2009/06/12
Declínio Demográfico (II)

Manuel Brás
O alerta que aqui temos lançado sobre as consequências políticas e sociais da imigração islâmica para a Europa, bem como da sua taxa de fertilidade várias vezes superior à europeia, não constitui uma crítica religiosa, nem uma crítica à religião, seja ela qual for.
Até já reconhecemos aqui que podemos considerar a religião, em termos empíricos, como um factor que contribui positivamente para a natalidade, na medida em que, ao contrário do materialismo/ateísmo, vê nos filhos um dom de Deus e vê em Deus a sua esperança. Sem esperança na transcendência que perfura este mundo, não há natalidade. É o que sucede nas sociedades materialistas e sem Deus. A prova está na diferença de natalidade e fertilidade entre as sociedades materialistas/ateias e as sociedades que vivem a religião duma forma vibrante.A justificada apreensão com a imigração e a demografia islâmica tem a ver com as suas consequências políticas e sociais no futuro, isto é, com quem vai efectivamente exercer o poder político em sociedades com populações islâmicas relevantes, para já não falar numa população islâmica maioritária.
Estamos a pensar no que sucede actualmente em países como a França, a Alemanha, a Bélgica, a Holanda, o Reino Unido... O que será daqui a 10, 20, 30 anos? Quem deterá o poder político nessas terras?
É que, segundo reza a tradição, quando uma liderança islâmica se vê em condições impõe a sua lei num determinado território e todos têm que se submeter a essa ordem, sejam islâmicos ou não.É isto que os europeus devem ter presente. As lideranças islâmicas não vão prescindir do exercício do poder civil e político logo que forem capazes disso, como sucede em tantos países.
Será que a Europa se vai tornar num Líbano, num Irão, num Iraque, num Egipto, ou numa Argélia? Será que vamos ter cá Hezbollahs, Hamas, Muslim Brothers...?
manuelbras@portugalmail.pt
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2009/05/13
Declínio Demográfico
Manuel Brás
Embora os políticos que temos governem para o instante que passa e para se manterem o mais que podem no lugar e não mostrem qualquer sensibilidade para o assunto, temos aqui chamado a atenção para o declínio demográfico em curso da Europa durante as últimas décadas.
Este é talvez o facto político mais relevante no presente e para o futuro imediato das nações europeias, Portugal incluído, e para todo o Ocidente.
No meio de tantas previsões, os políticos não se atrevem a prever como será Portugal, a Europa e o Ocidente em 2050, ou seja daqui a 40 anos. E é imprescindível que o façam, porque pode até acontecer que algumas nações europeias nem sequer já existam e o poder pode estar noutras mãos. Afinal de contas, para quê e para quem é que as actuais gerações andam a acumular riqueza, se a continuidade da Europa e da nossa civilização está em perigo?
A miséria demográfica europeia tem culpados: aqueles que mentalizaram os europeus na indiferença e na desvalorização da família e da maternidade, habilmente, de modo a ocupar um lugar atrás de muitas outras coisas no ranking de prioridades na vida.
O ateísmo e a perda do sentido de Deus na vida contribuem para olhar com reservas para a maternidade e a natalidade. Em países onde as convicções religiosas foram abaladas e substituídas pelo ateísmo e pelo materialismo a taxa de fertilidade desceu a pique e hoje estão envelhecidos. Em países onde as convicções religiosas, e em geral a crença em Deus, se mantiveram pujantes as taxas de nascimentos são bem maiores: veja-se o que sucede nos países islâmicos e em África.
A miséria demográfica europeia tem beneficiários: a imigração, especialmente islâmica e de África. Note-se que a imigração não é culpada do declínio demográfico europeu. Não foi por causa dos imigrantes que os europeus deixaram de ter filhos. A culpa está toda no Ocidente, especialmente no ateísmo/materialismo.
O perigo é, com o tempo, a imigração ocupar o vazio de poder deixado por uma Europa envelhecida e em declínio demográfico, ou seja, pela falta de comparência. O perigo é as lideranças islâmicas verificarem que, onde e quando estiverem em condições disso, podem impor a sua lei e o seu regime político na Europa, sem apelo nem agravo. Isso pode acontecer. Algumas nações europeias podem transformar-se numa Turquia, num Irão, numa Argélia, num Egipto, num Iraque, etc…
Isto não é um apelo ou incitação à expulsão dos muçulmanos que hoje vivem na Europa, como pretende interpretar o basismo de raciocínio politicamente correcto.
É um aviso para um perigo existente e sobretudo um impulso vital para se inverter as tendências demográficas europeias, com base na introdução de uma cultura de família e natalidade, que hoje a generalidade dos políticos despreza como sinal de “modernidade”.
O problema é que a “modernidade” nos leva à extinção.
Não venham depois culpar a imigração pelas asneiras que os políticos e governantes de hoje estão a fazer, nem por aquilo que os europeus deviam ter feito e não fizeram.
Quem cá ficar é que manda.
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2009/05/04
O Ocidente e o Resto

Eis mais um interessante livro de Roger Scruton que faz o diagnóstico da situação entre o Ocidente, o Islão, a globalização e o terrorismo.
Em linhas muito gerais e sintéticas, o que podemos esperar do Islão? Na concepção islâmica de sociedade humana não existem níveis autónomos de lei. Não há Deus e César. Só há Deus e uma lei, o Corão.É claro que nos países ocidentais, onde os islâmicos são minoria, sujeitam-se exteriormente à ordem legal vigente, mas para eles só há uma lei. E uma vez em número e com poder suficiente para impor o Corão como lei única, todos se têm que submeter sem qualquer hesitação.
Esse perigo existe no Ocidente: França, Inglaterra, Holanda, Alemanha...
Mas o maior perigo é o vazio moral e cultural que lhe abre a porta, representado por aquilo que Scruton designa como “cultura de repúdio” a que uma parte do Ocidente condena a outra. O Ocidente está dividido contra si mesmo. É este o maior desafio civilizacional dos nossos dias: o inimigo interno, que repudia e destrói as lealdades sociais, as estruturas de pertença e de coesão social: desde a Nação, a identidade nacional, à família.
