2012/10/01
A culpa é do capitalismo
Etiquetas: Capitalismo, Impostos, socialismo, União Europeia
2012/07/16
Cuidado, Alerta !!!
É verdade que o sistema económico-social soviético ruiu, o muro de Berlim foi derrubado (não caiu) e as nações europeias a leste foram libertadas das ditaduras comunistas, dessas que o PC queria em 1975 impor em Portugal, mas não conseguiu.
Daí para cá, em Portugal, o PC perdeu garra, eleitores e deputados. Mas conseguiu aguentar-se numa posição ainda com poder e controla ainda muita coisas no Estado e nos sindicatos. O suficiente para fazer barulho e exigências utópicas, agarrados à cartilha marxista que ainda resta na Constituição de 1976. Se ao PC juntarmos os primos do Bloco e franjas mais radicais do PS, podemos sem grande dificuldade encontrar 20% do eleitorado, ou mais.
Mas é claro que com a derrocada do socialismo soviético, há pouco mais de 20 anos, a luta de classes, a sociedade sem classes e a reforma agrária foram por água abaixo, esta última com a prestimosa ajuda da PAC rebentou com a agricultura portuguesa.
Mas a verdade é que nem os comunistas nem o PC desapareceram em Portugal. Têm-se aguentado, o que significa que ainda estão longe de ser politicamente derrotados. Em grande medida porque é a "direita" (PSD e CDS) que não se quer dar ao trabalho de os derrotar. Mas também porque o socialismo nas duas últimas décadas deixou de lado a construção da economia socialista, limitando-se apenas, ora a pactuar com o capitalismo, que diz combater, ora a dizer mal do sistema capitalista, sem poder apresentar nada como alternativa, pois a verdade é que, pactuando mais ou menos com o capitalismo, o estado socialista depende do capitalismo e dos capitalistas para se alimentar (impostos, taxas, taxinhas...de pessoas singulares, famílias, empresas, sector privado).
Onde o socialismo apostou nas duas últimas décadas (PS, PC e Bloco) foi na engenharia social: promoção do aborto, do divórcio, da homossexualidade, da queda da natalidade, com todas as suas consequências destrutivas, sempre com a justificação da "igualdade". E foi aqui que muitas cabecinhas débeis da "direita" não lhes souberam sair a terreiro, permitindo que eles impusessem a sua agenda radical. Os efeitos negativos desta agenda serão muito piores que os da actual crise económica.
Mas, ainda assim, talvez a situação actual ou futura de alguns bancos dê ao Estado o pretexto para estatizar os bancos que operam em Portugal, passando-se daí para uma ainda maior estatização da economia e para um verdadeiro assalto à propriedade privada como sucedeu no PREC.
Como o Estado são aqueles que lá estão, e muitos são da esquerda totalitária, a caça à propriedade privada (dinheiro e bens) pode voltar. Ponham-se a pau.
Cuidado, alerta !!!
manuelbras@portugalmail.pt
Etiquetas: Capitalismo, Em Defesa da Vida, Impostos, PREC, socialismo, Universidade Livre
2011/11/12
Fim do socialismo – 1ª parte
Podemos indagar e discutir as razões da queda de um regime que, no dia anterior, jurava durar para sempre, e talvez sejam várias. Mas, mais importante que isso é questionar a tremenda analogia existente entre a defunta URSS e a UE. A UE está podre, mas todos os políticos agarrados ao sistema garantem que está de boa saúde.
Afinal de contas falta fazer cair a 2ª parte do socialismo, na Europa Ocidental. Será Merckel a perestroika, ou devemos esperar outra?
A UE já tem a troika, só falta a perestroika.
E, tal como aconteceu com a defunta URSS e nações satélites, quando um sistema socialista, mesmo que seja a diesel, é derrubado, o mundo não acaba, a vida continua, com mais liberdade e independência.
Portanto, se acabar o euro e a UE, nem que seja só para alguns países, já sabem... não vale a pena chorar.
The 20th anniversary of the fall of the USSR offers an opportunity both to remember and to look ahead. The reasons for the USSR’s collapse are many, ranging from its mania for top-down economic control, to its oppression of its own people, to its efforts to hold an empire in Eastern Europe and Central Asia, to the courage and leadership of Russian dissidents and Western leaders. But standing above all of these causes was a truth that Ronald Reagan recognized clearly: while the Soviet Union looked strong, it was in reality weak. If the West stood up to it, and forced it to confront its own inability to feed and listen to its people, the flaws inherent in its tyrannical regime would be revealed.
The truth of Reagan’s vision became apparent in 1991. Since then, we have witnessed other tyrannies, seemingly solid, collapse in a matter of days: the sudden failure of the dictatorships of North Africa is only the most recent evidence that these regimes have no enduring strength. But in spite of this, the United States and the West are today enduring another of their periodic moments of concern about their future and worries about decline. The anniversary of the fall of the USSR gives us reason to look back at this triumph for American and Western leadership, and for the now-free peoples of the former Soviet Union. But it also gives us an opportunity to look at the victories of 1991 that have not yet been secured, and which are under threat as the U.S. pursues its ‘reset’ policy with Russia that is back-sliding rapidly into autocracy.
http://www.heritage.org/Events/2011/11/Fall-of-the-USSR
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2011/10/25
O Estado Social e o capitalismo
Pois é, o Estado social nunca precisou para nada do capitalismo. Os bancos portugueses, como o BCP, o BPI, o BES, nunca financiaram com um tostão o Estado social. E muito menos a falida Grécia, que também tem um grande Estado social. Dito de outra forma, os Estados português e grego não devem um tusto aos bancos, já se vê. Ao ponto da Frau Merckel pretender perdoar cerca de metade da dívida grega, que eles bem merecem.
O Estado social nunca precisou, nem precisa, para nada do capitalismo. O capitalismo morreu.
Agora o Estado social já pode ir para casa descansado.
manuelbras@portugalmail.pt
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2011/03/10
Um presente para o PC

O PC faz 90 anos. Temos que lhes dar um presente.
Não, não os vamos chagar com a derrocada da saudosa União Soviética e do “socialismo científico”. Porque aí eles vão dizer que o que falhou foi a prática, mas a teoria está certa, o que, além de transformar a “via para o socialismo” numa matéria de tentativa e erro, nos obriga a argumentar que se a teoria está certa, porque é que não previu os erros da prática e as limitações humanas? A URSS caiu sozinha. Os americanos nem precisaram de dar um tiro.
Vinte anos após a derrocada do muro de Berlim e do socialismo soviético, de que o PC tanto gostava e gosta, o PC consegue resistir com um rating entre 7 a 10%, não obstante considerar que sai sempre vitorioso em qualquer eleição. Isso, a juntar a outro tanto dos primos trotskistas do BE, torna Portugal um caso de estudo patológico no mundo ocidental, no que toca à confiança do eleitorado na extrema-esquerda. Talvez seja por isso que Portugal é um país pobre e não poderá deixar do o ser. Quem quiser viver livre do controle e do aperto do Estado social – do qual muita esquerda vive à conta –, trabalhar e fazer coisas a sério, emigra.
Passados 20 anos sobre a derrocada do comunismo na União Soviética, os marxistas estão mais animados e ganharam mais coragem, de tão deprimidos que estavam, com o advento da crise financeira e económica em 2008, que, segundo eles, é o desmoronamento do capitalismo.
Ora, aqui é que está o erro.
