pujantes as taxas de nascimentos são bem maiores: veja-se o que sucede nos países islâmicos e em África.
A miséria demográfica europeia tem beneficiários: a imigração, especialmente islâmica e de África. Note-se que a imigração não é culpada do declínio demográfico europeu. Não foi por causa dos imigrantes que os europeus deixaram de ter filhos. A culpa está toda no Ocidente, especialmente no ateísmo/materialismo.
O perigo é, com o tempo, a imigração ocupar o vazio de poder deixado por uma Europa envelhecida e em declínio demográfico, ou seja, pela falta de comparência. O perigo é as lideranças islâmicas verificarem que, onde e quando estiverem em condições disso, podem impor a sua lei e o seu regime político na Europa, sem apelo nem agravo. Isso pode acontecer. Algumas nações europeias podem transformar-se numa Turquia, num Irão, numa Argélia, num Egipto, num Iraque, etc…
Isto não é um apelo ou incitação à expulsão dos muçulmanos que hoje vivem na Europa, como pretende interpretar o basismo de raciocínio politicamente correcto.
É um aviso para um perigo existente e sobretudo um impulso vital para se inverter as tendências demográficas europeias, com base na introdução de uma cultura de família e natalidade, que hoje a generalidade dos políticos despreza como sinal de “modernidade”.
O problema é que a “modernidade” nos leva à extinção.
Não venham depois culpar a imigração pelas asneiras que os políticos e governantes de hoje estão a fazer, nem por aquilo que os europeus deviam ter feito e não fizeram.
Quem cá ficar é que manda.
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2008/11/24
Eleições e Raça
Muito se tem especulado sobre o efeito da raça da eleição de Obama.
Segundo as estimativas, que apontam para que 95% dos negros (que constituem cerca de 15% da população americana), mais de 50% dos hispânicos e 43% dos brancos votaram em Obama, parece não haver dúvidas de que o factor raça teve um peso relevante, senão mesmo o mais relevante.
No entanto, se Obama tivesse perdido, coisa que podia ter acontecido se a crise financeira, que rebentou na primeira quinzena de Setembro, – estrategicamente? – não tivesse caído, diria que por decreto mediático, em cima da cabeça de McCain, tal derrota não se deveria ao factor raça.
A raça, com tudo o que tem de ideologia e de estereótipo da História, parece ter ajudado Obama e prejudicado McCain, mas não há razão para pensar que foi o único factor.
Seja como for, o mais provável é que o tempo venha confirmar a ideia de que o perigo de Obama não está na raça mas nas ideias, ou pior, na ideologia.
manuelbras@portugalmail.pt
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2008/11/13
Será xenofobia?
2008/06/16
“Raça” sem ponta de racismo nem racialismo.
Não temos de pedir desculpas a ninguém.

De resto, honra lhe seja por ter invocado o belo nome de raça, com aqueles sentidos de raízes, estirpe, ascendência, linhagem, origens comuns, tronco de família, que evocam não apenas, uma ascendência, a de Camões, por muitíssimo ilustre que seja, mas a nossa comum descendência de todos os Portugueses, grandes e menos grandes, que nos precederam.
Ao falar de “raça”, Cavaco Silva foi, pois, direito ao essencial que o dia celebra, ignorando conotações falsas que nada têm connosco nem com Portugal.
Com mil Diabos!
Lá por termos raça, como toda a gente, não somos racistas.
Etiquetas: racismo e racialismo
2008/02/08
A PROPÓSITO DE RACISMO E CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL
(<--)
Um leitor dos meus recentes textos sobre a civilização ocidental acha que não tenho o direito de excluir dela os racistas.
Expliquei porquê, nesses textos, julgo que muito claros e coerentes.
Mas o meu leitor pensa que eu o tenha feito por saber que ninguém viria defendê-los, de tal modo, diz ele, "é hoje cómodo e politicamente lucrativo ser anti-racista".
Declaro que não vejo, em Portugal pelo menos, partidos constituírem-se na base de clientelas anti.-racistas; vejo alguns partidos, embora pequenos, pretenderem crescer no fito, sim, de conquistarem os votos de reduzidas clientelas de racistas, os que haja, mesmo poucos. Que, para esses partidos, até o pouco já é muito, desde que certo e seguro…
Eles sabem que o racismo dá, em muitos casos, mais votos que o contrário.
A.C.R.
(-->)
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2008/02/01
O DIREITO DE NOS CONSIDERARMOS MELHORES?
CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL...
RECAPITULANDO...
(<--)
Metas… Características dinâmicas… Convicções profundas do homem na sociedade ocidental...
Falou-se da propriedade como um direito e não uma violência, ou então uma violência sem recurso à força…
Falou-se de liberdade e responsabilidade pessoais, consolidadas pelo direito de propriedade…
Falou-se de Estado de Direito… árbitro de interesses...
Falou-se da rejeição do racismo, naturalmente.
Como da rejeição do comunismo…
Mas poderia ter-se falado também, na mesma onda, de liberdade de iniciativa.
Do treino adquirido para a iniciativa, como fonte de realização pessoal;
Como fonte de enriquecimento do indivíduo também, evidentemente;
Mas, tão importante ou mais que isso, como caminho para a riqueza das nações…
E deveria ter-se falado de tudo, pois que tudo isso explica porque são mais ricos, em média, os indivíduos do Ocidente, como o são os Países ocidentais, em geral.
