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2012/10/01

O azar de Passos Coelho 

Para além da dureza, e em certos casos insensatez, das medidas de austeridade, que atingem especialmente as classes média e mais desfavorecidas, tem sido também apontado como factor de descrédito do governo a sua péssima comunicação, isto é, como já aqui foi dito, o governo continua a ser, cada vez mais, um desastre comunicativo. Eu diria que este último factor até é o mais importante e o que mais pesa na imagem, cada vez pior, menos credível, que o governo ganha junto dos portugueses. A TSU foi mais um pretexto de peso.

Passos Coelho teve azar porque descuidou, tem descuidado, a comunicação. Se ele tivesse contratado para porta-voz do governo José Sócrates ou Barack Obama, podem ter a certeza que, perante o panorama de futuro aberto pela retórica de qualquer um destes dois oradores, os portugueses não só compreendiam os 18% de TSU, como até desejariam pagar 25% ou 30%.

É tudo uma questão de palavras.

manuelbras@portugalmail.pt

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A culpa é do capitalismo 

O momento é de crise. Na política actual o medo e a culpa são dois pilares incontornáveis. O medo é de mudar. O sucesso das manifestações anti-troika e anti-austeridade vem do medo de mudar, vem precisamente da percepção de mudanças indomáveis, e não, como se diz, da vontade de mudar. As pessoas manifestam-se como reacção às mudanças, que se prevêem desfavoráveis.

E a culpa, segundo a narrativa dominante, é do capitalismo. O mais fácil é atribuir a culpa aquele sistema económico, que terá os seus defeitos, porque não há nenhum sistema perfeito, que tem alimentado o Estado social, pelos vistos de forma insuficiente, tal é a voragem das dívidas estatais. Mas, evidentemente, aqueles que acusam o capitalismo de culpa têm toda a razão, que se explica numa equação muito simples:

Capitalismo = políticos incompetentes

manuelbras@portugalmail.pt

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Ilusões, expectativas e manifestações 

Ninguém será demasiado ingénuo na política portuguesa para acreditar que as manifestações contra as medidas de austeridade, independentemente do seu acerto ou desacerto, não têm por trás uma organização experiente, uma mão invisível, que é tudo espontâneo, como se em política alguma coisa fosse espontânea. Para quem quiser estudar o fenómeno, basta olhar para as palavras de ordem, para as sequências de acontecimentos diante das forças policiais, os crescendos e decrescendos de provocação e violência, os passos para a frente e para trás, tudo é estudado e organizado ao milímetro. Não é obra de inexperientes imbuídos de espontaneidade.

No entanto, e até que as pessoas, perante o peso da dura realidade, deixem de acreditar que as manifestações trazem mais trabalho, reduzem a dívida pública e fazem baixar os impostos, importa perceber que a adesão de muitas pessoas a estas "formas de luta", que estavam moribundas desde o estertor do PREC, corresponde a uma ilusão colectiva que criou expectativas talvez hoje impossíveis de cumprir, após quase 40 anos.

Nos momentos de crise a percepção que as pessoas têm da política e dos políticos vem mais ao de cima que nunca. A ilusão de muitos portugueses consiste em considerar o Estado como uma espécie de divindade, uma entidade que nos protege a todos, de quem devemos esperar tudo, alguém em quem se tem uma confiança absoluta, mais até do que na própria família. Muitos portugueses consignam ao Estado tudo ou quase tudo, eles esperam tudo ou quase tudo do Estado e acham que o Estado pode e deve substituir tudo ou quase tudo, incluindo a família.

A histeria actual a respeito do Estado social vem de que muitas pessoas já perceberam que o Estado não vai poder corresponder às suas expectativas de lhes proporcionar emprego vitalício, educação, saúde, pensões, reformas. Mais: num momento em que a população está fortemente envelhecida, muitos idosos na solidão a carenciados de apoios, cada vez há menos jovens e cada vez nascem menos crianças, pretende-se subir as contribuições sociais, não para melhor garantir as pensões no futuro, coisa que está crescentemente em risco, mas sim para alimentar as dívidas do Estado, precisamente desse Estado de quem muitos portugueses esperam milagres. O curioso é que são esses mesmos portugueses que acreditaram no Estado social aqueles que agora mais se opõem à subida da TSU para o ajudar a sobreviver. Por uma razão muito compreensível: os aumentos de contribuições não se destinam a pensões, mas a pagar dívidas acumuladas pela incúria e incompetência de sucessivas gerações de políticos e governantes de um País que teima em ser ingovernável. Pelo menos...

Muitos portgueses começam agora a perceber que esse Estado com que sonharam não existe, estão agora a perceber como foram enganados ao longo de décadas por políticos habilidosos e ávidos de votos.