Em primeiro lugar porque o capitalismo não é um regime ou sistema político, mas económico, baseado na economia de mercado livre, em que o Estado tem uma intervenção mínima e reguladora. Em segundo, porque o sistema económico capitalista, que é muito menos rígido e mais flexível que o socialismo, consegue adaptar-se muito melhor, sem rupturas violentas, às inescapáveis crises que periodicamente assolam as economias e finanças.
Em terceiro, porque capitalistas são todos os regimes. A diferença é que no socialismo só há um único e grande capitalista: o Estado. Por isso, quando este cai, cai tudo.
Foi também por isso que, quando o comunismo se derrubou a si próprio, em 1989, milhares de russos, ucranianos, romenos, moldavos, emigraram para o ocidente com fome à procura de trabalho e de pão. Isto também os camaradas do PC já esqueceram, tal como esqueceram as atrocidades do Estaline, o homem que mandou matar mais comunistas em toda a História.
Se o capitalismo está assim tanto em crise, porque é que os americanos não emigram para a Europa à procura de melhor vida, que só o Estado social pode dar? Pois é…
Para terminar, uma dedicatória ao PC vinda dos camaradas do Laos, esse paraíso na terra que quase não se ouve falar, para se ver como no comunismo há liberdade
http://www.asianews.it/news-en/11-Christians-arrested-in-Laos-for-celebrating-Christmas,-3-remain-in-custody-20477.html
http://barnabasfund.org/US/News/Archives/Laotian-Christians-arrested-at-gunpoint.html
manuelbras@portugalmail.pt
Etiquetas: Capitalismo, O mundo não é perfeito
2010/07/12
Vítimas e reféns do medo
A recente utilização da posição privilegiada do Estado português na PT para impedir a Telefónica de concretizar o seu negócio em nome dos interesses estratégicos nacionais desencadeou a possibilidade de um debate necessário na política portuguesa, susceptível de ser dirigido contra a esquerda, mas que, curiosamente, ou não, a esquerda se apoderou de forma unilateral, dado que o PSD e o CDS resolveram, mais uma vez, acobardar-se e não entrar na luta ideológica.
Em vez de ser o CDS e o PSD a acusar o PS e a esquerda de se comportarem como donos do Estado, que efectivamente são, e de pretenderem utilizar esse poder para controlar a economia, com o álibi dos interesses nacionais – então, e os interesses nacionais das empresas portuguesas que faliram ou que foram compradas por operadores estrangeiros, desde as pescas aos têxteis e à agricultura, desde a distribuição alimentar à indústria, durante os anos de consulado socialista? – é o PS que vem acusar o PSD de perfilhar a ideologia “neoliberal”. Mas como, se o PSD está calado que nem um rato? Certamente com medo que lhes chamem fascistas.
Teve piada ver o PS e Sócrates acusarem o PSD, referindo-se à ida de Passos Coelho a Madrid, de se ajoelhar diante dos interesses espanhóis. Esqueceram-se rapidamente do TGV para Madrid… Se o Passos Coelho fosse ter com o Zapatero, a conversa era outra…
Mas as contradições de Sócrates não ficam por aqui: ao accionar a golden share para impedir o negócio com a Telefónica contrariou o espírito do Tratado de Lisboa pelo qual tanto se bateu. Que autoridade tem ele para dizer que a Comissão Europeia é ultraliberal, quando foi ele um dos principais partidários do Tratado de Lisboa? Mais: se a PT é estratégica para os interesses nacionais, porque não o são também a GALP, a EDP, a REN, em que o Estado vai prescindir de golden shares? Isto é absolutamente irracional e incoerente.
Seria bom que o PSD não tivesse medo de acusar o PS de querer continuar a alimentar um Estado cada vez mais deficitário e falido, totalitário e parasita, eufemisticamente designado por “social” e “providência”, que sorve os recursos de quem trabalha e produz, esse sim, para pôr ao serviço de uma ideologia que deifica o Estado, ou seja, da esquerda.
Mas não. Em vez do PSD fazer um combate político e ideológico pela limitação dos poderes do Estado e pela redução do seu dirigismo na economia, na educação e na saúde, permitindo que a sociedade civil progressivamente assuma essas funções com liberdade e responsabilidade, limitou-se, pela voz do seu líder em Madrid, a dizer que era um partido social-democrata, que não era nada neoliberal. Como se ser neoliberal fosse algum crime e o Estado social, que tem empobrecido o País e enfrenta um défice galopante pela sua própria sede totalitária de poder, tivesse alguma moral ou autoridade para acusar a economia de mercado, que tem as suas inegáveis limitações, dado que não existem sistemas económicos perfeitos.
A esquerda explora cinicamente no povo português o medo de mudar do Estado social para um Estado mínimo, menos controlador, não socialista. Assim, Portugal vai permanecer dependente do Estado que o empobrece e parasita com impostos e taxas cada vez mais elevados.
Enquanto o Estado social existir, ainda por cima cada vez mais deficitário, não vale a pena pensar em prosperidade e melhores rendimentos, porque isso, simplesmente, não é possível. Nesta altura do campeonato, Estado social significa cada vez mais pobreza.
Nenhum país prospera com uma barbaridade de taxas e impostos, nem enriquece com subsídios. Talvez alguns possam enriquecer, mas não será certamente a trabalhar.
Um Estado que promete tudo, é um Estado que pode tirar tudo. É precisamente em defesa de Portugal e dos portugueses que Passos Coelho não devia ter medo do rótulo de “neoliberal”.
Qual é o mal?
Um Estado mínimo, ou neoliberal, como eles dizem, só pode meter medo aqueles que se perpetuam no poder graças aos votos comprados pela ilusão e dependência de subsídios a uma faixa significativa da população portuguesa, que julga que é assim que prospera e se aproxima de melhores níveis de vida. Puro engano. É o medo de mudar a situação que não os deixa sair da “cepa torta”.
O Estado “social” ou “providência” está cada vez mais insustentável e não vai durar sempre, por muito que a esquerda berre. Cairá, com certeza, como caiu o Estado soviético, que também era “social” ou “providência”, quando os seus partidários garantiam que era inexpugnável.
Podem berrar contra o capitalismo e a economia de mercado, que, por ser um sistema mais flexível e versátil, é o que melhor se adapta às inevitáveis crises e as supera.
Muito pior é um Estado, ou seja um punhado de homens que lá estão metidos na organização, ter tudo nas suas mãos. Porque aí o selvagem é o Estado.
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2010/07/01
Porque é Portugal um país pobre?
O texto que se segue, resultado do estudo de uma experiência realizada em 1931, explica cabalmente porque é Portugal um país pobre e empobrecido, porque não existem países socialistas ricos, porque existem países a empobrecer, como a França e o Reino Unido, e o porquê da crise do Estado social.
Aquilo que um professor de economia retirou de uma experiência académica, nós não conseguimos aprender ao fim de quase 40 anos de política.
Uma experiência socialista... em 1931
Um professor de economia da Universidade Texas Tech disse que raramente chumbava um aluno, mas tinha chumbado, uma vez, uma turma inteira.
Esta turma em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e "justo".
O professor então disse, "Ok, vamos fazer uma experiência socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos as vossas notas dos exames."
Todas as notas seriam concedidas com base na média da turma e, portanto seriam "justas".
Isto quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém chumbaria.
Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia 20 valores...
Logo que a média dos primeiros exames foi calculada, todos receberam 12 valores.