Mas, também, como isso explica que estes Países possuam ciências mais desenvolvidas, para não dizer que inventaram mesmo a Ciência e todas as ciências, bem como o espírito científico e, praticamente, toda a tecnologia e invenções tecnológicas, de há boa meia dúzia de séculos para cá. Sem aliás deixarmos, por tal, que poderia parecer apenas puro materialismo, sem deixarmos, repita-se, de praticar por tal as religiões mais adequadas ao espírito do Ocidente, livre e intensamente praticadas e aprofundadas.
Poderão alguns pretender que os ocidentais instrumentalizámos tudo – família, cultura, ciência, tecnologia, iniciativa, riqueza, cidadania, liberdade, Estado, Nação, Religiões – que instrumentalizámos tudo ao serviço dos… de nós próprios, ocidentais exploradores do mundo inteiro!
Mas ninguém negará que levámos a todo o mundo a noção e exigência de liberdade pessoal, o direito de iniciativa individual e, sobretudo, a escola que se funda no que temos de melhor, o direito universal ao ensino e à educação.
Saqueámos também muito, como tantos crêem, além de provocarmos guerras mais que muitas?
Mas levámos-lhes, também, sem dúvida a maior parte do melhor que hoje possuem; de que já não quereriam certamente ouvir falar em prescindir; e em que se fundam as esperanças de futuro melhor que hoje têm, mal ou bem, copiadas a papel químico das que nós temos ou já tivemos, se for o caso.
Finalizando.
Não há ponta de racismo nisto tudo.
A superioridade não está na raça, nem nas raças.
Está na civilização, quando muito.
Todos os que se ocidentalizam beneficiam, podem beneficiar do mesmo vanguardismo universalista, chamemos-lhe antes assim.
Possivelmente, os ocidentais beneficiámos de circunstâncias históricas muito mais favoráveis, de que pudemos tirar o melhor partido, entre sucessos e insucessos, derrotas e vitórias, igualmente imprevisíveis, todas contribuindo para a grande civilização de que nos orgulhamos, mas orgulho que não é exclusivo de ninguém porque pode ser o orgulho de toda a gente.
A.C.R.
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Etiquetas: Em defesa do Ocidente, Ensino, racismo e racialismo
2008/01/30
GRANDES METAS DA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL
Não pretendo ser, nem muito provavelmente conseguiria ser exaustivo na listagem ou análise dessas metas.
A apropriação colectiva e individual de bens de consumo e de bens de produção, segundo disposições normativas demoradamente formuladas e desenvolvidas, é de certeza uma regra geral, com muitas nuances, própria de todas as sociedades ocidentais que conhecemos e com raízes mais ou menos profundas nas sociedades mais antigas de que surgiram.
O direito de apropriação ter-se-à ido formulando e gradualmente difundindo. Pressente-se que a sua extensão crescente terá traduzido o também crescente reconhecimento da liberdade e responsabilidade de indivíduos e grupos, capazes de assumirem e gerirem a apropriação e a propriedade dos mais diversos bens de consumo e de produção.
Durante muito tempo só seriam responsáveis e livres os mais fortes, individualmente e em grupos.
Foi seguramente muito lenta a evolução a partir daí, até que apropriação e propriedade, de situações meramente garantidas pela força e por actos de força, passassem a ser reconhecidas como direitos naturais de indivíduos e grupos.
Os países e Estados de formação ocidental mais antiga podem ter recebido doutras sociedades a prática desses direitos, como um dado adquirido e crescentemente generalizado, que o seu próprio ordenamento social terá profundamente assimilado.
De tal modo que o papel de defensor desses direitos cedo chega a tornar-se, na civilização ocidental, um dos atributos mais característicos dos poderes públicos, isto é, do próprio Estado, ainda que elementarmente constituído, mas tornado também árbitro dos interesses, por conveniência de todos ou de muitos.
É provavelmente o direito privado de propriedade e apropriação que se torna o primeiro ou um dos primeiros grandes testes à liberdade, bem como ao exercício dessa liberdade, em qualquer sociedade.
Terão sido mesmo o direito de propriedade e o seu exercício que mais cedo obrigaram o Direito a grandes progressos e à sua implantação rápida e crescentemente generalizada e sempre mais profunda.
Na vanguarda desse movimento, as sociedades ocidentais tornam-se exemplos de sociedades organizadas com base no Direito e em modelos de Estado que lhe foram descobrindo e reconhecendo a primazia.
Nunca perdemos esse carácter.
O comunismo marxista encontrou, por isso, nas sociedades ocidentais, verdadeiras fortalezas da resistência a tudo o que nele, comunismo, renegava as mais profundas raízes da nossa civilização. Ao mesmo tempo o comunismo revelava-se completamente anti-ocidental. Tinha de ser rejeitado.
É uma das maiores vitórias de sempre do Ocidente. Maior até que a vitória sobre o racismo, que não é completa ainda.
A.C.R.
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2008/01/29
GRANDE RESPONSABILIDADE
É PERTENCERMOS À CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL
(<--)
Considerarmo-nos tal tem, evidentemente, algumas implicações claras.
Já falámos da inevitável exclusão dos nacional-racistas do campo ocidental, eles que se considerem a si próprios os melhores nacionalistas.
Isto impõe-nos registar que, fora o “nacionalismo” desses ou equivalentes, o nacionalismo é perfeitamente compatível com a civilização europeia e ocidental.
Portanto – nem seria necessário dizê-lo – compatível com qualquer regime político, monárquico ou republicano, liberal ou autoritário?
Creio que, historicamente, a civilização ocidental tende para os regimes republicanos e liberais, mas digamos que é uma tendência demasiado recente para se poder considerar intrínseca da ocidentalidade.