Coitados daqueles que acreditaram no Estado social, não se importaram com a sua família e não pouparam, ficando agora nas mãos de um gigante falido.

Pode-se sair daqui e levantar a cabeça? Talvez, mas não com os políticos da AR.

Falta uma coisa muito simples: as virtudes.

manuelbras@portugalmail.pt

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2012/09/18

Uma sequência para o futuro 


aqui expusemos a leitura de Vladimir Bukovsky, assente em factos políticos, de que a União Europeia se está a tornar numa União Soviética com capital em Bruxelas, augurando igualmente a queda da União Europeia, à semelhança do que aconteceu com a União Soviética. É por isso que ele assevera: nós já vivemos o vosso futuro. É claro que, assim como os burocratas do PC soviético garantiam no dia anterior à queda que a URSS estava firme, os burocratas de Bruxelas garantem que a UE está firme. Até quando?

http://www.youtube.com/watch?v=bM2Ql3wOGcU

Se Barack Obama vencer as eleições de 6 de Novembro, o que é mais provável que o contrário, pode muito bem vir a acontecer, em virtude disso, que a União Europeia esteja já a viver o futuro da América.

Uma sequência deveras sugestiva.

manuelbras@portugalmail.pt

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2012/09/17

Protestos e ilações 

As manifestações e protestos que recentemente marcaram presença em várias cidades portuguesas têm, pelo menos, a virtude de mostrar o que as pessoas pensam do sistema e quais as suas expectativas. É claro que tornam também possível a percepção de como as promessas da esquerda dominante e as expectativas das pessoas em relação ao Estado nada mudaram nos últimos 40 anos.

Bem podem dizer que as manifestações foram apartidárias, mas basta ver os pormenores de organização, palavras de ordem, acidentes e incidentes, gente em acção de cara tapada, para perceber que ali há núcleo duro e a mãozinha de profissionais de partidos e sindicatos. As manifestações que se viram, sobretudo em Lisboa e no Porto, obviamente, não surgiram espontaneamente nem tiveram origem em gente inexperiente. O facto do protesto ter acontecido em dia 15, à semelhança de outros em dia 15 já ocorridos em Portugal e noutros países europeus é algo de muito sugestivo...

Não vale a pena dizer que houve gente de "direita" que também se associou ao protesto, porque em Portugal não há direita capaz de fazer protestos e manifestações destas. Algumas pessoas de direita podem ter ido atrás, como sempre, mas não controlaram o processo.

Digamos que a dureza do momento, em que a insensatez e a inabilidade desse desastre comunicativo que é o governo se cruza com o inferno sindical, fez com que muitas pessoas fossem atrás.

Os portugueses continuam à espera de um Estado que lhes dê tudo ou quase. Os políticos, em nome do Estado, continuam a prometer tudo ou quase. Passos Coelho governa como um verdadeiro socialista: impostos, impostos, mais impostos, para esse sorvedouro que é o Estado social, insustentável, à custa de quem produz riqueza para alimentar o que produz défice e dívidas. José Sócrates não faria melhor. Os vários estatalistas estão furibundos: Passos Coelho roubou-lhes a receita. Mas, como já sabemos, um Estado que promete tudo é um Estado que pode tirar tudo.

Alguns dizem que é preciso um novo 25 de Abril. Para quê? Para daqui a 38 anos voltar ao mesmo? Além de que a História não se repete, em 1974 o novo regime tinha muitos tachos na administração pública e no Estado para dar aos partidos, os cofres do Banco de Portugal estavam cheios e a situação económica e financeira era bem mais favorável, enfim, havia muitos recursos para estoirar, como efectivamente aconteceu. Hoje, a administração pública está lotada, os cofres do Banco de Portugal estão bem mais pobrezinhos, os bancos estão sem dinheiro, a população está envelhecida e a única coisa que existe com fartura são dívidas. Os nossos manifestantes bem podem gritar pela queda do governo, por mudanças, prometer o que quiserem. O que têm eles para dar? O que têm eles para oferecer? Dívidas.

Todos dizem que é preciso mudar de política. Mas quem é que quer mudar? Os sindicatos querem mudar? Os políticos querem mudar? Os funcionários públicos querem mudar? Os senhores do Estado querem mudar? Claro que não, todos querem manter as posições que têm. Eles querem que os outros mudem, mas acontece que já não podem. Uns não podem, outros não querem mudar. Eis que chegámos a um impasse no regime. Não é apenas o governo A ou B, os partidos C ou D que estão em crise. É o regime.

Não vale a pena insistir no modelo social europeu. Está falido. Não percam tempo.