Quem estudou com dedicação ficou indignado, pois achou que merecia mais, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado!
Quando o segundo teste foi aplicado, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma.
Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que também eles se deviam aproveitar da media das notas.
Portanto, agindo contra os seus princípios, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos.
Resultado: a segunda média dos testes foi 10.
Ninguém gostou.
Depois do terceiro teste, a média geral foi um 5.
As notas nunca mais voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, procura de culpados epalavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela turma.
A exigência de 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e sentimentos de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma.
No fim de contas, ninguém queria estudar para beneficiar os outros.
Portanto, todos os alunos chumbaram...
Para sua total surpresa.
O professor explicou que a experiência socialista tinha falhado porque ela era baseada no menor esforço possível da parte de seus participantes.
Preguiça e mágoas foi o seu resultado.
Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual a experiência tinha começado.
"Quando a recompensa é grande", disse, o professor, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós.
Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem o seu consentimento para dar a outros que não lutaram por elas, então o fracasso é inevitável."
O pensamento abaixo foi escrito em 1931.
"É impossível levar o pobre à prosperidade através de leis que punem os ricos pela sua prosperidade.
Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa tem de trabalhar recebendo menos.
O governo só pode dar a alguém aquilo que tira de outro alguém.
Quando metade da população descobre de que não precisa de trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.
É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."
Adrian Rogers, 1931
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2010/04/06
Para que servem as crises?
A questão é saber se a crise é epidérmica ou se o que vemos é a ponta de um iceberg. Estamos perante uma simples crise que passa com umas leves reformas ou o que vemos é consequência de outra doença mais profunda, moral e social? Isto é uma gripe ou uma doença grave?
O crescimento da economia mundial em 2009 foi semelhante ao de 1945. Certos regimes acusados de não respeitar os direitos humanos são prestamistas universais. Consta que Manhattan é propriedade de árabes e russos e que Berlim está à venda. Fundos soberanos compram o Ocidente como quem joga ao Monopoly. Na Europa discute-se a manutenção de direitos laborais adquiridos, continua a confiar-se em empregos na função pública para toda a vida e a contar o tempo que falta para a reforma. Noutros lugares do mundo muitas pessoas conseguiram passar a ter uma refeição por dia, enquanto produzem em massa a preços imbatíveis. Países condenados, há décadas, ao fracasso devido ao excesso populacional, como a China, a Índia e o Brasil, são hoje as locomotivas do mundo, enquanto os ocidentais se permitem o luxo de atirar pela retrete do aborto milhões de seres humanos, mantendo crescimentos próximos de zero.
É frequente ouvirmos políticos e comentadores atribuir a crise à ganância de uns quantos agentes económicos e financeiros que pretenderam enriquecer rapidamente. Outros, além disso, acrescentam com não menos verdade que no Ocidente se tem vivido acima das possibilidades à custa da concessão fácil de crédito ao consumo com o consequente endividamento.
Análise suficiente para identificar aspectos morais da crise e concluir que a crise tem razões e motivações morais, como não podia deixar de ser, uma vez que toda a acção humana, pelo facto de o ser, é necessariamente moral, seja isolada ou enquadrada numa complexa sociedade.
Já Ortega avisava que as crises sacodem periodicamente a árvore para que caiam os frutos podres.
Uma vez identificada a matriz moral da crise, que até os políticos admitem, logo se apressam a desenhar o perfil de cidadão que precisam para sair do buraco: gente sóbria, solidária e responsável.
Sobriedade, solidariedade e responsabilidade, três qualidades ou virtudes chave para sair daqui.
A questão é saber onde se faz gente assim. Em que mercado se compra a sobriedade? Onde está cotada a solidariedade? Qual o preço da responsabilidade? Os media, os livros, os programas escolares, as cátedras universitárias formam gente com este perfil? Obviamente não. Não há mercado para estes bens.
Este perfil forma-se na família, a instituição que certa modernidade despreza como obsoleta. Porquê a família? Porque a família está fora da economia. A família não está submetida a critérios de eficiência ou êxito imediato, a curto prazo. Na família os bens trocam-se gratuitamente, não há cotações, as pessoas e as suas relações são valores estáveis.
Adaptado de www.unav.es/nt (Reyes Calderón)
manuelbras@portugalmail.pt
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2009/05/04
O Exame dos Empregos Verdes
Todos sabemos como é a propaganda. De vez em quando lá aparece uma panaceia para todos os males. Depois, estuda-se, examina-se e afinal…
Pois é, com os empregos verdes parece estar a acontecer isso. Há até quem diga que são a solução para a crise. Serão mesmo?
O melhor é examinar.
Eis algumas contribuições:
Andrew P. Morriss
University of Illinois College of Law; PERC - Property and Environment Research Center; George Mason University - Mercatus Center
William T. Bogart
York College of Pennsylvania
Andrew Dorchak
Case Western Reserve University Law Library
Roger E. Meiners
University of Texas at Arlington
March 11, 2009
U Illinois Law & Economics Research Paper No. LE09-007
Abstract:
A group of studies, rapidly gaining popularity, promise that a massive program of government mandates, subsidies, and forced technological interventions will reward the nation with an economy brimming with green jobs. Not only will these jobs allegedly improve the environment, but they will pay well, be very interesting, and foster unionization. These claims are built on 7 myths about economics, forecasting, and technology. Our team of researchers from universities across the nation surveyed this green jobs literature, analyzed its assumptions, and found that the special interest groups promoting the idea of green jobs have embedded dubious assumptions and techniques within their analyses. We found that the prescribed undertaking would lead to restructuring and possibly impoverishing our society. Therefore, our citizens deserve careful analysis and informed public debate about these assumptions and resulting recommendations before our nation can move forward towards a more eco-friendly nation. To do so, we need to expose these myths so that we can see the facts more clearly.
http://ecotretas.blogspot.com/2009/03/os-mitos-e-os-factos-dos-empregos.html
La negra realidad de los empleos verdes
Publicado el 27-03-09 , por Gabriel Calzada
España se ha convertido en los últimos años en el ejemplo mundial en materia de creación de empleos verdes relacionados con las energías renovables. Ya lo dijo Obama poco antes de su toma de posesión: «piensen en lo que está pasando en España».
El presidente norteamericano aseguró, en medio de una de las mayores crisis económicas de la historia reciente y que más trabajos se está llevando por delante, que las energías renovables «pueden crear millones de empleos adicionales e industrias completamente nuevas».
A quienes proponen generar empleos mediante energías verdes se les suele olvidar un pequeño detalle. Resulta que a día de hoy las principales formas de producción renovable necesitan enormes subvenciones para existir. De hecho, en lo que va de década, el dinero público entregado o comprometido por el Gobierno español en dar un empujoncito a las renovables se acerca a los 30.000 millones de euros. Con esa lluvia de millones que cae permanentemente sobre la industria renovable nadie se extrañará si generan empleo. La cuestión es a qué coste.
Lo importante, como diría el gran economista francés Frederic Bastiat, no es sólo el empleo que se ve sino, también, el que no se ve o, más bien, el que ya no se podrá ver. Cuando el Gobierno decide gastar el dinero del contribuyente en molinos eólicos o placas solares, en lugar de dejar que cada uno lo gaste en lo que quiera, veremos aparecer muchos empleos verdes, pero el coste será el resultado de otras actividades productivas que no llegarán a tener lugar y los empleos que no se crearán debido a la acción gubernamental.