Poderemos mesmo observar que há regimes liberais que são a negação de muito do que é ocidental, como há regimes autoritários vigorosamente defensores do que há de mais puramente ocidentalista, tudo dependendo muito mais de circunstâncias históricas que dos preconceitos ideológicos dos agentes políticos.
Temos, em Portugal, o claro exemplo do suposto liberalismo instalado pela república de 1910-1926.
Na verdade, tratou-se pura e simplesmente do regime efectivamente ditatorial dum chamado Partido Democrático que, através da sua rede mafiosa de agentes manipuladores e controladores em todo o País, apenas era “liberal” com vista aos seus próprios objectivos de domínio, nomeadamente a vitória, a qualquer preço, dos seus candidatos nas urnas eleitorais e o desprestígio sistemático dos que se lhes opunham.
E durou a sua ditadura, mesmo assim, dezasseis anos, apesar das inúmeras tentativas para derrubá-la, durante esses anos, longos ou curtos, consoante a perspectiva.
Inevitável foi a destruição desse regime por um golpe das Forças Armadas, finalmente vitorioso, de que não poderia sair senão um regime forte e autoritário, capaz de criar as condições sociológicas, económicas e políticas para um regime liberal, com condições de sobrevivência, como efectivamente parece ter acontecido.
Sobretudo, se pensarmos que as maiores ameaças à instalação deste regime vieram do PCP que, enfraquecido pelos sucessivos insucessos das tentativas em tal sentido, se tornou profundamente impotente para ameaçar, desde então, seja o que for, deixando-se integrar passivamente, de algum modo passivamente, no próprio sistema, tornado de facto possível pela acção e obra do Estado Novo, como já não é hoje raro ver-se reconhecido.
Não hesitemos em tirar daí uma conclusão.
E é que, mais do que a natureza liberal ou autoritária dos regimes, para servirem a civilização ocidental, importa sobretudo se são regimes fracos ou fortes, mal ou bem radicados e aceites nas sociedades nacionais que igualmente devem servir e promover.
Os estadistas dos países ditos democráticos do séc. XX, isto é, liberais, devem por isso ser louvados pela lucidez de terem sabido conviver e tratar durante dezenas de anos, com alguns dos governos autoritários do seu tempo, mas governos plenamente integrados nos moldes da civilização ocidental.
Falo do regime português citado e outros, com os quais os regimes liberais referidos do séc. XX mantiveram, frequentemente, bom ou muito bom relacionamento.
Foram governos democráticos plenamente integrados no espírito da citada frase de Vasco Pulido Valente com que comecei estes “postes” sobre a civilização ocidental, isto é, que o Ocidente, para seu e nosso bem, a civilização que tem de defender é unicamente a sua e nossa civilização, a civilização ocidental.
A.C.R.
Várzea de Meruge
25.01.2007
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2008/01/24
A FORÇA MAIOR DA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL…
Não é uma “verdade de La Palisse”, esta, creio, seja qual for o sentido em que tomemos a expressão corrente.
Acresce que não foi apenas o Cristianismo que deu à nossa civilização esse sentido universalista, raiz do seu expansionismo característico evidente.
O pensamento grego, como a literatura grega, foram com certeza, e como se sabe, universalistas, universalizáveis, tanto quanto se pode sê-lo nesses planos.
Não se discute se conquistaram, “contagiaram”, a inteligência de todos os povos. Foi isso claro com os muçulmanos e árabes, mas também com o pensamento do Indostão, mesmo que ajudando a força das armas imperiais gregas de Filipe II da Macedónia, e Alexandre Magno, que chegaram até às fronteiras ocidentais da Índia e por lá se demoraram o suficiente para deixarem traços indeléveis da cultura grega.
Também não se discutem as tendências universais da expansão e conquistas do Império Romano, congregador duma enorme diversidade de povos, mestre na difusão da sua própria cultura e mestre igualmente na assimilação das culturas dos povos conquistados.
Mas, porventura acima de tudo, mestre foi o Império Romano na arte de organizar politicamente os territórios conquistados e as suas populações, difundindo e praticando noções políticas, de governo e de Estado, que não mais foram esquecidas, mas que, ao contrário, directa ou indirectamente, permaneceram para sempre como modelos inspiradores de estudos teóricos e de progressos práticos.
Nada disso impede se reconheça que o universalismo explícito da Civilização Ocidental é contributo original do Cristianismo católico, já ela, a Civilização Ocidental, se vinha desenhando e desenvolvendo por todo o último milénio antes de Cristo.
Isto é, nas asas do Cristianismo, pregado a todos os povos, chegou a civilização Ocidental ao mundo inteiro, juntamente com a mensagem de Cristo e com toda a ocidentalidade que a acompanhava, compunha e completava, incluindo os soldados e as suas armas, como os comerciantes e as mercadorias europeias.
Mas chegaram também certas negações da mensagem de Cristo e do universalismo ocidental, temos de concordar.
Talvez, porém, a mais grave dessas negações tenha sido o racismo.
Até quase ao séc. XX, o racismo não tomou formas sistematicamente doutrinárias e militantes, mas assumiu-as depois, logo a seguir, com o mais despudorado e virulento proselitismo.
O racismo torna-se, assim, no séc. XX, para muitos “ocidentais”, a mais radical e organizada recusa do universalismo, ocidental e cristão.
Ninguém, creio, ousará considerar-se racista e ocidental de civilização, simultaneamente, nem, também ao mesmo tempo, racista e cristão.