É o perigo de um Ocidente atomizado e ignorante das suas raízes, da sua História, da sua cultura, cujo vazio tende a ser ocupado por alguma outra coisa.
Um livro que dá muito que pensar e mais que fazer.
manuelbras@portugalmail.pt
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2008/08/06
Meditação sobre a imigração... e não só

Manuel Brás
Eis um excerto dum discurso do ex-Primeiro-Ministro australiano, John Howard, sobre a imigração e uma forma de lidar com esse fenómeno. Transportada para a realidade europeia, a questão não se confina somente ao fenómeno da imigração, em si, especialmente dos fluxos migratórios oriundos de países islâmicos, mas sobretudo à forma como certos políticos e "activistas" perspectivam o assunto e querem fazer os outros perspectivar, como se houvesse uma só forma de lidar politicamente com o assunto, e tivesse que ser a deles.
Para todos a quem possa interessar, aqui fica o pensamento de John Howard sobre o assunto:
"Os imigrantes e os não-australianos, devem adaptar-se: é pegar ou largar!
Estou cansado de saber que esta nação se inquieta ao ofendermos certos indivíduos ou a sua cultura.
Desde os ataques terroristas em Bali, assistimos a uma subida de patriotismo na maioria dos australianos. A nossa cultura está desenvolvida desde há mais de dois séculos de lutas, de habilidade e de vitórias de milhões de homens e mulheres que procuraram a liberdade. A nossa língua oficial é o Inglês; não é o Espanhol, o Libanês, o Árabe, o Chinês, o Japonês, ou qualquer outra língua. Por conseguinte, se desejam fazer parte da nossa sociedade, aprendam a nossa língua!
A maior parte do australianos crê em Deus. Não se trata de uma obrigação, de influência da direita ou pressão política, mas é um facto, porque homens e mulheres fundaram esta nação sobre princípios cristãos, e isso é ensinado oficialmente. É perfeitamente adequado afixá-lo sobre os muros das nossas escolas.
Se Deus vos ofende, sugiro-vos então que encarem outra parte do mundo como o vosso país de acolhimento, porque Deus faz parte da nossa cultura.
Nós aceitaremos as vossas crenças sem fazer perguntas. Tudo o que vos pedimos é que aceitem as nossas e vivam em harmonia e em paz connosco.
ESTE É O NOSSO PAÍS, A NOSSA TERRA, E O NOSSO ESTILO DE VIDA.
E oferecemo-vos a oportunidade de aproveitar tudo isto.
Mas se vocês têm muitas razões de queixa, se estão fartos da nossa bandeira, do nosso compromisso, das nossas crenças cristãs, ou do nosso estilo de vida, incentivo-os fortemente a tirarem partido de uma outra grande liberdade
australiana: o direito de partir.
Se não são felizes aqui, então partam. Não vos forçámos a vir para aqui. Vocês pediram para vir para cá.
Então, aceitem o país que vos aceitou".
manuelbras@portugalmail.pt
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2008/03/10
Um Novo Partido de Direita

Talvez o primeiro, visto nenhum dos existentes se declarar, creio, francamente de Direita.
Chamar-se-á MEP-Movimento Esperança Portugal, mas não se conhece o nome de qualquer aderente, salvo o do seu principal promotor, diz-se que um antigo alto-comissário para a Imigração e Diálogo Cultural, de nome Rui Marques, um homem na casa dos quarenta, a avaliar pela foto publicada estes dias.
Poderá ser a pessoa indicada para a iniciativa, pela idade e pela sua natural formação nas áreas citadas, em que profissionalmente serviu, a da imigração e a do diálogo cultural, áreas em que se põem alguns dos maiores problemas estratégicos a qualquer partido político de Direita.
Parece terem já em curso um movimento de angariação, até ao fim do Verão, das 7500 assinaturas indispensáveis ao reconhecimento oficial da criação e existência do MEP.
Única declaração do Dr. Rui Marques que vejo citada é a de que o novo partido quer posicionar-se entre o PS e o PSD.
Isso seria situar-se nitidamente à esquerda.
Por outro lado, as mesmas notícias asseguram que o MEP “reúne um grupo de personalidades (…) ligadas a movimentos católicos anti-aborto e à chamada direita social (…)”.
Talvez já nos entendamos melhor assim.
Mas não será quase um decalque do CDS-PP?
Mesmo que assim seja, pode isso não resultar apenas em tempo e esforço de todo perdidos, se conseguirem mobilizar nova gente, outras decididas vocações para um trabalho político renovador e de confiança, movidas por inequívocas convicções social-cristãs.
A.C.R.
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2008/02/15
CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL E IMIGRAÇÃO
(<--)
Há quem considere uma lacuna inaceitável não ter até agora considerado o tema nos meus recentes textos sobre a civilização ocidental.
Talvez porque a posição a assumir poderia logicamente deduzir-se dos fundamentos explícitos e implícitos da nossa civilização, da sua natureza e objectivos aqui referidos e sublinhados.
Pensando, porém, melhor tenho de concluir que, a partir exclusivamente daí, nem tudo é assim tão claro para a definição duma política de imigração realista, coerente com os interesses em geral do maior número possível e com os direitos e prerrogativas dos cidadãos e Estados nacionais independentes.
Como princípio geral, compatível com o universalismo da civilização ocidental, parece-me indiscutível que a imigração não pode ser proibida e limitada, por sistema, por meras razões discriminatórias.
Mas o princípio do auto-governo dos povos é direito tão sagrado para o Ocidente e sua civilização como o nosso universalismo.
Isto traduz-se no direito dos Estados à atenção objectiva e activa para tudo o que possa pôr em perigo a sua existência nacional e o desenvolvimento das respectivas nações, como entidades promotoras do progresso e liberdade responsável dos seus cidadãos.
Donde concluo, como tantos outros, que, nesses termos, aos Estados não pode ser recusado o direito de regulamentarem modos e limites da liberdade de imigração dos cidadãos doutros Estados e Países, em nome do interesse e unidade nacional e desde que o não façam em moldes discriminatórios de género, raça e religião, ou dos seus direitos naturais como seres humanos.