Subvenciones
De acuerdo con las estimaciones europeas acerca de los empleos necesarios para mantener los megavatios renovables de potencia instalados en España (tanto directos como indirectos), cada empleo verde que el gobierno ha ayudado a crear ha requerido más de medio millón de euros en subvenciones. ¡Así cualquiera crea un empleo!
Desde ahora mismo me postulo para crear puestos verdes, azules o amarillos si el Gobierno me da un millón de euros por cada pareja de empleos que cree. Realmente no importará para qué les contrate, porque con ese dinero podría pagarles un sueldo superior al salario mínimo durante más años que la vida laboral de esos empleados. Así que a lo mejor se nos ocurre que una buena forma emplear su fuerza laboral es que produzcan energía tirando de un molino.
Si por un momento nos planteamos cuántos empleos se hubiesen creado en el resto de la economía (aquella que no está tan verde como para necesitar subvenciones) con esa suma de dinero, el resultado serán los empleos que han dejado de existir por el empeño en subvencionar una fuente de energía que aún no es eficiente.
Pues bien, en España resulta que por cada empleo que el Gobierno trata de crear con subvenciones, se destruyen, como mínimo, 2,2 empleos en el conjunto de la economía. Esta es la oscura realidad de los tan cacareados empleos verdes.
Y digo como mínimo porque ese cálculo no tiene en cuenta las deslocalizaciones que los elevados costes de las energías renovables están provocando y provocarán sobre las industrias intensivas en energía (al estar obligadas a comprar a un precio de pool en el que se incluyen las costosísimas renovables), ni los empleos que hubiese generado en la economía el capital que ha fluido hacia las renovables por el simple hecho de que aquí se encontraban las subvenciones.
A la luz de estos datos, los famosos empleos verdes son un camelo del discurso políticamente correcto. Estamos ante un esquema de redistribución de rentas a través del cual unos pocos se forran a costa del ciudadano de a pie. Hasta hoy, sindicatos y ecologistas son cómplices de este saqueo retrógrado.
Los primeros, ya se sabe, no representan a los trabajadores en paro cuyo empleo hubiese existido de no ser por los puestos de trabajo verdes. Sin embargo, deberían ir preocupándose por los empleos que se están deslocalizando por culpa de la elevada factura eléctrica que suponen estas fuentes de electricidad tan de moda.
Los segundos aceptan participar en este atraco a los que menos tienen para dárselo a unos pocos privilegiados porque están más interesados en acabar con las formas de producción energéticas de mercado (objetivo fundamental de su religión verde) que en el bienestar de las capas menos adineradas de la sociedad española.
El progreso económico, la creación de empleo y la más elemental noción de justicia deberían hacernos replantear la conveniencia del apoyo público a los empleos verdes.

(-->)
http://www.heritage.org/press/events/ev050409c.cfm
manuelbras@portugalmail.pt
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2009/04/02
Capitalismo e Moral
Tem-se discutido, com alguma razão, o futuro do sistema capitalista e da globalização face à actual crise do sistema financeiro e económico. Fala-se na necessidade de regulação. Mais regulação, pretendem alguns. Mas, será que não existe regulação? Então, porque é que a regulação não regulou? Será possível gerar um sistema de regulação perfeito, imparcial e sem falhas? E quem é que regula os reguladores?
São questões difíceis ou até, talvez, impossíveis de responder, que rapidamente deslizam para a casuística e para o atoleiro jurídico.
A tentativa de precisar alguns termos pode lançar alguma luz sobre a realidade, da qual não devemos prescindir sob pena de cair na utopia, que dá resultados muito piores que a pior das realidades.
O primeiro termo a precisar é “globalização”, que não deve ser mais do que a extensão da economia de mercado e do sistema capitalista a um número crescente de países do mundo, entre os quais se destacam a China, a Índia, a Rússia e outros países que abandonaram a economia marxista. A globalização não é um regime político, não é um corpo de ideias, não é uma ideologia. O que não significa que não exista uma ideologia que, criticando a globalização, se pretenda servir desse processo para se instalar, ganhar poder e condicionar, assim, a vida de muitos países. Mas isso é próprio das ideologias, é preciso contar com isso e defender-nos disso. Nessa perspectiva, podemos apontar, pelo menos, 3 globalizações, porque três entendimentos, mais ou menos inconciliáveis, de homem, de vida, de civilização e de mundo.
Outro conceito a precisar é o de capitalismo, que não é um sistema político, nem uma ideologia, nem uma moral, mas sim um sistema económico que assenta na propriedade privada (nos direitos de propriedade), na economia de livre mercado e no investimento de capitais. O capitalismo não é um regime político, nem uma ideologia, nem uma moral: tudo isso já existe antes e cumpre a sua função. Desgraçados de nós se estivéssemos à espera do capitalismo para distinguir o bem do mal. Não, os princípios da ética e da moral já existem e são intangíveis e inalcançáveis pelo capitalismo, ou qualquer outra doutrina económica.
É por isso que não devemos culpar o sistema capitalista pela crise em que mergulhámos no ano passado. Até porque, ao contrário das expectativas do marxismo em relação à economia socialista, os “capitalistas” já sabem que o sistema não é perfeito, tal como os homens não são perfeitos, e, portanto, de quando em quando as crises aí estão. Ao contrário do marxismo, o capitalismo assenta e pressupõe o homem comum, aquele que existe na realidade.
Igualmente, ao contrário do marxismo, o capitalismo, por não ser um sistema rígido, é flexível e adapta-se às circunstâncias e à realidade, e não o contrário. Por isso sobrevive, também nos países que tiveram no passado uma economia colectivizada e que, graças à “globalização” adoptaram um sistema capitalista.
O capitalismo não é uma ética, nem uma moral, per se. O capitalismo submete-se aos princípios da ética e da moral, como qualquer outra actividade ou sistema, e não é, obviamente, origem ou raiz de uma nova ética para além da essência humana.
Temos que encontrar, isso sim, a raiz da crise, no que ela tem de ético, nos actos e na responsabilidade pessoal, no perfil de pessoas que se têm formado nas escolas, nas universidades, nas famílias e não culpem o capitalismo por isso.
Todos os sistemas se tornam desonestos e decadentes quando uma parte crítica daqueles que os habitam são desonestos e decadentes.
De resto, já se sabe há muito que o mal só existe no íntimo de cada homem.
Nem a globalização, nem o capitalismo, em si mesmos, têm a importância que a ideologia lhes atribui.
manuelbras@portugalmail.pt
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2008/11/06
Resultados do Capitalismo Selvagem
A recente falência do banco BPN (assim como a confusão que houve à volta do BCP) vem mostrar (mais uma vez) duas coisas que são fulcrais na explicação do descalabro em que estamos mergulhados há mais de 30 anos (embora atenuado numa 1.ª fase com as esmolas de C.E.):
1 - a enorme “preocupação/competência” daqueles que tinham obrigação de defender os interesses da Nação, e como tal, fiscalizar/regular o normal funcionamento da banca (e de outros serviços), ou seja, o Banco de Portugal neste caso, que mostrou com esta situação, não estar à altura da sua missão.
2 - a “preocupação” dos governantes em responsabilizar a administração, se necessário, criminalmente, nomeadamente para servir de exemplo aos outros.