Intelectuais, escritores, estadistas, propagandistas, divulgadores, governantes, artistas, homens de acção com talento ou mesmo génio, tiveram-nos porventura todos os movimentos racistas do séc. XX.
Alguns desses talentos e mesmo génios julgar-se-iam, até, grandes expoentes e expressões da ocidentalidade greco-romana-judaica-cristã.
Só por absurda confusão ou falta de sentimento profundo do universalismo da civilização ocidental e europeia.
Só por uma profunda degradação de certas correntes de pensamento, ainda que praticadas no Ocidente e por supostos ocidentais de tradição.
Penso, até, que haverá, entre esses, quem recuse considerar-se como pertencendo à civilização ocidental, se lhes for rejeitado o racismo de que porventura se orgulhem ou que porventura pratiquem, não menos orgulhosamente.
Porque não vejam, nem queiram ver a incompatibilidade?
Não é o caso, evidentemente, do nacionalismo e nacionalistas em geral, de que nos honramos e orgulhamos.
É, porém, o caso do “nacionalismo” dos nazis e neo-nazis, que consabidamente se declaram racistas e acima de tudo racistas, com efeito. A ponto de colocarem a própria nação abaixo da raça, a não ser que a nação cultive a exclusão de qualquer raça que não seja uma raça considerada por eles uma raça superior.
Para eles, a “impureza racial” é incompatível com o nacionalismo verdadeiro, que é apenas o seu “nacionalismo” das raças puras e superiores, naturalmente.
Mas tal “nacionalismo”, assente no racismo, é evidentemente uma negação do ocidentalismo europeu e cristão, de raízes greco-romanas-judaicas.
Pelo que, de facto, os seus adeptos não são ocidentais de civilização, mas ocidentais apenas por geografia dos pontos cardiais.
São eles próprios, afinal, que se excluem da nossa civilização, a civilização ocidental.
A.C.R.
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2008/01/12
Memórias das minhas Aldeias
Esquecimentos da História
Parte VIII – N.º 19 – NAZISMO DE OPERETA
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Uma onda de nazismo inesperado, mas basto e aguerrido, foi o que alguns jovens de umas quantas escolas públicas, espalhadas por toda a Federação, encontraram no mais profundo das suas cabeças para oporem ao anti-nazismo “mais genuíno” dos “imperialistas” e “colonialistas” da UL…
Era assim que os novos nazis chamavam, de facto, aos promotores da UL, porque havia muito lhes atribuíam as piores intenções políticas a seu respeito, como únicos nacionalistas viáveis e coerentes que os nazis a si mesmos se consideravam.
“Presunção e água benta”…
Iam tendo os neo-nazis em questão muita sorte, politicamente falando, porque o seu arranque encontrou grande eco e foi muito seguido exactamente onde menos se esperaria, quer-se dizer entre os nazis negros de certas escolas africanas, públicas e privadas.
Explica-se, se observarmos com atenção…
Digamos que isso era consequência, em primeiro lugar, duma nova manifestação de grande criatividade e iniciativa dos futuros alunos negros de todos os pólos da UL em África.
Que haviam eles de ter descoberto?
Apenas isto… que graças aos estudos mais avançados dos movimentos da “negritude”, o nazismo, o nazismo como teoria de superioridade racial e escola de organização política das sociedades, seria efectivamente o melhor modelo de mobilização dos negros para a conquista, defesa e funcionamento do poder político, que deixaria então de ser monopólio dos caras pálidas.
Sobretudo porque, acreditavam, a comprovada decadência dos Estados brancos, por serem brancos, seria definitiva, imparável e irreversível.
Sem remédio!
A reacção dos jovens brancos mais politizados dos pólos da UL, os de orientação nazi, que havia alguns nazis por lá, não muitos, mas suficientes, foi uma reacção inesperada, embora inteligentemente oportunista.
O que interessava, antes de tudo, não era a conquista do poder, afinal? – perguntavam-se os jovens brancos que gostavam de intitular-se de neo-nazis.
Se assim era, porque não haveriam então de aliar-se, para esse efeito, jovens brancos e jovens negros, no fundo tão nazis uns como os outros?
A hipótese suscitou reacções indignadas duma minoria, muito minoritária, de jovens nazis brancos, mas a sua forte maioria entendeu que sim, que era de estender as mãos aos jovens nazis negros, na expectativa de que, mais tarde ou mais cedo, os brancos acabariam por enganar e “comer” os pretos…
O racismo militante ficaria para depois… se é que me faço entender.
Será verdade que ideologias há propensas a nivelar por muito baixo as inteligências dos seus aderentes, de qualquer raça e proveniência que sejam?
Talvez seja secundário tirar conclusões…
Mas não deixa de ser agradável verificar que, mesmo entre nazis, começa a encontrar-se gente desempoeirada e sem antolhos, brancos e negros. Todos nazis de vistas largas e capazes de mutuamente se respeitarem…
Sabendo naturalmente os riscos que correm e corriam.
O primeiro dos quais era terem de ignorar e passar por cima ou ao lado de líderes e inspiradores encartados, hábeis em ministrar o seu veneno sem pudor nem respeito pelas mentes dos “mais pequeninos”, que se lhes entregavam e entregam confiadamente, incapazes de cálculos especiosos ou de estratégia alguma menos respeitável.
Esses líderes, ou pelo menos alguns deles, deitavam-lhe de contas… Isto é…
Pois se eles próprios já haviam sido iludidos e desencaminhados por outros líderes, mais antigos, que mal haveria em que eles próprios também, por sua vez, desencaminhassem os inocentes mais novos?