A.C.R.
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2007/07/06
Memórias das minhas Aldeias
Esquecimentos da História
Parte VI - N.º 13 - OS PROVINCIANOS ABUNDAM
A descoberta era simples, acentuou sem delongas, simples como a do “ovo de Colombo”, depois de sabida, ou quase tanto.
Porque pô-la em prática tinha óbices diversos, talvez difíceis de vencer.
“Mas não é assim tudo o que vale a pena?” – interrogou-se o cônsul em voz alta, valendo-se do mais batido dos seus recursos oratórios de filosofia acaciana.
Histórias e recursos igualmente um tanto acacianos do autor?..
Diz-se que o bom relacionamento entre o Estado Novo e o “gaullismo” estava por essa altura no seu ponto mais alto, os líderes de ambos entendiam-se maravilhosamente, via embaixadores, em particular o Marcelo Mathias – mas não cegamente, que não seria próprio de um nem do outro – antes com toda a confiança que podiam permitir-se os dois homens mais desconfiados e seguros de si, em todo o Mundo, que havia então na política internacional.
Era nessa convicção que o cônsul “trabalhava” e decididamente apostava, confessava-o ele mesmo.
Rufino sente-se maravilhado de penetrar assim, pela primeira vez, nos segredos e oportunidades da alta política europeia. Admirava-se de ver como o cônsul navegava sem hesitações nem pruridos nessas águas, para si radical novidade e uma alegre surpresa.
O cônsul está visivelmente com as velas enfunadas e isso ajuda o ânimo de Rufino que quer ir rapidamente em frente.
Das conversas que o cônsul teve com os seus superiores, incluindo o embaixador em Paris, ficou-lhe a certeza de que a ideia foi bem acolhida, que tem pernas para andar, se bem explicada e com as necessárias cautelas, primeiro que tudo tirar a todo o processo qualquer contaminação sindicalista ou reivindicativa.
O embaixador ficou até de consultar o Ministério dos Negócios Estrangeiros, talvez mesmo directamente o próprio ministro, que por sua vez não deixaria, com certeza, de levar a ideia ao Presidente do Conselho.
Estas notícias inflamavam Rufino cada vez mais, enquanto ele ia pensando os pormenores de como executar o plano.
Começava a ter dificuldade em controlar a impaciência que crescentemente o ia dominando.
Mas não tardaram a chegar notícias do próprio ministro, de facto. E não só o embaixador consultara o ministro, como este garantia ter falado efectivamente ao Chefe do Governo. E estavam todos de acordo. E não só concordavam como davam conselhos, mandavam orientações, estabeleciam limites, sugeriam cautelas, até palavras de passe…
E mais. Responsabilizavam o cônsul pessoalmente mas autorizavam-no a recrutar o apoiante que sugerira, isto é, Rufino. Por isso o embaixador queria ver ambos, sobretudo para avaliar o homem da ideia, de quem o cônsul, valha a verdade, dizia maravilhas.
O cônsul ficou quase sem respiração quando Rufino lhe disse que já fora seleccionando mentalmente os primeiros imigrantes que pensava convidar para consultas…
Consultas! – exclamou o cônsul, como se gemesse.
Parecera-lhe de súbito ver tudo ir por água abaixo.
“Sim, senhor Cônsul, consultas, lembre-se de que foi o próprio Presidente do Conselho, o senhor Presidente do Conselho, queria dizer, quem achou muito bem essa abordagem que eu e o senhor Cônsul propusemos!”
Desde então o cônsul deixou a Rufino toda a condução do processo. E quando o cônsul levou Rufino ao embaixador para se conhecerem, foi Rufino quem explicou todo o esquema para a acção ao representante de Portugal junto do governo de Paris de França.
Tudo o mais foi tão rápido também, que um ano mais tarde, olhando para trás, da sua nova posição no mundo da imigração portuguesa em França, nem o próprio Rufino tinha facilidade de acreditar que não era apenas um sonho.
O seu salazarismo de raízes profundas e longínquas – na aldeia eram todos salazaristas, a começar pelos pais – o seu salazarismo ganhara pretextos e alimento para crescer esse ano ainda mais, tornando-se árvore de ramos invisíveis mas frondosos, que todos conheciam mas ele nunca exibia.
Também é verdade que deixara de ter problemas de dinheiro. Fora desligado inteiramente do seu trabalho burocrático do consulado, para se dedicar exclusivamente à iniciativa e funcionamento das “associações” de imigrantes portugueses em França.
Ganhava, por mês, aquilo que para ele era uma pequena fortuna, habituado, como estava, à maior austeridade.
Ninguém percebia como o PM consentira num regime tão excepcional, coisa inteiramente fora das suas regras e rigores, para uns de bota de elástico, para muitos outros manifestação, prova suprema do seu génio político de estadista modelador do homem português e da sua História.
A.C.R.
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2007/07/05
Memórias das minhas Aldeias
Esquecimentos da História
Parte VI - N.º 12 - UM PROVINCIANO EM PARIS
Instalado em Paris, ao serviço do nosso consulado, Rufino pôde rapidamente aperceber-se dos problemas que afligiam os imigrantes portugueses, que acorriam em longas filas, ao consulado, com suas grandes e pequenas aflições e que começavam a crescer em números surpreendentes, já deixando prever a enorme colónia que poucos anos depois chegariam a constituir.
Com apenas poucos dias de contactos com “aquela gente”, Rufino lembrou-se do que lhe contara na aldeia um emigrante português no Congo Belga, João Loureiro, bom conhecedor que era, por ter também ouvido contar aos mais antigos, de como, uns cinquenta anos antes, Zé Gomes, de Tourais ou da Lapa, soubera tirar proveito… De quê?... Lembram-se?... Dos problemas dos indochineses que quase só a pulso construíram o caminho-de-ferro do Baixo Congo, para sobre isso Zé Gomes edificar um enorme sucesso e enorme fortuna, como não chegara a conhecer-se outra, nem tão rápida, feita por portugueses em qualquer dos Congos.