O que estará por detrás desta benevolente atitude para quem deve ser responsabilizado por esta situação de imparidade de 700 milhões de euros e forte risco de incumprimento de obrigações, em vez de ser o pequeno, o fraco contribuinte a tapar as democráticas incompetências dos outros?
Tal só será possível com um governo nacionalista e de direita, que não pactue com o capitalismo selvagem ou o socialismo, os quais só vivem à custa da exploração do Ser Humano!
Não lhe parece que temos que mudar de políticas e de políticos?
A Bem da Nação.
M. Lima
Etiquetas: Capitalismo, Miguel Lima, socialismo
2008/10/30
Pergunta da semana

Manuel Brás
Por causa da crise financeira em curso num mundo que, recusando o socialismo e a sua economia planificada, adoptou o capitalismo e a economia de mercado como sistema económico ao longo dos últimos 20 anos – no fundo, foi isto que se globalizou, com uma criação de riqueza em muitas sociedades e países nunca antes vista – surgem agora todas as utopias sociais a tentar a sua sorte, à boleia das eleições americanas, que abrem caminho a todo o tipo de delírios, a culpar o presidente Bush pela mesma crise.
O homem esteve 7 anos em funções com a economia em alta, que até permitiu o luxo do petróleo chegar a $150 por barril – com os Chavez e Ahmadinejads sem saberem de onde lhes vem o dinheiro –, como no último ano houve uma crise, logo a culpa é dele e de mais ninguém, como se os detentores de cargos políticos na América dominassem a economia e as finanças das empresas.
As razões profundas da sanha dos media europeus contra George W. Bush, e os candidatos republicanos em geral, não tem nada a ver com a economia, nem sequer com a invasão do Iraque, apesar de, pessoalmente, pensar que foi um passo errado.
As razões profundas dos dois pesos e duas medidas que vemos na cobertura das eleições americanas, de forma facciosa a favor do socialista Obama, tem a ver com as diferenças de visão de vida, de homem e de mundo que estão por trás das duas candidaturas, portanto, com diferenças ideológicas.
A sanha contra George W. Bush deve-se ao facto de, durante os seus mandatos, ter adoptado políticas de restrição da prática do aborto, de restrição da utilização de embriões humanos para investigação “científica”, de ter recusado as imposições decorrentes do Protocolo de Quioto – que muitos dos assinantes, provavelmente, nem vão cumprir, como Portugal –, de ter recusado equiparar uniões homossexuais ao casamento, enfim, por ter recusado entrar na lógica do igualitarismo radical e do ambientalismo misantropo. Estas são as razões que o tornaram odiado aos olhos da opinião publicada.
Se Bush fosse da Internacional Socialista, há que tempos que a invasão do Iraque estava justificada.
A crise económica é só mais um pretexto. Se Bush é o culpado da crise por ter deixado a economia funcionar, então porque é que a União Europeia, onde a economia é muito mais controlada pelo Estado, também está em crise? Não devia estar.
Como explicar o ressurgimento económico dos “países de leste”, incluindo a Rússia, que abraçaram o sistema capitalista, as privatizações e a economia de mercado, depois de terem ido ao chão e à miséria, de forma irreversível, devido a décadas de “socialismo científico”? Se o controle estatal fosse bom para a economia hoje ainda viviam no modelo económico socialista. Se o marxismo prestasse para alguma coisa, o capitalismo já o teria comprado.
Porque é que quando a economia corre bem o mérito é da esquerda e do socialismo, e quando corre mal a culpa é da direita e do conservadorismo?
manuelbras@portugalmail.pt
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2008/09/30
O mundo não é perfeito(II)
Perante a perplexidade e a aparente contradição, como justificar a eventual intervenção do estado americano – caso se chegue a acordo para tal no Congresso – para debelar a crise financeira num sistema que preconiza o Estado reduzido ao mínimo e indispensável?
A resposta está aí: é pelo facto da intervenção do Estado ter sido mínima na economia e finanças, em especial durante os últimos anos, que, perante a crise actual, pode ser indispensável. Faliram alguns bancos e seguradoras, mas o Estado não faliu. O espanto vem da excepção do Estado intervir pontualmente por uma real necessidade para a sociedade civil. O Estado actuou quando foi preciso.
O princípio é que aquilo que a sociedade civil pode fazer, seja na economia, nas finanças, na educação ou na saúde, não deve o Estado fazer. O Estado mínimo tem uma função supletiva, subsidiária, de regulação, fiscalização e emergência, de correcção de injustiças e promoção do bem comum. E não, por exemplo, como pretende a UE, ditar o que se deve e não deve comer nas escolas, a pretexto da obesidade, e outras coisas do género, pelas quais se vê o que é o Estado a querer dirigir tudo.
Nesta perspectiva, o Estado mínimo não tem que, nem deve, subsidiar empresas financeiras em falência, e ainda menos se voltadas para actividades especulativas, a quem os negócios correram mal após anos a correrem bem. Pelos vistos não é possível os negócios especulativos e lucros crescerem contínua e indefinidamente. São as limitações do sistema que não podemos escamotear. Quem investe de forma duvidosa e/ou com risco tem que assumir as responsabilidades.
Porém, dado que os clientes de seguradoras e outras empresas de prestação de serviços são contribuintes que pagam os seus impostos ao Estado, este tem o dever de os ressarcir em caso de falência ou incumprimento. É a função social do Estado, perante contribuintes que doutra forma seriam lesados. Investir em seguros não é o mesmo que investir em especulações e capitais de risco. O Estado não tem que socorrer empresas ou bancos falidos, mas tem que acudir em favor dos clientes-contribuintes. O Estado não lhes está a dar nada que eles já não lhe tenham dado primeiro. Parece ser esta a cautela que o governo americano tem em mente ao pretender disponibilizar os famosos 700 mil milhões de dólares.
Não parece haver, desta forma, qualquer violação do princípio do Estado mínimo, que intervêm apenas quando os desequilíbrios do mercado o justificam.
Dentro da sua justeza, esta medida do governo americano pode ter as seguintes consequências nefastas, que teimam em repetir-se na História:
1. Aumento de impostos: as despesas estatais são financiadas por impostos e o seu aumento conduz ao aumento de impostos, o que reduz a criação de trabalho, de poupança e de investimento
2. Redução de incentivos: os gastos sociais frequentemente desencorajam a produtividade ao subsidiar o desemprego, a inactividade e obtenção de rendimentos sociais a troco de nada
3. Deslocamento: cada unidade monetária gasta a mais pelos políticos é uma unidade a menos que é atribuída às forças do mercado e do sector privado, que é mais produtivo
4. Ineficiência: os programas governamentais são menos eficientes que os do sector privado.
Ao contrário do que sucede com o sector privado, os desmandos do despesismo estatal resolvem-se arbitrariamente rectificando o orçamento e cobrando mais impostos.
Os defensores do controle estatal da economia – e de tudo o resto – não têm qualquer autoridade moral para condenar a iniciativa privada nem o capitalismo.
Por duas razões: porque em Portugal o Estado é propriedade privada da esquerda, porque é o Estado que vive à custa do sector privado e não o contrário e porque aqueles que condenam o capitalismo e a iniciativa privada são, muitas vezes, aqueles que vivem à custa de subsídios e dinheiros estatais e nunca tiveram que dirigir nem assumir responsabilidades no sector privado. Assim, é fácil.
manuelbras@portugalmail.pt
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2008/09/29
O mundo não é perfeito
Questionam-se alguns espíritos sobre a validade dos princípios da economia de mercado, do sistema capitalista, da primazia e anterioridade da iniciativa privada sobre o Estado. Interrogam-se, no fundo, sobre a consistência de alguns princípios básicos do conservadorismo.