“É preciso que cada geração reviva as experiências todas de todas as gerações anteriores; só assim a Humanidade poderá dar o seu melhor no roteiro do progresso e da renovação.”
- Uma extraordinária máxima! – descobriu Jucelino – Uma máxima tipicamente nazi, pois que, bem interiorizada, permitirá controlar rigorosamente a liberdade e os progressos de todos e cada um dos cidadãos, sem necessidade de serviços secretos nem de polícias de defesa do Estado!
Ora aí estava mais outra vantagem do nazismo… sem violação de consciências.
A.C.R.
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2007/12/08
Memórias das minhas Aldeias
Esquecimentos da História
Parte VIII – N.º 09 – ANTI-RACISMO UNIVERSITÁRIO
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Em Pretória, África do sul, a receptividade para o projecto da UL foi superior a tudo quanto razoavelmente podia esperar-se.
O seu governo teoricamente de esquerda estava completamente aberto à iniciativa privada, mesmo em matéria de ensino, até universitário.
Nos meios da colónia de portugueses ou deles descendentes, então, verdadeiramente surpresa só foi o facto de, pela primeira vez em dezenas de anos, aparecerem portugueses continentais, bem preparados, vindos directamente da Metrópole, verdadeiramente competentes e a proporem-se investir à grande e arriscar, mais à grande ainda, em projectos inéditos, de facto inovadores e de grande alcance, ao que tudo indicava.
O êxito foi absoluto!
Não eram, em todo o caso, completamente saudáveis todas as reacções.
Também se manifestaram velhos ressentimentos de colonos que haviam sofrido os complexos de superioridade dos brancos anglo-saxões, no tempo deles, e que agora sofriam, adivinhava-se, os complexos de identidade dos negros ainda não suficientemente convencidos da força do seu papel na nova sociedade e no novo Estado de direito.
Estes eram os deslumbrados que não se convenciam da normalidade da situação, portanto pouco seguros de si e dos restantes negros em geral, temerosos no fundo de que um dia destes talvez tudo voltasse ao antigo, tão incrível tudo lhes parecia. Também é verdade que as coisas não tinham mudado tanto como lhes fora prometido…
É certo que, na sua maioria, esses resíduos da população eram de gente negra socialmente muito modesta a quem eram oferecidas prerrogativas que mal compreendiam e que, aliás, pouco proveito conseguiam tirar delas.
Que esquerdismo podia ser o do governo?
O partido dos brancos, de facto, tinha um poder real muito superior ao dos votos que recebia, pois que representava as grandes forças dirigentes da sociedade, na economia, na cultura, na ciência, na investigação, no capital, na banca, na iniciativa empresarial e associativa, mesmo nas principais religiões.
De facto, não era num partido político só que os brancos sul-africanos andavam arregimentados, mas em três: um conhecido, ou dito, do centro, outro de direita e o terceiro de extrema-direita.
O “de extrema-direita”, não se levava a sério.
O “de direita”, ninguém o levava a sério.
E o do centro tinha-se por investido da missão de representar os brancos, um partido missionário, portanto, fosse isso o que fosse, dizia-se anti-racista mas era, logicamente, o único verdadeiramente racista, por acreditar piamente na superioridade dos brancos, sem nunca o dizer, mas praticando-o sempre, incansavelmente.
Era o partido, portanto, dos grandes interesses, sem o esconder, pois que isso ninguém lho levava ou levaria a mal.
Ah! E também muito exaltadamente democrático.
Pedindo nisso meças a todos os mais partidos, mesmo os dos negros, que nunca defendiam com o mesmo empenhamento o valor absoluto do sufrágio universal, nem o dogma do valor absoluto de cada voto.
Só por isso o maior partido de negros era cada vez mais mal visto entre os estratos de negros privilegiados que iam ascendendo socialmente em número rapidamente crescente.
Receava-se, mesmo, que esses negros dominassem em breve os bunkers partidários mais tradicionalmente brancos, isto é, de origem branca mais pura.
Foi entre esses negros que a “Universidade branca” mais rapidamente conquistou adeptos e os militantes mais entusiastas.
Sem se saber como, foi assim que ela passou a ser mais conhecida.
Não por UL, mas por Universidade branca, que ser “branca” tinha para as elites negras mais sentido que ser “livre”.
Mais exactamente: ser “branca” era verdadeiramente ser livre, ou ainda mais e melhor que ser livre, aos olhos – repita-se – dessas elites negras.
Que, verdade seja dita, eram especialmente bem olhadas pelos brancos de vistas mais largas.
Aliados, brancos, em maioria, e negros, em minoria mas poderosos, conduziram rapidamente a UL sul-africana a um espantoso sucesso.
Como uns e outros estavam arreigados aos seus interesses profundos, e eram todos gente profundamente lúcida, a Universidade “branca” não demorou nada a aparecer como a menos racista das Universidades, se não mesmo a mais anti-racista do mundo inteiro…
Era pelo menos assim que Jucelino e Celestino Maria gostavam de apresentar a situação que lhes dava um gozo profundo.
A ponto de Jucelino Carvalho da Silva, o filho do soba da Lunda, já não duvidar de que o seu plano político global dera, com tudo isto, um enorme passo em frente, que talvez o tornasse já irreversível.
Ele assim o cria…
Mas não contava a ninguém, por enquanto.
A.C.R.
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2007/12/03
Memórias das minhas Aldeias
Esquecimentos da História
Parte VIII – N.º 08 – UM GRANDE ACERTO DA PROVIDÊNCIA
Por um grande acerto da Providência, a Portugal calhara, nesse segundo semestre do ano, ocupar a presidência da UE-União Europeia…
Mesmo sem a ajuda dos “gatos fedorentos”, houve situações de mais que suficiente humor.