"Baixem os impostos e cortem na despesa, mas cortem drasticamente! Limpem a casa e esqueçam o modelo social europeu. O tempo para fazer alguma coisa já se esgotou. Foi ontem" (John Cochrane, conselheiro económico de Mitt Romney, citado pela revista Sábado)

manuelbras@portugalmail.pt

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2012/09/13

REDUZIR A DESPESA POUPANDO VIDAS E FAMÍLIAS 

Foi noticiado pelo Correio da Manhã que as “Finanças estudam novos cortes nos benefícios fiscais com filhos e ascendentes”, como forma de obter uma poupança de 154 milhões de Euros no orçamento do próximo ano.
Não ignorando a grave crise em que nos encontramos, oferece-nos as maiores dúvidas que as necessárias poupanças a que todos, Estado e sociedade, estão convocados, devam ser realizadas à custa da mais esforçada das instituições sociais, a da família, em particular daquelas que desempenham um papel social mais relevante, tendo e criando os seus filhos (contribuindo assim para a riqueza do país, actual e futura, e o desenvolvimento da actividade económica a contraciclo da presente recessão) e cuidando dos mais frágeis da nossa sociedade.
Acresce ainda que, perversamente, essa medida pode contribuir para uma ainda maior quebra da natalidade, onde recorde-se quase todos os anos atingimos mínimos históricos e cujo impacto para a sustentabilidade do sistema de segurança social e, em última análise, de Portugal têm sido já muito referidos.
Reconhecendo, no entanto, que existe de facto um esforço financeiro que deve ser feito e que todos estamos moralmente obrigados a colaborar com o Governo nesta missão patriótica de diminuir a dívida, saldar o défice e pôr as contas públicas em ordem, vem a Federação Portuguesa pela Vida, chamar a atenção para as poupanças na despesa do Estado que poderiam representar as seguintes medidas que, juntamente com outras que a FPV e as suas associadas têm vindo a apresentar e estão disponíveis para discutir, poderão atingir os 154 milhões que se procura esportular todos os anos às famílias portuguesas com maiores encargos.
Essas medidas são:
1. O fim do financiamento público da prática do aborto legal, na medida em que da resposta que os portugueses deram à pergunta do referendo de 2007 não decorre que o aborto a pedido da mãe, deva ser pago pelo Estado.
2. O fim de todas as benesses sociais, laborais e financeiras, ligadas à prática do aborto legal, nas que se incluem, entre outras, o transporte e alojamento pago às mães e seus acompanhantes que realizam abortos fora da sua área de residência, ou as licenças “de maternidade” e os subsídios relacionados - superiores aos de uma baixa médica -.
3. O fim das condições privilegiadas - únicas - de pagamento às instituições privadas em que se realiza o aborto legal.
Procedendo como acima recomendado o governo português não só reduzirá a despesa pública como assumirá o seu compromisso com o aumento da natalidade e desse modo para a existência de outras pessoas que no decorrer da sua vida contribuirão para a criação de emprego (professores, educadoras de infância, médicos pediatras e obstetras, etc.), para o desenvolvimento da actividade económica e para a sustentabilidade do Estado Social (recordamos que em 2030 as contribuições anuais para a segurança social que o Estado português “aceitou” perder por via das pessoas que não nasceram como resultado do aborto “por opção da mulher” montam já a um valor próximo dos 250 milhões de euros a preços actuais).
Lisboa, 3 de Setembro de 2012

www.federacao-vida.com.pt

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A mensagem de Passos Coelho ou o Estado que pague a crise 

Com a mensagem de 17 minutos ao País, o que quis Passos Coelho transmitir?

Coisas simples.

Que vêm aí mais medidas de austeridade, que vão recair mais uma vez, como quase sempre, sobre o sector privado e sobre as famílias, sobretudo aquelas que mais filhos têm, seja pelo aumento das contribuições sociais de 11% para 18% (o que equivale ao roubo de um mês em quatorze), seja pelos novos escalões de IRS, seja pela quase inexistência de deduções fiscais com despesas dignas desse nome.Sobrecarrega-se o sector privado que alimenta o Estado e o funcionalismo público.

No Estado fica tudo na mesma: a subida das contribuições sociais de 11% para 18% é compensada pela devolução de um dos meses anteriormente cortado.

A única boa notícia é a descida das contribuições sociais das empresas de 23,75% para 18%. Vamos ver se isso tem reflexos na criação de trabalho...

Com o défice do Estado - sempre o Estado... - a derrapar e a lei dos compromissos a ser desobedecida, Passos Coelho comporta-se como qualquer socialista: sobrecarrega ainda mais aqueles que produzem riqueza e não averigua o porquê da gestão danosa do Estado. Não se diz o que causou a derrapagem do défice, nem se apontam os responsáveis. No Estado português é assim: não há responsáveis, tudo acontece impunemente.