Não há razão para isso. Há muito mais razões para questionar a economia socialista, o estatalismo, a propriedade colectiva dos meios de produção, loucuras que levaram, não a uma grande crise, mas à derrocada total, sem sobrevivência, do sistema económico socialista – marxista – que vigorou em alguns países durante décadas. É claro que isto não se pode dizer em voz alta porque é preciso branquear a tela de fundo do PC e do BdE, não vá alguém pensar, devido às suas simpatias e ligações com regimes totalitários, que nunca foram devidamente julgados a par doutros, que essas forças políticas mereciam ser ilegalizadas por isso. Mas adiante.
Quem achar que o capitalismo não é sistema e que é preciso voltar ao socialismo, à estatização da economia e da propriedade, que veja os resultados das estatizações de empresas em Portugal durante o PREC e o que daí resultou de prejuízo para o País ou no que deu a Reforma Agrária: foi tão boa que hoje não temos agricultura.
O sistema capitalista tem fraquezas? Com certeza. E o socialismo ainda tem mais. O Estado português, em concreto, não é pessoa de bem: deve imenso e durante muito tempo a fornecedores, especialmente do sector da saúde, gozando arbitrariamente de privilégios que não concede aos seus devedores. Há mais razões para desconfiar do Estado socialista que da iniciativa privada e da economia de mercado, porque consegue esconder e ampliar as fraquezas e vícios das primeiras.
Quem quiser julgar o capitalismo, verá como nos últimos anos têm fugido imensos americanos para a Rússia, a Venezuela, a Bolívia, Cuba, Irão e outros paraísos que tais, em busca de melhor vida.
Porque é que a economia socialista ruiu e a capitalista não? Porque o capitalismo, apesar de não ser um sistema perfeito – não existe nenhum – é aquele que mais e melhor se adequa à realidade da condição humana, é mais refractário às utopias, é o mais flexível e adaptável às novas circunstâncias e, nessa medida, o que mais e melhor sobrevive, se regenera e corrige.
É em boa medida, por isso, que o sistema económico dos EUA sobrevive há mais de 230 anos, enquanto a URSS e outros sistemas socialistas ruíram ao fim de algumas décadas de manutenção forçada.
Quem é que tem saudades?
manuelbras@portugalmail.pt
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2007/07/23
Marxismo para ricos
Entretanto, a realidade, que tendo elasticidade, não é completamente elástica, não aguentou mais a utopia e impôs-se. O resultado está à vista: o sistema soviético, o marxismo, o socialismo “científico” faliram. Pelo menos na economia. Quanto ao resto, talvez não.
Seja como for, o marxismo sempre destilou ódio contra os ricos, o que quer que se entenda por isso.
Após uns 10 ou 15 anos de travessia no deserto, sem poder fazer frente ao capitalismo – o grande papão da globalização – eis que desponta de novo o colectivismo travestido de verde, querendo impor, à força de decretos, restrições às indústrias, ao mercado, ao próprio Homem, muitas vezes impossíveis de cumprir sem danos irreparáveis, como sucede com o Protocolo de Quioto, que muito poucos dos seus assinantes vão cumprir (nem esses!) e que é cada vez mais uma utopia morta.
Não tenho nada contra a racionalização energética. Bem pelo contrário. Aquilo que se pode fazer com 1 Watt de energia renovável, não se faz com petróleo. O Ocidente tem todo o interesse em tornar-se energeticamente independente do Médio Oriente, dos Ahmadinejad’s, dos Chavez e dos Morales e mandá-los pastar. E esse intento está a ser perseguido e prosseguido. Mas, não sejamos utópicos: demorará alguns anos. Vinte, trinta? Veremos.
Porém, o que realisticamente se pode fazer é cada país ocidental reduzir progressivamente a utilização de petróleo na medida em que puder, sem pôr em causa a sua prosperidade e a sua sobrevivência.
Outra coisa completamente diferente é a tentativa de regular de forma estatal e autoritária a indústria e o mercado a pretexto de umas supostas variações climáticas catastróficas, prontas para atacar a qualquer momento, como se da vingança de um ser inteligente e obscuro se tratasse.
Curiosamente, perante esta “ameaça” – juram eles que assim é – alguns ricos aceitam submeter-se à ditadura e às arbitrariedades dos profetas climáticos, a um colectivismo verde, como sempre baseado no medo e no pânico. Surgem, de repente, do alto das suas fortunas e dos seus excessos, grandes preocupações éticas. Má consciência? Problema deles!
Hoje, qualquer actor ou vedeta mediática, como Schwartzenegger, Di Caprio, Cameron Diaz; Bono, entre outros, sem esquecer o inefável Gore, é doutor em ciências climáticas. Qualquer jornalista, político, sapateiro ou barbeiro, sabe mais sobre o clima, e tem muito mais certezas, que aqueles que se dedicam a estudá-lo profissionalmente.
Confunde-se – propositadamente? – ambiente e poluição com clima, quando a maior parte do volume de poluição nada tem a ver com o clima: chuvas ácidas, metais pesados, descargas em rios, lagos e mares, pesticidas, excesso de adubos, lixos variados, camada de ozono.
Só muito residualmente alguns gases com efeito de estufa podem, eventualmente, contribuir para variações climáticas. As suspeitas recaem sobretudo sobre o CO2, o metano, óxido de azoto e CFC.
Porém, todos estes gases são produzidos naturalmente e só uma pequena parte – cerca de 6% - do total das suas emissões (em conjunto) é produzido pela indústria e demais “actividades humanas”. Quanto vale a contribuição desta pequena fracção para as variações climáticas? Não é fácil de determinar e provavelmente ninguém sabe dizer com certeza, mas as estimativas existentes – e corrigíveis – apontam para os 2% no máximo.
E as emissões naturais? As variações da actividade solar? A dinâmica das massas de ar e suas variações? Os raios cósmicos? Não têm influência nenhuma nas variações climáticas?
A utopia da sociedade sem classes foi substituída pelo fixismo climático. Como se estivesse nas mãos do Homem fazer com que o clima seja fixo, quando nunca o foi. E é à força destas utopias que as “vedetas globais”, que têm contas astronómicas de electricidade, passam a vida a viajar em carros topo de gama e correm este mundo e o outro de avião, com um “carbon footprint” invejável, querem impor o colectivismo verde aos outros.
Dizem que é moda. É verdade. A moda é efémera.
Daqui a 20 anos, provavelmente, já ninguém fala disto.
Tal como hoje ninguém fala do terror dos anos 60 e 70: a “explosão demográfica”.
Manuel Brás
manuelbras@portugalmail.pt
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2006/10/17
Dar voz…
Ao “nacionalismo de Salazar”
Da “Introdução geral aos quatro primeiros Volumes” da obra “Portugal como problema”, introduzidos, coordenados e comentados pelo Prof. Doutor Pedro Calafate, citamos as seguintes passagens relativas ao “nacionalismo de Salazar” e às fontes principais da sua formação doutrinária e do seu pensamento político. A citação integra-se no breve panorama prévio, elaborado por Pedro Calafate, do que poderíamos chamar, sem qualquer abuso, a formação e evolução do nacionalismo português, desde o séc. V ao séc. XX (pág. 43 e 44).*António da Cruz Rodrigues (A.C.R.)