Infelizmente, seria a última vez que a oportunidade de presidirmos nos seria dada, porque entretanto as regras para a eleição e rotatividade da presidência, no futuro, tinham sido já mudadas…
Nunca mais um Primeiro-Ministro nosso poderia voltar a gabar-se de, numa presidência de apenas seis meses, ter sido obrigado a dar quatro ou cinco vezes e tal a volta ao mundo, de avião. Para quê?... Para se mostrar aos presidentes de imensos países de toda a terra, ansiosos todos por conhecerem presidente tão efémero em tudo, menos na arte de engolir quilómetros e acertar o relógio mais de duas centenas de vezes, naqueles poucos dias de Presidente e não apenas na Europa, mas no Mundo inteiro.
Se o Camões tivesse podido prever tais feitos, como os Lusíadas teríamos saído ainda mito mais engrandecidos em glória e presunção, na Obra dele!
O “embaixador” da UL em Luanda, Celestino Maria (dos Anjos), e o agente “discreto” do governo de Luanda na UL, Jucelino Carvalho da Silva, não pensando de maneira alguma concorrer com os records quilométricos e para acertos de horas do Primeiro-Ministro, puseram-se juntos a caminho de Pretória, sem vestígios de infundadas suspeições do segundo e muito menos do primeiro.
Longe de imaginarem quem os esperaria no aeroporto, à partida para Pretória.
O próprio Primeiro-Ministro do governo de Luanda, acompanhado apenas pelo seu chefe de gabinete, que foi quem primeiro se lhes dirigiu para os conduzir à sala dos super-VIP, onde o PM os aguardava com visível nervosismo!
Queria ele – em poucas palavras – dissuadi-los da viagem a Pretória e das diligências para lançamento da UL – expressão textual do PM – “na capital do segregacionismo racista”, por antever que isso poria em risco a sua criação em Luanda, isto é, em Angola, como também no Maputo ou na Beira, porque já falara com o PM moçambicano.
Bem tentaram os dois companheiros convencê-lo do contrário… “Senhor Primeiro-Ministro, antes pelo contrário…” respondiam ambos à vez a cada um dos novos argumentos do PM, mas em vão.
A certa altura, o chefe de gabinete propôs-se, por prudência, ir mandar atrasar a partida do avião.
Dir-se-ia que o PM tinha com essa exibição do seu poder recebido um novo fôlego, logo se tornando a sua agitação ainda mais desenfreada.
Mas os dois companheiros não desistiam.
Acabavam por tornar-se evidentes a estratégia e obsessões do PM de Luanda.
O que aquilo era, a África do Sul, a seu ver, era o racismo feito figura de Estado, antes com os brancos por cima e os negros por baixo, mas agora com os brancos por baixo e os negros por cima.
Venha o Diabo e escolha! – gritavam os olhos do PM.
Racismo, fosse branco, fosse preto, não era solução para Angola! – berravam-lhe as mãos e a agitação incontida do seu corpo todo.
Mas mais…
“Aquilo não passava duma enorme ameaça imperialista! – sussurrava o homem para quem quisesse ouvi-lo – Imperialismo é tão mau o dos brancos como dos negros, meus Senhores! Não quereremos nunca ser governados pelo imperialismo negro de Pretória. Não rejeitámos imperialismo português para nos alapardarmos debaixo do imperialismo dos vátuas de Pretória!...”
“É isso mesmo, Senhor Primeiro-Ministro, é isso mesmo! Juramos-lhe que é isso que nos move! Com muitos negros e brancos a falarem português, os próprios vátuas terão de falar português também. O português será a língua comercial, cultural e do dia-a-dia de toda a África a sul do Equador! Não teremos um império negro, nem branco… Teremos só o império da língua lusitana, organizado e instalado por uma colossal rede de universidades portuguesas. É esse o sonho que vamos radicar também em Pretória, para completar a expansão maravilhosa da nossa língua!”
O PM explodiu numa grande gargalhada, mas não resistiu a desejar-lhes “Boa sorte, então!” E ele próprio os empurrou porta fora, porque os altifalantes tinham acabado de anunciar a partida imediata, dando aos passageiros apenas dez minutos para se apresentarem a bordo.
Mas foi dali que o PM angolano saiu com a teima de forçar os PM dos países lusófonos todos a referendarem o acordo ortográfico, pronto havia tanto tempo, mas ainda não assinado por alguns, por questões de lana caprina…
Iria abrir-lhes os olhos para perceberem que, também em matéria de línguas, o essencial era a política!
A.C.R.
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2007/08/10
À Legião Patriótica (6)
Morte honrosa do PRD... Felix culpa!
Nascimento falhado do PNR... Mea culpa!
Não bastava ao grupo do VECTOR ter criado este; lançado a "Resistência"; combatido o PREC de esquerda e o PREC de direita; relançado o PDC-Partido da Democracia Cristã...; defendido pública e decididamente o prestígio de Salazar; criado o NEOS-Núcleo de Estudos Oliveira Salazar; ter concebido e posto a funcionar a Aliança Nacional; ter promovido edições muito estimáveis através da Editora Nova Arrancada; ocupado lugar significativo na blogosfera; etc., etc...
Havia ainda de ter promovido a transformação do PRD eanista no PNR nacionalista, salvando ao mesmo tempo a face do primeiro e dando uma grande oportunidade ao nacionalismo de cara lavada e apresentável, com rejeição inequívoca de quanto pode desacreditar e tornar o nacionalismo ultrapassado e inaceitável, restituído, pelo que nos respeita, à categoria de grande força política, se não a maior, promotora do desenvolvimento histórico da Humanidade.