Mas, acima de tudo, a mensagem de Passos Coelho à navegação é esta: os senhores do Estado podem continuar com a sua gestão fraudulenta e danosa, com o défice sempre acima do previsto, porque cá está o sector privado para pagar.

É por isso que muitos jovens, por sinal os mais válidos profissionalmente, lhe dizem: adeus Coelhinho, que vou emigrar! Arriscamo-nos a ficar cá com a canga dos aparelhos partidários, que seca tudo à sua volta.

E que tal se fosse o Estado a pagar a crise?

manuelbras@portugalmail.pt

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2012/09/03

O contributo da esquerda para resolver a crise 

Em toda a Europa a esquerda está motivada e mobilizada para resolver a crise, como é timbre do humanitarismo que apregoam, sempre em favor dos mais pobres e desfavorecidos. O que seria a esquerda sem os mais pobres e desfavorecidos, em especial os dependentes de subsídios e outros rendimentos? É claro que todos esses pobres e desfavorecidos continuarão a ouvir e a acreditar no discurso da esquerda, e pobres e desfavorecidos continuarão, infelizmente.

Mas, desta vez, tanto do governo francês, como da bancada parlamentar do PS, vêm duas medidas imprescindíveis para combater a crise. Amigos, com isto, a crise já foi embora... Podem crer.

http://online.wsj.com/article/SB10000872396390444812704577611741069429410.html?mod=WSJEurope_hpp_LEFTTopStories

http://www.ionline.pt/portugal/parlamento-volta-discutir-adopcao-casais-homossexuais

Por cá, já se percebeu que a aposta do PS é na confusão, como forma de, na prática, conseguir o mesmo com outro nome: co-adopção. Uma preciosidade.

Pobres das vítimas, disfarçadas de crianças, que vierem a ser submetidas a estas aberrações de gente sem miolos.

Não há nada como ter uma mãe e um pai de carne e osso. A lei é esta. Não há outra.

manuelbras@portugalmail.pt

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2012/06/27

O nervosismo de Barroso 


Sem dúvida, os líderes não eleitos da UE presumem uma importância e um peso que já não têm na cena mundial. Se é que a UE alguma vez teve importância. Quando essas evidências lhes são colocadas diante do nariz, eles recalcitram e ficam assim, irritados e nervosos, como o Barroso na cimeira do G20 no México. Se ele realmente acha que não está ali para receber lições de economia nem de democracia, só tem uma coisa a fazer, que é vir embora. Virá?

Entretanto, estes embusteiros da política, continuam a disfarçar que a crise e o fracasso da UE é apenas financeiro e económico e não político, quando na verdade o que fizeram ao longo das últimas décadas foi criar estruturas económicas e financeiras para colocar ao serviço de uma união política que convém à nomenclatura, mas que cada vez se revela mais impossível.

Mais, continuam a alimentar a ilusão de que a UE é a Europa e a Europa é a UE, para seu proveito.

Se a UE acabar, a Europa continua, mais livre e respirável, porque nunca foi uma união política. As tentativas de fazer da Europa uma união política deram sempre mau resultado.

Barroso tem razões para estar zangado. A central aproxima-se do fim.

http://www.telegraph.co.uk/finance/g20-summit/9339829/EU-not-at-G20-to-take-lessons-on-economy-says-Jose-Manuel-Barroso.html

http://online.wsj.com/article/SB10001424052702303379204577474620938063222.html?mod=googlenews_wsj



manuelbras@portugalmail.pt

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2012/06/18

UE em convulsão 

Com os resultados híbridos das eleições legislativas na França e na Grécia escrutinados, cabe agora perguntar pelas consequências para a UE.

Na França, a coligação de esquerda à volta do partido socialista conseguiu uma maioria absoluta. Em princípio, Hollande terá todas as condições para executar as suas promessas utópicas na economia e na gestão das finanças públicas, a começar pela redução idade da reforma dos 62 para os 60 anos, como se a França tivesse uma população rejuvenescida e uma população activa capaz de suportar coisas dessas. Já se vê onde é que as verdadeiras reformas económicas irão parar: mais aborto, casamentos e adopções homossexuais e eutanásia.

A direita francesa, por alguns considerada a mais estúpida do mundo, talvez com razão, embora a portuguesa não lhe fique muito atrás, perdeu porque quis, isto é, porque teve medo, como é costume. O partido UMP, do ex-presidente Sarkozy, passou de 320 para 220 deputados, num total de 577. Porém, teve na primeira volta 34%, o que, em entendimento para a segunda volta com a Frente Nacional, que teve 14%, superaria seguramente os 46% obtidos pelas forças de esquerda, pois que essas sim, não tiveram medo de se entender.