De súbito, teve Rufino a certeza de que os imigrantes portugueses do séc. XX não fariam diferença alguma, ou pouca, dos imigrantes indochineses do séc. XIX para o séc. XX; e que, esgaravatando bem, até ofereceriam idênticas oportunidades a um tipo esperto como Zé Gomes … e como Rufino ele próprio, o qual, desde que soubera de Zé Gomes, percebia agora, o deixara instalar-se no seu íntimo como uma espécie de ideal subconsciente.
Tanto assim?
Rufino gostava singularmente da palavra associativismo, cujos ventos e potencialidades o Pe. Quelhas lhe explicara um dia, numa aula de Corporativismo, julgava lembrar-se, do Colégio de Seia. Porque fora numa daquelas aulas em que aprendera tudo o que sabia de política, que não era muito, mas tinha a solidez e perspicácia de quanto nesse domínio ensinava o Pe. Quelhas Bigotte, como era geralmente conhecido e tratado.
Não saberia na altura Rufino dizer porquê, mas o certo é ter sido “associativismo” a palavra que lhe ocorrera ao fazer a descoberta ou ter a intuição dos potenciais da imigração.
Pensando bem, teve-a logo por descoberta providencial.
Como logo também sentiu crescer a sua admiração já grande pelo Pe. Doutor Quelhas.
O associativismo – afigurou-se-lhe imediatamente – era a chave. O problema grande “daquela gente” era a sua incapacidade de associarem-se, de se organizarem em associações que se impusessem aos governos – os de Paris e de Lisboa – mas sobretudo à massa dos franceses comuns propensos a menosprezarem e abusarem dos imigrantes indefesos, na verdade de todos os imigrantes, mas os portugueses, a ele, Rufino, é que doíam a valer.
Convenceu-se pelo menos disso, em poucos minutos.
Mas quem poderia abrir-lhes os olhos e lançá-los na via dum associativismo militante, com grande sentido utilitário?
Talvez houvesse que espevitar-lhes o patriotismo, desde que isso porventura não ofendesse nem alertasse a reacção organizada dos franceses…
Mas, mesmo assim, quem seria o motor?
Porque não ele mesmo Rufino?
Foi falar com o cônsul. Discutiram a ideia. O cônsul achou muito interessante mas alertando para a eventualidade de Lisboa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, claro, pôr dificuldades… De facto, tudo seriam dificuldades, riscos, augurava o cônsul. Como poderiam dourar a pílula?
Não foi logo que Rufino entendeu que talvez as "dificuldades" ficassem muito reduzidas se o “esquema” não representasse trabalho e preocupações suplementares para o cônsul que nascera um tanto cansado.
Mas foi ele a sugerir, isto é, determinar que iriam pensar naquilo uns dias mais e que voltariam a falar, “conspirar” – disseram ambos a brincar, tal era a confiança que, em apenas alguns meses, poucos, o cônsul se habituara a depositar no súbito extra-numerário que a sorte fizera cair no consulado. Um consulado habitualmente conformado com a miséria de recursos humanos, sem rasgo nem iniciativa, da qual Lisboa gostava de ter o exclusivo, como continua a acontecer, ao que dizem observadores apressados, plantados nos seus lugares-comuns de emprenharem pelos ouvidos.
Quando voltaram a falar, o cônsul e o seu extra-numerário…
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2006/06/26
Fobias a mais ou expectativas a menos?
Era, no entanto, interessante que o embaixador considerasse que o leit-motiv dos recentes movimentos migratórios para a Europa Ocidental é a mão-de-obra barata. Pretender que isso nos resolva os desequilíbrios demográficos dos últimos 40 anos será pedir demais e será provavelmente (mais) uma utopia. Porque entre as populações dos países de Leste a natalidade é ainda mais baixa que em Portugal (eles foram bem treinados). Os imigrantes de outras paragens tenderão a imitar o estilo de vida dos indígenas, que levou, precisamente, ao atoleiro em que nos encontramos. Os imigrantes não são a causa nem a solução do nosso declínio demográfico. O problema é nosso. Só nosso.
“A imigração, por grande que seja, não resolverá os nossos problemas demográficos se não criarmos as condições e os incentivos adequados para que aumente a natalidade no nosso próprio país, se não adoptarmos programas eficazes para apoiar as mães, as crianças e as famílias”. Não, não são palavras de nenhum demagogo xenófobo. São palavras do discurso à nação do insuspeito de qualquer fobia, camarada Putin, ex-chefe do ex-KGB, agora FSB, pois que à esquerda se exorcizam os males com uma simples mudança de nome.
Também era bom que o embaixador soubesse que para se ser carimbado com qualquer das modernas fobias basta a dissenção com aquilo que os iluminados estabelecem para os outros aceitarem. A causa do homossexualismo não foge à regra. Cada um pode ter o direito de ser o que muito bem entender, mas isso não obriga os outros a aceitar a estratégia de vitimização da causa, nem a legislação pelo buraco da fechadura visando calar a crítica e a resistência, e muito menos a aceitar que seja tudo a mesma coisa, com as mesmas expectativas e consequências para a sociedade, a ter interesse ou deslumbramento pelo assunto, a aceitar assédios ou molestações. Os supostos direitos de uns não são obrigações dos outros. Ninguém pode obrigar quem quer que seja a aceitar ou a aprovar o homossexualismo. O que se resume ao seguinte: não nos respondam, que nós não perguntamos.
Depois admiramo-nos de ver surgir forças políticas, como sucede na Holanda, a fazer a apologia da pedofilia e da zoofilia.
Primeiro estranha-se, depois entranha-se.
Manuel Brás
manuelbras@portugalmail.pt
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2006/04/20
Prós e Contras: choque de religiões?
Com um painel composto por Fátima Bonifácio, António Barreto, Cardeal Saraiva Martins e João César das Neves, foi um debate histórico que apontou novas tendências do pensamento – desmontando apriorismos – sobre as realidades sociais da actualidade.
Histórico porque, na primeira parte, quase que se viu os ateus defenderem as raízes cristãs, culturais e históricas, da Europa – com certeza sem a pretensão de lhes tirar consequências – , enquanto os cristãos defendiam o contacto e o diálogo com os muçulmanos.