*Edição conjunta do “Público” e “Fundação Luso-Americana”; introdução e organização editorial de Pedro Calafate, Lisboa, Setembro de 2006.
(…)
Mudando de ângulo e depois da análise do conceito de hispanismo em António Sardinha, muito na linha da ideia de civilização ibérica pensada por Oliveira Martins, daremos também voz ao nacionalismo de Salazar que procurou encontrar um rosto para Portugal, colado ao que pensava ser a sua alma, rural e católica. Inimigo da neutralidade do estado perante a questão religiosa, que considerava só por si um sofisma, desde cedo se ancorou na escolástica de feição tomista, eleita por Leão XIII ao estatuto de doutrina da igreja, a qual, por isso, mas também por opção própria, permaneceu como a sua verdade. Conduziu o país guardando como ideário os princípios básicos do personalismo cristão, tal como os interpretou, os quais, a seu ver, não encontravam terreno fértil para se afirmarem no quadro das políticas de desenvolvimento do capitalismo liberal, nem nas correspondentes tendências para a massificação consumista e para as grandes concentrações urbanas. A sua preocupação, sobretudo nas primeiras décadas desse longo consulado, era mais a estabilidade do que o desenvolvimento sem termo, mais o valor intrínseco do trabalho como escola de formação moral do que a produtividade acelerada, mais o homem do que a acumulação ad infinitum do seu produto.
A estabilidade por que ambicionava era, em certo sentido, herdeira da concepção de paz, tal como a teorizaram os filósofos cristãos, nomeadamente São Tomás: paz no estado pela obediência ao poder e pelo cumprimento dos deveres de cada um, paz no trabalho pela diluição dos antagonismos dos grupos profissionais e pelo reconhecimento da noção moral de utilidade dos bens criados – pelo menos em termos doutrinais. Em última instância, a «paz na terra dada aos homens de boa vontade» não tinha apenas uma componente exterior ou meramente política e social, tinha uma forte componente ética, pois era a imagem da paz que o homem alcançaria pelo seu encontro com Deus, uma imagem ténue da paz eterna que se realiza pela harmonia interior da pessoa e pela intervenção do poder temporal ao nível das acções exteriores de cada um.
Para Salazar a riqueza, entendida como condição prática de valor inestimável, não estava ao serviço do gozo, não deveria ser a riqueza-egoísmo, mas sim a riqueza-sacrifício e dedicação. Por seu turno, o poder não era um meio de realização de interesses mas o exercício de uma função sagrada, que várias vezes referiu encarar «como um sacrifício». Da confluência de todos estes princípios nascia a «verdade portuguesa» e a «lusitanidade exemplar»11 que nem sempre conseguiu resistir ao confronto com a complexidade do mundo e com as tensões e polaridades da história. Aliás, voltaremos no final deste volume IV à mensagem de Salazar, pela pena do seu último ministro dos negócios estrangeiros, Franco Nogueira, através do seu Juízo Final (1992), onde traça uma perspectiva das encruzilhadas de Portugal nos últimos decénios do século XX.
(…)
________________________________
11 Eduardo Lourenço, o Labirinto da Saudade, Lisboa, 1982, p. 30
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2006/06/05
Totalitarismo, partido único, sufrágio universal e nacionalismo (1)
A propósito da monarquia, da burguesia, do capitalismo e seu futuro, do judaísmo, da "grande aliança" ocidental, etc.
É, aliás, uma forma de trazer o nacionalismo para as situações e os problemas concretos, a que tem de responder, como qualquer doutrina social que se preze.
Se dissermos, por exemplo, que o nacionalismo não tem necessariamente nada a ver com totalitarismo, estamos a ir contra um dos equívocos mais arreigados a respeito da doutrina e da praxis nacionalista e dos que mais as têm desfigurado e desacreditado.
Os nacionalismos mais mediatizados do séc. XX, o fascismo italiano e o nazismo alemão, proclamaram-se de facto como totalitários e isso ficou a inquinar à partida todo e qualquer outro nacionalismo, novo ou velho, que se proponha ao juízo da opinião pública, pouco dada, quase sempre, à reflexão crítica.
Claro que muitos nacionalistas, em pessoa, são eles próprios basto culpados da situação, por nunca combaterem este reflexo condicionado da opinião pública. Não sei se por não gostarem de falar do assunto, envenenado por velhas confusões lançadas e alimentadas por gente interessada em desacreditar o nacionalismo; ou se não falam por não estarem eles próprios esclarecidos nem quererem esclarecer-se, acomodados numa preguiça mental própria dos doutrinados acríticos, de convicções envelhecidas e já com pouca vida.
É demasiado grave a acusação de ser totalitário feita ao nacionalismo, para não a enfrentarmos com o máximo de rigor e decisão.
Qualquer totalitarismo seria, de facto, incompatível com a essência de qualquer nação, mesmo sendo esta reconhecido valor supremo na ordem natural.
Compreende-se assim o totalitarismo daqueles dois regimes nacionalistas europeus do séc. XX, ainda que no caso do regime italiano o seu pretenso totalitarismo tenha sido decidida e conscientemente limitado pelo seu pragmatismo.
No plano teórico – propagandístico, porém, os dois regimes eram de facto totalitários.
E não podiam deixar de sê-lo porque, teoricamente, nenhum deles reconhecia valores naturais ou sobrenaturais acima dos valores da nação.
Não é o caso do nacionalismo português.
Informada e esculpida desde sempre segundo um “projecto” assente em valores cristãos, a nação portuguesa torna incompreensível qualquer nacionalismo a ela respeitante que não viva também desses valores, mesmo que muitos dos nacionalistas seus praticantes não sejam praticantes de religião cristã alguma.
Porque o nacionalismo português nada tem a ver com um nacionalismo confessional.
Se os pretensos “nacionalistas” de obediência germânica quisessem ser reconhecidos como nacionalistas portugueses, estariam apenas a tentar o absurdo.
É que a nação “portuguesa” deles já não seria, não é a verdadeira nação dos portugueses, mas outra qualquer, existente ou nascida apenas nas cabeças deles.
Poderemos dormir tranquilos, nunca abalarão a solidez e alicerces profundos do Portugal dos Portugueses.
A.C.R.
(continua)
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2006/05/26
Não passará o capitalismo senão de
“Um parêntesis” na História do Ocidente?
Claro que, em qualquer caso, é já um longuíssimo parêntese, mil a mil e duzentos anos desde que surgiu nos séc. IX e X , até ao seu pleno desenvolvimento no fim do séc. XX.
Sem nada indicar que esteja para acabar, não obstante a frequência com que alguns esquerdistas afirmam que “o capitalismo está a autodestruir-se”.
Claro que, como todos sabem e como é temido por todos, capitalistas e anti-capitalistas, o capitalismo enfrenta dois principais problemas, para os quais não se vêem ainda soluções próximas seguras: o esgotamento dos recursos naturais e a deterioração global do ambiente na Terra.
Note-se que falo do capitalismo burguês, mas aproveitando para lembrar que o capitalismo de Estado da União Soviética e dos outros Estados comunistas, principalmente a China, são todos tão culpados ou mais que o Ocidente e o capitalismo burguês daqueles problemas.
Acresce que é também a burguesia capitalista ocidental que tem sabido melhor limitar quanto possível os estragos que vão conduzindo àquelas situações crescentemente graves.