Ainda assim, estas eleições tiveram como maior novidade a reentrada da FN na Assembleia Nacional Francesa com 3 deputados, mercê de uma das leis eleitorais mais estúpidas que existem, em que a FN com 14% de votos tem 3 deputados (e podia não ter nenhum), enquanto os "Verdes" e a Frente de Esquerda, que juntos (cerca de 11-12%) têm menos votos que a FN, mas obtiveram 29 deputados. Isto é que é democracia. É claro que se isto se aplicasse à esquerda não faltariam os indignados. Mas como são leis para os outros...

Se houvesse um entendimento inteligente entre UMP e FN na segunda volta, seguramente obteriam mais do que um total de 220+3 deputados.

Na Grécia, mais uma vez ao contrário das previsões dos fazedores da opinião publicada, os conservadores da Nova Democracia venceram com 30% dos votos e 130 deputados, enquanto a coqueluche irmã do Bloco de Esquerda, contra o que a torcida mediática gostava (o "Público" virá ensopado em lágrimas), o Syriza, não chegou aos 27%, com 71 deputados.

O resultado destas eleições é mais claro e definido que o de Maio. Resta agora saber se o líder da Nova Democracia conseguirá formar um governo estável e obter os apoios necessários para governar, aplicar o plano de austeridade e manter-se no euro.

Nenhuma destas coisas é certa: que a Grécia consiga honrar os compromissos que contraíu no resgate, que a economia cresça, que se consiga manter no euro, que o euro se consiga manter, que os receios da Grécia e com a Grécia não alastrem a países como a Itália, a Espanha e a França, para já.

Só há uma coisa certa: a UE está em convulsão.

http://www.bbc.co.uk/news/world-europe-18471239

http://www.bbc.co.uk/news/world-europe-18478982



manuelbras@portugalmail.pt

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2012/05/24

Que rico lobby... 

As medidas de austeridade aí estão a ser aplicadas, com os famosos cortes. Bem segundo uns, mal segundo outros. A verdade é que muitas são as pessoas, não só da função pública, que viram e continuam a ver os seus rendimentos de trabalho reduzidos, ou as pensões de reforma.

Amplos sectores da sociedade vêm os seus ganhos reduzidos, no comércio, nos serviços, no que resta da indústria... Nenhuma crise terá, talvez, afectado a sociedade de uma forma tão extensa como esta. Provavelmente, todos os sectores económico-sociais foram afectados, dos mais folgados e abastados, aos mais indigentes e carenciados.

À excepção do lobby da contracepção e do aborto. Para estes, nem um tostão de financiamento foi cortado. É notável!

Pode não haver dinheiro para salários, para comer, para vestir, para investir... mas para o aborto, esse bem de primeira necessidade, haverá sempre dinheiro.

O medo fala mais alto.

manuelbras@portugalmail.pt

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2012/05/15

A economia e os estúpidos 

Aqui está mais uma prova da real importância que o socialismo dá à economia: a agenda de Hollande.

http://online.wsj.com/article/SB10001424052702303505504577402441532031280.html?mod=WSJEUROPE_hpp_MIDDLEFourthNews

"Casamentos" homossexuais, procriação artificial em uniões homossexuais, eutanásia, mais aborto. A receita é sempre a mesma.

Mr. Hollande is unlikely to procrastinate on gay marriage and other social initiatives, his aides say. That is because he has very little room to maneuver on the economic front and so must deliver on other parts of his electoral platform. (...)

Mr. Hollande has also vowed to allow lesbian couples to access artificial insemination, and to reinforce an existing law allowing the terminally ill to stop medical treatment with provisions to permit those suffering from painful sicknesses to end their life. In addition, he has said he would ensure all women could have access to abortion centers, even in remote corners of the country. (...)


Nas campanhas eleitorais a prioridade é a economia e as finanças. Uma vez no poleiro vem o que realmente lhes interessa: a agenda da homossexualidade e da morte. Ou será que pretendem resolver os problemas económicos através da homossexualidade, do aborto e da eutanásia? Será isso a solução para os problemas económicos? Ou será que estão presos por arames ao lobby gay e do aborto?

Estúpidos são aqueles que votam nos socialistas por causa da economia, pensando que é essa a verdadeira prioridade. Será que os povos europeus algum dia vão acordar?


manuelbras@portugalmail.pt

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2012/05/08

Eurhollandia 

Uma maioria de eleitores franceses acreditou nas promessas de Hollande, por muitos consideradas utópicas, como é o socialismo em geral. E acreditou também que ele as irá tornar realidade. Ponto final. É este o significado da vitória de Hollande sobre Sarkozy: a vitória da utopia sobre o realismo.