Histórico porque, pela primeira vez em Portugal, a esquerda não dominou a agenda temática nem o rumo do debate. Antes pelo contrário, Fátima Bonifácio e António Barreto mostraram a sua perplexidade e desconcerto quando foram confrontados com a tese de que a grande ameaça à sobrevivência da identidade europeia não vem de fora, está cá dentro. Não é, em primeiro lugar, a imigração, nem a presença muçulmana, mas sim a decadência provocada pelo envelhecimento da população, pelo desprezo da vida humana, nos seus momentos mais frágeis, pelo desprezo da família, tal e como sempre foi conhecida, que mais ameaça a Europa. Dito de outra forma menos simpática: o perigo mais próximo não vem do Islão, vem do ateísmo e do laicismo.
De facto, uma civilização não cai porque outras existem, mais ou menos perto. Cai porque ela própria se autodestrói. É a confirmação do carácter autodestrutivo do ateísmo: contra a vida humana individual, contra a família, por fim, contra a sociedade. Tudo em nome de uma liberdade abstracta, em que não se vislumbra o porquê, nem o para quê.
Eis a prova de que a clivagem civilizacional se verifica entre europeus: o debate só aqueceu quando surgiram as questões relacionadas com a vida e com a família. É aqui que está o choque em primeiro lugar. Uma questão religiosa? Talvez, se admitirmos que o ateísmo é uma religião antireligiosa…
Ficou por dizer que, em muitos países árabes e/ou de maioria islâmica não há liberdade religiosa. Mais precisamente que os cristãos nesses e desses países não têm a liberdade que os muçulmanos gozam na Europa.
Abdul Rahman que o diga.
Manuel Brás
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2006/03/27
Um desafio não só europeu
Porquê? Até na América, dirão alguns, um país que se fez da imigração.
Na legislação e na justificação, tudo nos fala de segurança, do controle dos movimentos migratórios, saber quem entra, o que vem fazer, com objectivos concretos como vedar a entrada ao tráfico de droga – que não existe sem traficantes –, às redes do crime organizado e ao terrorismo.
Quanto aos portugueses do Canadá, e de outros lugares, serão, com certeza, bem vindos à sua Pátria, onde têm as suas raízes, que, seguramente, precisa da sua iniciativa e da capacidade de realizar que já demonstraram pelo mundo fora.
Manuel Brás
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2005/11/08
Au revoir, France?
Ainda é cedo para se vislumbrar todas as consequências, políticas e não só, deste Novembro de 05 em França.Até porque entre os elementos do próprio governo francês se percebem dissidências quanto à forma de actuar perante a situação. Parece que o governo está a ser conduzido pela agenda dos revoltosos, que desde Janeiro já incendiaram mais de 28.000 veículos, um facto, pelos vistos, com pouco interesse mediático. Há alguns até, como Villepin, em confronto com Sarkozy, dispostos a deter-se para reflectir sobre as razões que terão levado a semelhante desfecho. Chegarão à conclusão, como sempre, que a culpa é deles, dos franceses. E desta vez até têm razão.
Não é difícil lá chegar: uma desastrada política de imigração, uma desastrada demografia de envelhecimento e queda de natalidade, nos últimos 35-40 anos, uma crise de identidade cultural e nacional, enfim, todos os ingredientes de um declínio civilizacional em curso, no qual muita Europa adormecida acompanha os franceses.
De pouco servirá à comunicação social uma forçada e eufemística sobriedade nas notícias, fotografias e imagens. O caos já está lançado.
Ressoam proféticos os escritos de Bardèche na sua Défense de L’Occident.
Após 200 anos de fantochada e utopia, o regime lá vai caindo de podre.
Alguns só acreditarão nesse declínio civilizacional quando virem o imã de Paris decretar a sharia.
Para todos os que ficaram estupefactos com o aparente fracasso das forças de segurança americanas perante as consequências do Katrina, entre esses os sempre críticos e sarcásticos franceses, aí têm o furacão Magreb para mostrar o que valem.
Os americanos foram uma vez a França por causa do vento leste. Será que também lá irão agora por causa do vento sul?
Manuel Brás
manuelbras@portugalmail.pt
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2005/10/07
Para a Turquia “O verdadeiro trabalho só agora começou”
Tayyp Erdogan dixit
O nome acima é o do primeiro-ministro turco, que falou em Ancara sobre o desfecho das negociações para a adesão à UE, que tiveram lugar Domingo e Segunda no Luxemburgo. E acrescentou: “O nosso ideal é uma Turquia capaz de assumir o seu lugar entre os países democráticos, livres e desenvolvidos, e a UE é o melhor caminho para o atingir.”O ministro dos Negócios Estrangeiros turco Abdullah Gul, no encerramento da cerimónia simbólica do arranque das negociações de adesão, terá tentado ver ainda mais longe.
“O mundo viu um novo dia em que o Oriente e o Ocidente, a Europa e o Islão vão avançar para uma união em vez de um confronto. É um grande presente que damos ao mundo”, explicou.
Muito menos optimista - não se garante que o mais clarividente, mas acredito que sim - foi o português Durão Barroso, presidente da C.E.
“(A adesão da Turquia) não está nem garantida nem é automática” – observou Durão, para logo lembrar que, além disso, Ancara “terá de ganhar os espíritos e os corações dos cidadãos europeus. São eles que, no fim do percurso, decidirão sobre a adesão”, disse, eventualmente a pensar nos referendos já prometidos aos eleitores em França e na Áustria.
O ainda chanceler Schroeder permitiu-se afirmar no momento que…
“Uma Turquia que mostra que o Islão e os valores das “luzes” podem estar em harmonia representa um enorme progresso em matéria de estabilidade e de segurança, para a Europa e fora dela”.
Não creio que isso seja particularmente tranquilizador para os cidadãos em geral, não predispostos a mostrar-se … visionários.
Eles pensarão que, felizmente, têm ainda dez anos para decidir e que muito possivelmente, nesse tempo todo, imensas coisas virão reforçar os argumentos contrários à adesão pura e simples da Turquia.