Acredito que o nosso falhanço, relativamente ao nascimento do PNR, é temporário, mas que caberá a novas gerações resolver o terrível dilema que está em suspenso.
Quererão vocês, os da Legião Patriótica, com muitos outros, ajudar o País a sair deste impasse?
Não foi casual - soube-o logo, na altura - por que escolheram os do PRD a Aliança Nacional para tomar conta do partido que fora eanista.
E soube-o através do próprio Presidente infeliz que tenho referido, o qual na reunião em sua casa, na Amadora, largamente me interrogou sobre as origens, constituição, natureza ideológica e finalidades políticas da Aliança Nacional.
Percebi que as minhas respostas o satisfizeram e tranquilizaram completamente.
Concluiu, sem qualquer dúvida, que nós não seríamos eanistas, pela certa. Mas que não deixaríamos transformar o PRD num partido xenófobo, racista, racialista, uma deturpação completa do nacionalismo da AN.
Peço perdão à sua memória de o termos enganado sem querer.
A.C.R.
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2007/08/08
À Legião Patriótica (2)
O "Vector" foi sempre considerado e sempre se considerou um movimento cívico de Direita, embora, para uns tantos, até mesmo de extrema-direita, sobretudo por uma certa esquerda que não sabe onde tem a sua mão esquerda, nem a direita.
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2007/03/05
Memórias das minhas Aldeias
Esquecimentos da História
Parte IV – N.º 07
O telegrama cifrado de Stanley para Manuel Cruz, chegado dois dias depois de findar a Conferência e dando notícias do sucesso dela, plenamente conseguido, continha porém notícias ainda mais importantes para a soldadagem e auxiliares, a tropa da milícia, porque os aliviava completamente dos seus receios quanto à desmobilização e consequente desemprego. Mas também cessava, para muitos, a angústia dum projecto de vida profundamente assumido, que já não teria de ser abandonado a meio.
Ah! Quando soubessem que tudo prometia, afinal, correr pelo melhor…
O “capitão” Gomes deveria assumir plenamente o comando da milícia, em nome do Rei Leopoldo II da Bélgica, doravante Rei também e Senhor do novo Estado, o Estado Livre do Congo, acabado de criar.
Os órgãos e instrumentos da soberania passavam a ser da responsabilidade total do Rei, não da Bélgica, mas do Rei pessoalmente, um Rei à maneira medieval e pós-renascentista, pois que, no fundo, como os melhores comentadores explicavam, e em Berlim ficara estabelecido, o Congo, isto é, o Estado Livre do Congo, não passava de uma propriedade pessoal do Rei.
No fim do séc. XIX, à beira do séc. XX, o regresso do feudalismo em cheio!
Natural, pois, que a milícia desaparecesse como tal e fosse plenamente integrada nas forças armadas do novo Estado, reconhecido telegraficamente por todos os Estados soberanos da Terra, nos oito dias que se seguiram ao termo da Conferência de Berlim.
Na verdade, também, e apesar de todas as aparências formais, começavam agora as maiores oportunidades dos belgas também.
Teriam eles unhas e iniciativa para aproveitá-las?
As dúvidas eram muitas, porque poucos belgas pareciam dispostos aos riscos que isso implicava.
Por isso talvez, as oportunidades dos portugueses continuariam, por muito tempo, ainda em alta.
O “capitão” Gomes foi dos primeiros a compreendê-lo.
Com ele combinou Manuel Cruz – formalmente, não, mas implicitamente, sim – que a real decisão sobre a sua cessação de funções seria essa tarde comunicada à tropa, no acampamento, com a leitura do telegrama, a fazer pelo próprio Manuel Cruz.
Não faltou um único homem!
Um desvario de aplausos de negros, portugueses e belgas acompanhou toda a leitura, a partir do momento em que compreenderam que o futuro de todos estava assegurado, não ia passar por solavanco algum.
Então, quando Manuel Cruz, para acabar, acrescentou a parte final da carta, foi o pleno delírio. Por aí se dizer que a “milícia” – todos os seus membros continuariam a conhecê-la por tal, durante muito tempo – que a “milícia”, insistiu Manuel, deveria aguardar, no mesmo regime de acampamento que até aí, a chegada do primeiro contingente de tropas europeias, a cujo comando a milícia passaria então a obedecer. Tanto que os fundos necessários ao funcionamento dela, incluindo todos os salários, passariam também a ser responsabilidade do Rei, e pagos através da estrutura administrativa colonial a instalar em breve em todas as localidades importantes do Congo, como Boma, Matadi, Basankusu ou Kinshasa.
Foi então mais que delírio, foi uma colossal explosão, uma série de explosões que só terminaram quando os negros, fazendo calar tudo o mais, irromperam a cantar a brabançonne*, na mais perfeita harmonia marcial.
Houve uma sensação generalizada de viver-se um momento único.
Com a sua argúcia rara, o “capitão” Gomes viu naquela explosão emocional, a que ninguém deixou de associar-se, o símbolo da união de três povos, os nativos, os portugueses e os belgas, fossem flamengos ou valões, símbolo à volta do qual acabava de fazer-se a suprema unidade em que ia forjar-se a construção e consolidação da nova realidade política de repercussão mundial, que dali pela primeira vez se pretendia fazer ecoar pelo mundo inteiro.
Muitos dos valentes, com bastas provas dadas, choravam copiosamente, a começar pelos belgas.