Mas uma saída para elas ainda não foi encontrada e praticada, a não ser em casos particulares, limitados.
São ou não problemas que deveriam ocupar também os “nacionalistas”?
Possivelmente sentir-se-ão muitos deles desobrigados, face a problemas que julgam não ter criado e por que não se sentem minimamente responsáveis ou nem directamente afectados – sabe-se lá! Para muitos, é tudo culpa de capitalistas (burgueses) e do capitalismo (que estes criaram). E eles não querem nada com um nem com os outros.
Esquecidos ou pura e simplesmente ignorantes de que talvez não haja classe social, no Ocidente destes duzentos anos ou mais, à qual o desenvolvimento do nacionalismo tenha ficado a dever tanto como à burguesia dos Estados-nações todos que os herdaram das monarquias absolutas respectivas.
Francamente, não acredito actualmente senão nesses Estados burgueses e em geral nacionais e mesmo nacionalistas para se entenderem entre si e com os outros Estados mundiais para resolverem o que ainda parece insolúvel, sempre no espírito e termos daquela “Grande Aliança” de facto de que aqui tanto tenho falado.
A.C.R.
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2006/05/17
Ainda sobre o anti-burguesismo de alguns nacionalistas. (4)
Últimos apontamentos, enfim.
As monarquias europeias – fortemente autoritárias e centralizadoras do séc. XIV em diante – foram-se construindo tendo como aliado cada vez mais forte a burguesia emergente desde o séc. XI, contra o poder exclusivo doutras forças sociais, vindas do fundo da Idade Média, isto é, os quadros eclesiais e a aristocracia agrária e militar.
A burguesia e o seu crescente poder efectivo não nasceram, como é geralmente sabido, com a Revolução Francesa e com as revoluções suas epígonas nas últimas décadas de vida dos Antigos Regimes. De facto, a burguesia e o seu poder coexistiam já, desde séculos antes, com o poder das outras forças sociais citadas.
Aquelas revoluções apenas desfizeram, violentamente, o equilíbrio social e político existente até então, em favor duma delas, a burguesia, reforçada na circunstância por interesses novos e ideologias emergentes.
Pode dizer-se que a burguesia ficou então, por toda a parte, sozinha “no terreno”, mas, por isso mesmo, condenada indefinidamente a procurar aliados circunstanciais, ora uns ora outros, cada vez que lhe surgia no horizonte um adversário mais ameaçador, principalmente quando armado duma doutrina ou demagogia empolgante e aliciadora.
Foi o caso do nazismo, militarmente vencido em 1945.
Foi o caso do comunismo marxista-leninista-estalinista, cujas derrotas na Guerra Fria e pelo capitalismo burguês que entretanto eclodiu na URSS, a partir de 1991, e na China, praticamente no mesmo período, puseram fim aos cinquenta anos de piores ameaças à hegemonia burguesa dos últimos dois séculos.
Tanto quanto se pode dizer definitivamente, em matéria de História, o poder burguês dispensa hoje, em definitivo, a monarquia, embora não a hostilize naqueles Estados onde a monarquia tenha raízes próprias, incluindo a Espanha e o Sião (Tailândia).
Para a grandíssima maioria dos restantes Estados, a restauração monárquica é questão arrumada: ou nunca se pôs, sequer, ou aqueles agentes que a põem não têm condições algumas de a impor, porque ela não mobiliza quaisquer interesses ou aliados significativos nas sociedades, isto é, porque pouco ou nada diz aos verdadeiros detentores dos poderes efectivos, a burguesia capitalista, liberal ou não, democrata cristã e social-democrata ou mesmo socializante.
Por quanto tempo continuará a ser assim?
Voltará o ideal monárquico a encontrar por onde penetrar na realidade política dalgum Estado ocidental, como aconteceu em Espanha, mas no rasto duma guerra civil terrível e decisiva?
A burguesia – de que todos mais ou menos hoje somos elementos – conquistou o poder por toda a parte, sem partilha, e acha que não precisa de partilhá-lo seja com quem for.
Quando alguma aliança se lhe impõe ou é aconselhável, prefere fazê-la com quem possua algum poder efectivo junto das massas, capacidade de mobilização, isto é, sobretudo partidos políticos.
A avaliar pelo que se passa, não só em Portugal, por aí é que podem as expectativas gorar-se-lhe.
De tal modo os partidos aparecem em muitos casos feridos de morte e com fraquíssimas expectativas de sobrevivência.
O que irão a burguesia e o capitalismo ter de inventar, depois dos partidos, para sobrevivência do seu poder político organizado e institucional?
Ou será que a queda do muro de Berlim representou efectivamente o “fim da História” e que a burguesia e o capitalismo não têm sequer de voltar a inquietar-se?
A.C.R.
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2006/05/16
Sobre o anti-burguesismo de alguns nacionalistas. (3)
Últimos apontamentos, ou quase.
Na evolução do Ocidente pós-Idade Média e nas origens do Renascimento europeu, encontram-se, entre outros, dois movimentos decisivos: um primeiro, de carácter político, que acaba por impor a monarquia absoluta dos séc. XIV a XVIII, como factor de unidade nacional e árbitro de conflitos de interesses sociais diversos/divergentes; e um segundo movimento, de carácter económico, iniciado nos séc. XI e XII, que culmina, por meados do séc. XV, na formulação do que alguns autores chamam o “capitalismo inicial” ou “primeiro capitalismo”, que não é uma ruptura com o passado mas o culminar de “um dinâmico e constante processo de crescimento medieval”, como sublinham os mesmos autores.
Registem-se algumas etapas dessa evolução.
A revolução comercial e urbana impulsionada pelas Cruzadas.
A extraordinária intensificação da circulação monetária, geradora de muitas situações de forte acumulação capitalista, prelúdio necessário dos grandes investimentos.
E o restabelecimento progressivo da segurança de bens e pessoas, graças ao poder crescente de formas eficazes e concentradas de autoridade real ou de grandes senhores, que completam o quadro das condições necessárias ao desenvolvimento económico, no interior dos estados e entre estados.
Enquanto se verifica substancial aumento da população europeia, sobretudo no séc. XIII, assiste-se, pois, graças à acumulação de capitais, provenientes principalmente de actividades mercantis, a uma extraordinária reactivação económica geral que se manifesta de mil maneiras: alargamento das áreas agrícolas de certos produtos, como cereais; difusão e organização de crescente especialização na agricultura; intensificação da pecuária; incremento da exploração de novas e antigas jazidas de minerais, por toda a Europa, com o fomento correspondente da indústria metalúrgica e o aparecimento dos primeiros altos fornos; aperfeiçoamento geral da indústria têxtil; verdadeiras revoluções sucessivas dos meios de transporte, acima de todos os marítimos; etc., etc.
Tudo isto redunda no crescimento de grandes cidades que são pólos vigorosos de novos e sucessivos impulsos à concentração de riqueza, de desenvolvimento e racionalização do espírito de lucro, de aparecimento gradual de realidades novas, como a formação e consolidação de tentaculares mercados financeiros de amplitude continental, que, com as Descobertas, rapidamente se tornam transcontinentais, a partir da Europa.
Compreende-se como tudo isto requer segurança de pessoas e bens, regulamentação adequada da vida financeira e comercial, estabilidade política e social, ordem nos costumes e na religião, tudo condições de que foram monarquias fortes e consolidadas a melhor garantia.
A.C.R.
(continua)
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