A invasão crescente de vários países da U.E. por muçulmanos irredentistas originários de Africa, uns, e da Turquia, muitos outros…
O crescimento demográfico da Turquia ao lado da tendência inversa dos nascimentos na UE, do que resultará – apesar da imigração – tornar-se a Turquia o país com maior população da União, sensivelmente mais que a Alemanha actual…
Os reformados viverão em todos os países da EU bastante pior que ontem…
O natural desenvolvimento económico da Turquia com a sua mão-de-obra barata, ainda que globalmente menos qualificada, passará a ameaçar mais que hoje as actividades económicas europeias concorrentes…
Em suma, o “monstro” ameaçador, que para muitos europeus já hoje é a Turquia, será seguramente muito mais ameaçador daqui a dez anos.
Até porque tudo indica que o PIB comunitário duvidosamente crescerá e porque o desemprego entre os residentes europeus dificilmente será menor que hoje.
Não se vê o que é que a Turquia possa entretanto oferecer aos povos da UE, para compensar este panorama pessimista.
Não será, pode pensar-se, “o grande presente – diz o ministro turco dos Negócios Estrangeiros – que damos (Europa e Islão) ao mundo”, ao “ avançarmos para uma união em vez de um confronto”.
Os Turcos talvez venham a ser, nalguma altura, os maiores interessados numa “parceria privilegiada” em vez da adesão pura e simples.
Uma vitória à Maquiavel?
De quem?
De todos, talvez.
A.C.R.
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2005/09/14
Antes que a Terceira República
Acabe como a Primeira…
O poder local e as eleições autárquicas. (II)
O fracasso foi meu, pessoalmente, e não dessa concepção, que seria então quando muito aparentemente prematura.
Hoje é bem mais claro — mude o sistema político central, ou não mude — que o poder local tem de mudar.
Ou melhor dizendo…
O poder local, para mudar, não pode ficar à espera que o sistema de poder central mude primeiro.
No poder local não é talvez a estrutura que tem de mudar, são antes os objectivos e os temas fortes da sua actuação.
Não vou falar da atenção a dedicar pelo poder local aos problemas da imigração, por exemplo, que então, aquando das minhas candidaturas, eram tabu em eleições locais, salvo num ou noutro caso mais escaldante e sempre a medo.
Fui o único candidato por Lisboa a apresentá-los frontalmente, porque, para todos os demais candidatos, eram esses problemas, pareceu, reservados ao poder central.
Mas surgiram, ou agravaram-se, ou tomou-se consciência entretanto de outros problemas que o poder local também tem de assumir, deixando de tê-los por reservados aos governos.
Cito dois, da minha experiência e conhecimento da situação em concelhos do Interior beirão.
Começo pela questão do insucesso e do abandono escolares.
Daqueles alunos, pois, que não têm aproveitamento, como daqueles que abandonam o estudo por outras razões.
Por falta de apoio suficiente do meio familiar; porque não conseguem “dar-se” com a escola; porque a escola para eles é uma “tristeza”; porque os pais não aguentam os encargos de filhos a fazer que estudam, sem proveito previsível; porque os próprios filhos querem deixar o estudo para procurar emprego, seja qual for; etc.
Que terá o poder local de fazer para ajudar significativamente a diminuir o número destas situações, que conduzem a um grande desperdício de capacidades e valores humanos?
Pensar primeiro e reunir os dados da questão.
Agir depois, talvez sobretudo mobilizando as entidades e forças e recursos adequados.
Outra questão é a dos incêndios florestais.
As Câmaras vão indo à trela de poderes superiores para desempenharem o papel que os governos lhes estão a atribuir, na chamada prevenção dos incêndios.
Tenho por certo que podem e devem continuar por aí, mas também que conseguem trabalhar melhor se também criarem estímulos às associações e empresas de produtores florestais que saibam povoar a floresta de iniciativas e actividades próprias da floresta.
Sendo rendíveis por si ou garantes de bons rendimentos, essas iniciativas e actividades trarão à floresta forte e empenhada presença humana, que é a melhor prevenção contra os incêndios.
Se começarmos já, neste sentido, municípios e produtores florestais poderemos, não digo ressarcir prejuízos de muitos anos, mas adquirir e espalhar a certeza de um futuro completamente diferente e bem melhor, a curto prazo e a custos muito mais baixos do que muito daquilo que inutilmente se tem feito.
E mais.
Muito se terá contribuído para a requalificação do ambiente e para profundamente revalorizarmos o mundo rural.
A.C.R.
Etiquetas: Imigração
2005/04/19
A Formação Profissional ao longo da Vida Inteira
Nesses tempos, só não tinha emprego quem não actualizava, reciclava a sua formação, adaptando-a às transformações tecnológicas; ou quem não tinha formação alguma, permanecendo como trabalhador indiferenciado, papel que a crescente imigração preenchia cada vez melhor.
Hoje também essa formação ao longo da vida inteira, rápida, constante e exigente continua imperativa, mas porque, ao contrário daquela época, o desemprego não cessa de crescer e é preciso munir os ameaçados de desemprego de habilitações sempre mais actualizadas e evoluídas.
Verdade igualmente para os que procuram o primeiro emprego, até licenciados, cujos cursos superiores muitas vezes não lhes proporcionam os complementos mais adequados à luta no concreto dos mercados de trabalho.
São tudo verdades que, em geral, a Europa Ocidental descobriu antes de nós, e que Portugal começou a ter em conta por 1960/62, já a Guerra do Ultramar ia bem acesa, através da criação do Fundo de Desenvolvimento de Mão-de-Obra.
A guerra surda que então lhe moveu o Ministério da Educação já há muito passou à história e hoje os dois sistemas de formação – o do Ministério da Educação (Ensino Técnico Profissional, Escolas Profissionais, Cursos Tecnológicos) e o do Ministério do Trabalho, sobretudo nos últimos três anos, vivem em harmonia e colaborantes, integrados e complementares.
A ponto de poder dizer-se que começa a haver em Portugal dois verdadeiros Ministérios da Educação.