Mas, prometer não custa nada, antes pelo contrário, dá votos, sobretudo de gente iludida e com pouco sentido da realidade. O problema vai ser o confronto com a realidade. Até quando irá a realidade suportar a violência dos que a tentam transformar? Quais são os limites da utopia? Perante a impossibilidade de cumprir as suas promessas, numa França e numa Europa cada vez mais decadentes e decrépitas, Hollande aviará a receita do costume: atirará as culpas para cima dos adversários políticos e de todos aqueles que não se quiserem vergar à "transformação da realidade".

Até quando chegará a paciência das outras nações europeias para aguentar o plano Hollande?

A execução integral das promessas e mudanças de Hollande juntamente com o impasse político e a crise económica e financeira na Grécia pode dar uma boa machadada na União Europeia.

E convenhamos que para os povos e as nações europeias não se perdia grande coisa. Bem pelo contrário.

Quem sabe se Hollande e a Grécia, sem quererem nem saberem, não estão a ajudar verdadeiramente a Europa?

Ou será que daqui a dois ou três anos vamos ver a maioria dos franceses desiludidos com Hollande, que se esqueceu das promessas na gaveta?

manuelbras@portugalmail.pt

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2012/04/27

Surpresa na França 

A primeira volta das presidenciais francesas foi mais um exemplo acabado de como as sondagens são politicamente manipuladas e enviesadas pela esquerda. Por vários motivos:
Hollande ia bater Sarkozy por maior diferença. A diferença foi apenas 2%.
Marine Le Pen ficaria pelos 13-14%. Teve 18%.
O candidato comunista era a grande figura destinada a retirar Marine Le Pen do 3º lugar. Não conseguiu, ficou pelos 11%.
As sondagens são assim. Pouco têm a ver com a realidade.

Para a 2ª volta, Sarkozy precisa de Marine Le Pen ou, pelo menos, de que ela convença os seus eleitores a votar em Sarkozy. E precisa também de Bayrou e do seu eleitorado. Só assim poderá ganhar a Hollande.

Mas, de quem Sarkozy está mais dependente é de Marine Le Pen. Como irá Sarkozy arrebanhar esses 18%? Irá ele negociar contrapartidas com Marine Le Pen de modo a garantir o seu apoio?

Qualquer mensagem de Marine Le Pen pode ser fatal para Sarkozy. Se Marine Le Pen der apoio explícito a Sarkozy, este tem a esquerda a berrar e a meter medo ao eleitorado, colando-o à "extrema-direita". Se Marine Le Pen apoiar publicamente Sarkozy podem dar-se duas situações bizarras: se Sarkozy ganhar, Le Pen poderá dizer que foi com os seus votos e pretenderá partilhar a vitória. Se perder, poderá dizer que nem com os seus votos Sarkozy conseguiu ganhar, ou seja, que o valor de Sarkozy foi "revisto em baixa". Sarkozy está tramado e tem que gerir muito bem os apoios que precisa.

O melhor talvez seja um apoio silencioso, com a contrapartida de uma "colaboração estratégica" no próximo governo. Se Sarkozy for o Presidente, claro está. Marine Le Pen tem ideias diferentes do vulgo político eurolandês, mas é uma pessoa respeitável.

A verdade é que a imigração já entrou na agenda política francesa para além do espectro político de Marine Le Pen, ao ponto de haver propostas para rever, ou reverter, o Tratado de Schengen, e fazer, de novo, funcionar as fronteiras.

De qualquer forma, e apesar da questão da imigração em França, pelo tipo de imigração que se trata (muito diferente do que sucede noutros países como Portugal, e à semelhança do que sucede no Reino Unido, Holanda e Bélgica) ser um caso sério, o principal problema da França não é a imigração, mas sim uma população crescentemente envelhecida, um sistema social cada vez mais insustentável do ponto de vista económico, uma natalidade baixa, uma coesão familiar debilitada, enfim, o declínio demográfico. A França, tal como Portugal, tem todos os indicadores de um país com dificuldades de sobrevivência. E disto, os imigrantes não têm culpa.

Manuel Brás

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2012/04/18

O maior problema dos portugueses 

Quando os portugueses são convidados a falar sobre a crise e a sua hipotética resolução tendem sempre a dizer que os políticos e o Estado agora dão menos coisas ao povo, e apelam para que os mesmos políticos e o Estado lhes voltem a dar essas coisas. Essas coisas são principalmente crédito, emprego e mais alguns benefícios.

Aqui está precisamente o maior problema dos portugueses: convenceram-se que são os políticos e o Estado que lhes dão emprego e crédito, assim, em geral. É claro que a crise veio clarificar tudo isto. O Estado dá emprego, sim, mas muito mais do que aquele que é necessário para servir a comunidade. Sem dúvida, tem sido muito mais o Estado a servir-se da comunidade dos contribuintes, do que o contrário. Daí que as contas do Estado ao longo de décadas se tenham tornado deficitárias e hoje são o desastre que se sabe.