Antes de partir para o seu hotelzito em Boma, Manuel Cruz fez questão de despedir-se dos presentes, sem excepção, a começar pelos soldados nativos, apertando a todos a mão, um por um.
Quando quis dirigir-se aos brancos, já encontrou belgas e portugueses muito dispersos. Mesmo assim ainda deu com um razoável grupo de belgas.
Mas todos os belgas foram recusando apertar-lhe a mão, dando sucessivamente a entender, por palavras e por gestos de repugnância ostensiva, muito sérios, que não podiam fazê-lo sem ele ter ido lavar-se primeiro, depois de apertar as mãos de tantos e tantos pretos, a toda “a pretalhada”.
Foi a primeira manifestação colectiva e pública do feroz racismo dos belgas (tanto de flamengos como de valões), o qual, no plano social como no privado, iria caracterizar fundamentalmente o domínio belga do Congo, quase até ao fim, em 1961.
Estranha e surpreendente sensação para o português, que nunca veio a compreender aquela falta de senso político dos novos colonizadores.
A.C.R.
*Hino oficial da Bélgica
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2007/01/08
Revelações

Uma das revelações mais surpreendentes na opinião publicada em 2006 foi o presidente do Irão, Ahmadinejad.
Não tanto pela sua fome de “nuclear power”, mas pela forma impune como se referiu por várias vezes aos judeus e a Israel.
Teve oportunidades, que criou e aproveitou, para pôr em dúvida, publicamente, a versão oficial do Holocausto, para declarar o seu ódio aos judeus e a Israel, manifestando o seu desígnio de os varrer do mapa.
Embora tais afirmações tenham sido condenadas verbalmente por alguns líderes ocidentais – os previsíveis – a verdade é que não mereceu nenhuma cruzada mediática com declarações de infâmia, de fanatismo, de antisemitismo, de racismo, de nazismo, nem sequer de fascismo. E muito menos julgamentos, como sucedeu com David Irving.
Ahmadinejad saiu com a imagem sempre reforçada perante a Europa de um gajo porreiro e equilibrado.
Porquê? O que é que mudou na sensibilidade e nos interesses mediáticos? Porque é que a esquerda deixou cair a negação do Holocausto? Terá a causa perdido utilidade política?
Será uma reacção de antiamericanismo baseado na suspeita de que quem está por trás das decisões políticas americanas são os judeus? Ou será a aceitação mais abrangente de que os judeus são culpados de tudo o que acontece de mal?
Penso que seria bom para todos conhecer o mais próximo da realidade possível o que se passou com os judeus antes e durante a II Guerra Mundial, sem considerar o assunto fechado à partida.
E assim como é suspeito o súbito desinteresse da esquerda pela tradicional condenação dos que, como Ahmadinejad, negam a versão oficial do Holocausto, também é difícil de compreender a aflição de alguns dirigentes judaicos com o caso, quando dizem dispor de provas irrefutáveis. Se essas provas existem, porquê a aflição e o medo? É mostrar e demonstrar.
Para o bem e para o mal, identifico-me com a civilização greco-latina e judaico-cristã, o que significa que os judeus fazem parte dessa civilização, por muito que alguns não gostem, e apesar de alguns conflitos históricos dentro desta mesma civilização.
Não há inimigos eternos. Na situação actual os judeus são nossos aliados.
Admitir e fomentar o ódio aos judeus, e por tabela à América, é enfraquecer a nossa civilização e comprometer a sua sobrevivência, o seu futuro.
Manuel Brás
manuelbras@portugalmail.pt
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2006/09/20
O Papa tem as costas largas!
Não sei se teria contado com a última provocação.
Adivinha-se a intenção de certos apoios inesperados.
Ou nem tão inesperados assim.
Alguns dão a entender um súbito papismo que não pode deixar de trazer água no bico.
Tão “boa vontade” em habituais inimigos da Igreja e do Papa, embora considerados de “direita” por muitos, tem de ser um papismo, no mínimo, suspeito, fatalmente.
Chego mesmo a pensar que este estranho papismo por parte de nacional-germanistas não será por o Papa ser Papa, mas por ser alemão, de nacionalidade germânica.
Por um lado isso, que é para onde lhes puxará o coração, o seu lado de portugueses patrioticamente germânicos…
Mas, por outro lado, deixam inevitavelmente transparecer um cálculo político que esse, sim, já não é mera e negligenciável deriva étnico-patrioteira do seu arianismo limitadamente abrangente.
Eles querem iludir muitos católicos, que julgam possuídos de cegueira política a respeito do suposto direitismo com que eles às vezes fingem arriar-se ou deixar-se arriar.
O desplante é grande, esse de se pintarem ou deixarem-se pintar do que não são, mas lhes convém parecer, por mera conveniência de suscitarem supostas simpatias políticas.
O desplante é de quererem fazerem-nos esquecer o seu racismo, o seu anti-cristianismo, o seu paganismo de culto, o seu estatismo totalitário, etc..
Até se preparam para alegar um dia – quiçá em campanha eleitoral – que tomaram a defesa do Papa, melhor que os melhores e mais intemeratos católicos, correndo mesmo o risco de se tornarem objecto de vingança dos muçulmanos radicais… que não lhes perdoarão os seus desvelos papistas.
Possivelmente tudo isto e mais alguma coisa.
Tudo bem, é lá com uns e outros… mas importante é só que católicos não nos deixemos enganar, nem por uns, nem por outros.
A.C.R.
Etiquetas: racismo e racialismo