Mas tudo começou em 1960/1962.
E é tão importante que mesmo a Universidade acaba por interessar-se pelo valor e significado do que se fez em Portugal a partir dessa origem distante, através de contingências e vontades decididas, vencendo os “empatas” omnipresentes e as realidades acabando por impor-se.
Sei, pelo menos, de uma tese de doutoramento em preparação sobre como tudo começou e prosseguiu até 1974, com tanta felicidade, aliás, que esses anos do PREC, com a destruição de Ensino Técnico profissional, se não fosse a FP do Ministério das Corporações teríamos ficado em Portugal, em pleno séc. XX, sem formação profissional alguma.
A.C.R.
P.S. Sobre esta matéria, ver ainda este nosso poste de 2005/03/02.
Etiquetas: Ensino, Imigração, PREC
2005/03/29
Nenhum Português poderá esquecer os guardas da PSP assassinados
Esquecer, nestes casos, seria muito pior que ir simplesmente deixando apagar da lembrança.Não esquecer é jurar para connosco que não aceitaremos falhas da Justiça na condenação dos criminosos.
Foram provocações clamorosas à Polícia e aos Tribunais.
Já abundantemente explicámos a nossa posição: porque é que a Polícia e os Tribunais são supostos bastar.
Têm de bastar.
Sem recurso a “soluções” racistas, de exclusão em massa por motivos raciais.
Na blogosfera que temos, já alguém, tentando imaginar que eu já fora tão racista como ele, me acusou há semanas de ter sido responsável por um folheto do PNR em que escrevi, para as eleições autárquicas de 2001, em Lisboa: “Por trás da imigração ilegal e caótica que se tenta impor-nos há, de verdade, uma ameaça de invasão de massas, que nos destruirá a longo prazo (…).”
Respondi ao autor da acusação que a minha frase nada tinha (nem tem) de racista.
Como qualquer pessoa normal percebe, uma coisa é condenar à expulsão, e outras abominações, povos ou comunidades inteiras por pertencerem a esta ou aquela raça (africana, no caso); outra coisa é exigir que sejam devidamente castigados, nos termos das leis, os autores de crimes contra a segurança, ou outros, seja qual for a raça a que pertençam.
O dito autor, muito ancho da sua esperteza, respondeu que não só eu fora responsável pela tal frasezinha, como era também pela frase seguinte do mesmo texto: "Há mesmo bairros em Lisboa onde os polícias já não entram senão fortemente armados. QUEREMOS TORNAR ESSES BAIRROS ZONAS LIBERTADAS".
Percebi que não valia a pena tentar explicar-lhe melhor que não há nada de racista em exigir o cumprimento sem falhas de leis não discriminatórias racialmente; que não há nada de racista em combater e impedir o desenvolvimento de guetos intocáveis de insegurança; e que esse abuso e eventualmente outros têm de ser combatidos por forças policiais de segurança, determinadas e competentes, e por serviços de justiça igualmente competentes e determinados.
Não me contradigo nem contradisse em relação ao que sempre disse nessas matérias.
É naturalmente possível que essa competência e determinação provoquem reacções mais duras dos potenciais criminosos, os quais, sentindo-se cada vez mais acossados, atacam entretanto ainda mais forte.
Deveriam as forças policiais e a Justiça encolher-se, sob o pretexto de que a sua dureza maior provoca ainda maior agressividade dos criminosos?
Pior ainda, e no outro extremo: deveríamos exigir às forças policiais de segurança e à Justiça que passem a actuar por critérios e reflexos racistas?
Seria um contra-senso e um crime.
Um dos Guardas da PSP há dias assassinado na Amadora era, como sabem, Português de origem africana, António Abrantes, natural da freguesia da Sé, na Guarda.
No desempenho das suas responsabilidades, portou-se como os melhores dos seus colegas - aquele que morreu com ele e muitos outros - independentemente da raça, e como o mais arianista e indo-europeu dos Portugueses.
Fê-lo, tudo indica, sem presunções raciais e absolutamente consciente dos enormes riscos que corria.
A.C.R.
Etiquetas: Imigração, racismo e racialismo
2005/03/24
Taste freedom
Os últimos dias 20 têm-nos reservado cada coisa... 20 de Fevereiro foi a desgraça que se viu nas eleições (uns dias antes foi assassinado um polícia na Cova da Moura), 20 de Março viu mais dois polícias serem assassinados, de novo, no concelho da Amadora... Que nos espera o próximo 20 de Abril?Que mal tem isso? Dirão alguns. A culpa é da sociedade...
Pois é... Aí têm o resultado de décadas a culpar a sociedade e a repetir o mito da integração. Não custa nada, – nem sequer a perda de votos – é simpático, cómodo e tudo fica na mesma.
Será desta que o País vai acordar para as nefastas consequências de uma desastrosa (falta de) política de imigração nas últimas décadas? Ou será preciso que mais polícias sejam assassinados?
A criminalidade, que não é uma questão de côr da pele ou de cromossomas, exige uma resposta inequívoca e concertada, em primeiro lugar, dos responsáveis políticos, que são quem manda nas forças policiais. Não acredito que tenham coragem para isso. Preferirão continuar a dar-nos mais integração.
Seria preciso depois preparar e equipar a sério as forças policiais, não só para darem um giro à volta dessas “ilhas do crime”, mas para irem ao miolo buscar os criminosos. Coisa que, provavelmente, só teria êxito com o auxílio e o empenhamento de forças militares. A guerra agora é esta e é assim.
Mas isto, como se vê, dá muito trabalho e chatices. Demasiado trabalho e chatices para que os políticos de serviço achem que vale a pena meter-se em tão árdua tarefa. Até porque a ideologia que domina a cultura e a informação continua a acreditar piamente no bom selvagem e a atirar as culpas para a sociedade que não integra os delinquentes.
Haverá até quem ache que mais vale uns polícias e civis serem assassinados de vez em quando, do que ter um estado securitário. Eles acreditam que os homens, particularmente os delinquentes, nascem com asas nas costas, mas não acreditam que quem não deve não teme.