Os políticos, do Partido Comunista ao CDS, nunca se importaram de manter os portugueses na fantasia e na ilusão de que são eles e o Estado que lhes dão tudo. Essa ilusão ajuda a ganhar eleições e a eleger deputados: o que mais interessa é garantir tachos aos aparelhos partidários. Nos aparelhos partidários nunca há desemprego.

É este o grande problema dos portugueses: a dependência do Estado e dos políticos em tudo e para tudo. É por isso que os portugueses dificilmente sairão da crise, porque continuam a confiar e a depender daqueles que, irresponsavelmente, os trouxeram para a crise. Os portugueses, na sua generalidade e na sua ingenuidade, nunca se habituaram a ser independentes do Estado e dos políticos.

Com um Estado quase falido, a fantasia e a ilusão continuam.
manuelbras@portugalmail.pt

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A marcha das galinhas 

A União Europeia decidiu agora monitorizar galinhas e ovos. Consequentemente, o preço dos ovos disparou.

Todos temos saudades das galinhas e dos ovos dos bons velhos tempos, criados ao ar livre, no campo, sem hormonas, sem a programação e a monitorização industrial e política.

A União Europeia pretende reduzir, ou mesmo acabar, a produção industrial de ovos, devido às condições de vida das galinhas e às condições em que põem ovos, supostamente desgalinhizantes. Pobres galinhas, que perdem a monitorização industrial, mas ganham a monitorização política. O que será pior?

Já se sabe como é a UE… Já estamos a ver toneladas de regulamentações e directivas para controlar os ovos… e as galinhas.

A UE tem a grande missão de construir a “galinha nova”, uma galinha emancipada dos galos, dos ovos e demais estigmas do passado.

Os galos, pelo seu lado, passarão a ter a marcha do orgulho galo, onde os galos galarão os galos e as galinhas galarão galinhas, como manda a lei, porque assim é que é igualdade.

As galinhas não sabem com quem se meteram…

manuelbras@portugalmail.pt

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2011/12/21

Endividamento e declínio demográfico 

Público 2011-12-19 João Carlos Espada
O estatismo é um poderoso factor adicional de uma cultura de dependência e desperdício, de gratificação imediata


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A época natalícia deveria poder trazer algum bom senso e alguma serenidade aos debates sobre o euro. Os líderes franceses precisam sobretudo de alguma serenidade, depois dos ataques públicos do primeiro-ministro, ministro das Finanças e governador do Banco de França ao estado da economia britânica.

Talvez o espírito do Natal cristão pudesse apaziguar o nacionalismo gaulês e inspirar uma reflexão mais alargada sobre o estado das nossas sociedades ocidentais. Em vez de uma guerrilha de palavras contra o endividamento da economia britânica, talvez pudéssemos reflectir sobre as origens do endividamento de todas as nossas economias ocidentais, e não só europeias.

Nesta perspectiva mais alargada, o endividamento ocidental sugere a existência de problemas culturais mais fundos do que as políticas deste ou daquele Governo, desta ou daquela moeda. E remete incontornavelmente para outra variável ainda mais preocupante: o declínio demográfico europeu.

Endividamento e declínio demográfico sugerem a existência de uma sociedade cansada, envelhecida, sem ambição de longo prazo, sem horizonte de aspirações para além da geração presente. A redução dos horizontes geracionais é um incentivo poderoso à lógica da gratificação imediata, em contraste com a gratificação diferida.

A gratificação diferida - que esteve na base da civilização europeia - gera poupança e investimento. O horizonte da poupança e do investimento foi sempre intergeracional: a motivação de cada geração começa na melhoria da sua própria condição, como observou Adam Smith, mas estende-se às gerações vindouras. A família heterossexual monogâmica emerge espontaneamente - e não como produto de desígnio político - como sede da racionalidade da poupança e do investimento, como sede de solidariedade espontânea entre gerações.

Sem família, sem geração seguinte na qual projectar o esforço voluntário de poupança e investimento, o horizonte dos indivíduos reduz-se à gratificação imediata. A poupança cede gradualmente lugar ao consumo, o investimento é substituído pelo endividamento. A gratificação imediata é distintiva da chamada multidão solitária.

Este é sem dúvida um ingrediente cultural incontornável da crise de endividamento ocidental. Ele alimenta, e é alimentado por um outro ingrediente crucial, de natureza política, mas também cultural: o crescimento do Estado e da despesa pública, talvez o facto político mais saliente do século XX europeu.

O estatismo é um poderoso factor adicional de uma cultura de dependência e desperdício, de gratificação imediata. Desprovido dos incentivos da propriedade privada, bem como da informação fornecida pelas escolhas dos consumidores em regime de concorrência, o estatismo é, literalmente, um buraco sem fundo. Basicamente, ele gera despesa e endividamento. Por outras palavras, o estatismo é um poderoso multiplicador da lógica da gratificação imediata.

Num ambiente cultural ambicioso e empreendedor, seria de esperar uma espécie de indignação espontânea contra o despesismo estatal, contra os elevados níveis de impostos e de despesa pública, contra a centralização das decisões políticas, sobretudo contra transferências adicionais dos centros de decisão política para entidades distantes e não controláveis pelos contribuintes.

Tudo isto seria de esperar numa sociedade jovem e com horizonte intergeracional. Mas, numa sociedade envelhecida e cansada, a escassa esperança que resta tende a ser depositada em salvadores. Que algum poder central nos salve, das nossas dívidas, do nosso cansaço, do nosso aborrecimento.

Não é esse, todavia, o espírito do Natal cristão que nesta época celebramos. Possa ele ajudar-nos a redescobrir o valor da pessoa e da sua consciência, da sua liberdade e da sua inesgotável criatividade espontânea, dos seus horizontes intergeracionais. Bom Natal.

Professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa; titular da cátedra European Parliament/Bronislaw Geremek in European Civilization no Colégio da Europa, Campus de Natolin, Varsóvia

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2011/12/19

Preparar o terreno pós-euro 

Alguns países europeus, dentro e fora da zona euro, já começaram a preparar-se para o cenário de abandono de alguns países e mesmo para a derrocada do euro.

Como já aqui dissémos, se o euro acabar, tal não acontecerá de um dia para o outro. O sistema será abandonado pouco a pouco, um após outro país, podendo até alguns países resistir durante mais tempo. Não tem que ser um fim rápido e apocalíptico. O mais provável é que seja progressivo, lento, permitindo até que os países abandonem o sistema com o tempo necessário para abraçarem serenamente uma nova moeda, sem tumultos desnecessários.

Poderá quebrar, mas demorará o seu tempo.

http://online.wsj.com/article/SB10001424052970203413304577084483874422516.html?mod=WSJ_hp_us_mostpop_read



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Vaclav Havel (1936-2011) 



Dissidente, combatente, presidente e, ultimamente, nenhuma destas coisas: simplesmente um homem comum, que nunca deixou de o ser.

Para além, e até antes, de ser um político, com uma estatura intelectual e moral muito longe daqueles que por cá conhecemos, Vaclav Havel foi um homem de ideias, um homem da filosofia política, que combateu por ideais, e por eles arriscou a pele, sem medo de não ser promovido no emprego ou no partido, sem medo até de que lhe fossem confiscados os bens familiares e pessoais, quando muitos outros contemporâneos e conterrâneos seus tiveram medo. Como sempre e em todo o lado.

Vaclav Havel fica para a História da República Checa, e - porque não? - também da Eslováquia, por ser um homem que enfrentou sem medo o regime comunista, por ser um combatente pela liberdade no seu país e, por tabela, noutros países da Europa. Pelo menos a República Checa deve a sua liberdade e independência a Vaclav Havel.

Fazem hoje falta nas Nações europeias homens, políticos, com a estatura de Vaclav Havel. Convenhamos que Havel não tirou a República Checa do domínio dos sovietes de Moscovo para a entregar aos sovietes de Bruxelas, Estrasburgo e, pelos vistos, Berlim.

http://online.wsj.com/article/SB10001424052970204791104577106050343546794.html?mod=WSJEurope_hpp_LEFTTopStories




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O multiculturalismo está de parabéns 


No passado dia 13 de Dezembro tivémos mais uma exibição de multiculturalismo em Liege, no coração da UE, pelas mãos de um senhor chamado Nordine Amrani, um nome tipicamente belga.

Temendo que os belgas se pudessem aborrecer um bocadinho com tal exibição, e pretendendo evitar tal desproporcionada indignação - o Sr. Amrani nem era capitalista - o garrido PM belga logo estabeleceu que o ataque com granadas e armas de fogo do Sr. Amrani, que matou 5 pessoas e feriu cerca de 120, não era terrorismo. Pois é, se isto não é terrorismo, o que será o terrorismo?

Em conversa com um amigo, questionava se um dia destes não se lembraria alguém de realizar um ataque semelhante, não terrorista evidentemente, à Comissão Europeia ou ao Parlamento Europeu, que ficam ali bem perto. Mas a resposta deixou bem claro como eu estava a ver mal as coisas:

- Nem pensar! Então eles vão atacar os aliados?

Para mais pormenores:

http://www.huffingtonpost.co.uk/2011/12/15/liege-gunman-nordine-amrani-gabriel-olivia-leblonk_n_1150646.html


http://uk.ibtimes.com/articles/266881/20111214/picture-nordine-amrani-liege-market-killer.htm




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