Haverá quem considere a perseguição ao crime de sangue, e portanto aos criminosos, uma afronta às liberdades individuais, impróprio de um país democrático, ao ponto de pretender desarmar a polícia, como propõe o inefável BE. Presume-se que só para não fazer aumentar o desemprego.
Será que eles alguma vez vão aprender?
O raciocínio deles é cristalino: porque é que os polícias vão para esses bairros? Se não fossem para lá nada lhes acontecia, certo? O segredo do sucesso está em deixar os delinquentes, perdão os jovens, trabalhar à vontade. Condicioná-los é provocar o crime. Daí que a culpa seja da sociedade, em abstracto, e da polícia, em concreto.
E ainda dizem que não há liberdade...
Manuel Brás
Etiquetas: Imigração, Manuel Brás
2005/02/21
As eleições de ontem
Ele não esquecerá, certamente, que os seus 45% de apoiantes têm muito menos peso social, político e funcional que os 36% que, mesmo nas circunstâncias presentes, votaram na coligação PSD e no PP.
E, por isso, uma coisa são os resultados das urnas, outra o indispensável apoio que terá de ter daqueles 36%, que nele não votaram e de que precisará mais para governar durante o seu mandato que dos outros 45%.
Se quiser ter sucesso, é esses 36% que terá agora em grande parte de convencer e conquistar, motor que são do desenvolvimento do País. Porque (não vão as suas equipas esquecê-lo), a sua vitória de ontem - e foi grande - não o mandatou para uma revolução contra essa importantíssima e larguíssima parte da sociedade (a oportunidade dos PREC passou definitivamente), mas para governar sobretudo convencendo/mobilizando e dentro dos limites das leis que não poderá alterar, como das leis que terá de alterar.
Parece-me, aliás, que é esse o seu espírito, como de importantes colaboradores seus, e por isso estou tranquilo, como julgo que está a larga maioria dos “derrotados” de ontem.
Outro sinal positivo dos resultados das legislativas (talvez relacionado com o primeiro) é não terem abalado a determinação de Santana Lopes em manter-se à frente do PSD.
Se conseguir também não se deixar abalar dentro do próprio partido, até ao Congresso, terá mais tarde ou mais cedo garantidas as condições para a vitória de um dia, que poderá ser ainda este ano, ou em 2006 ou em 2009.
Se Santana também não esquecer que José Sócrates conquistou agora a categoria de adversário de respeito; e que ele, Santana, vai precisar de persistir na mobilização das abstenções, cuja taxa continuou muito alta.
Vou terminar com um pequeno enigma: a da grande constância da votação no PNR, em praticamente todos os círculos, sempre à volta de 0,16 por cento.
Como já antes o davam a entender as grandes expectativas mobilizadoras expressas pela “fn–frente nacional”, terá sido ela que assegurou tão admirável regularidade?
Sendo assim, ter-se-ia o Partido deixado invadir completamente pelos racistas da fn, mesmo que em baixíssima escala?
Como grosso dos votantes terá o Partido passado a contar com os miúdos de 18/20 anos, campo privilegiado de recrutamento da fn?
O enigma tem ainda outro aspecto, esse sem dúvida tranquilizador.
E é que o efeito da propaganda contra a imigração africana não foi maior nos distritos apresentados como mais “ameaçados” por ela do que noutro qualquer círculo eleitoral.
António da Cruz Rodrigues
Etiquetas: Imigração, racismo e racialismo
2005/02/07
Ao Causa Nacional de 04, sob o título “A ignorância persistente do Dr. A.C.R.
Mas ele, sem dúvida, está de cabeça perdida comigo, a avaliar pelo seu artigo.
Não sei se FA é um ignorante ou um sábio, pois o seu texto não é concludente, pelo menos quanto à primeira alternativa.
O que posso asseverar é que não sabe ler.
E como não sabe ler, não percebeu que nunca questionei ou me referi a qualquer discriminação ou “não discriminação das entradas no espaço europeu”, ao contrário do que sem vergonha afirma.
Como o Direito europeu e o nacional, o que não admito, nem qualquer homem de espírito são admite, são discriminações à imigração por motivos racistas (declarados ou disfarçados).
Não percebe a diferença?
Não abunda por aí – entre os seus adjuntos, claro – a inteligência mais elementar, pois não?
(Apesar dos atrevimentos sem fim.)
É por isso que todas as invectivas que me dirige, pretendendo-as insultuosas, não chegam a sê-lo. Não passam de frutos de erros seus de leituras e entendimentos.
As condições ou limitações postas à imigração podem ser todas legítimas se estabelecidas por leis positivas nacionais/comunitárias; as discriminações raciais/racistas é que não, por implicarem outra ordem de coisas, a do Direito Natural e dos Direitos Humanos, como também sempre defendi.
Tudo tão simples como isto.
Perfeitamente compreensível para mentes não distorcidas.
Tenha, pois, serenidade e seriedade!
Não sei que deu aos fn(r)* que perderam mesmo a cabeça desde que defendi como imperativo europeu e nacional “Salvar a África!”
Tornei-me agora o inimigo a abater, sem piedade, de uns tantos?
Se me conhecessem melhor, saberiam que já enfrentei inimigos bem mais poderosos e bem mais espertos, pelo que os métodos a empregar comigo terão de ser menos grosseiros.
Faz-lhes assim tanta sombra a África?
Que complexos de lá trouxeram alguns que de lá retornaram?
Isso não se cura?
Se o forte das teorias racistas anti-imigração africana é a distinção entre colonos e imigrantes (no sentido que lhes dais), bem podem (podeis) “limpar as mãos à parede”.
Se, por outro lado, a vossa esperança está na frente de partidos nacional-racistas europeus que, segundo vós, há-de um dia ganhar o poder em toda a Europa, é difícil perceber em que é isso vos anima assim tanto, pois que os partidos tais, que, até agora, têm chegado a governar, logo se desfazem dessa carga ideológica de racismo e xenofobia.
Não é só renegarem-se, penso eu.
Se não for nada de melhor, é pelo menos também um tardio bom senso e realismo.
Aprendam a tempo, fn(r) portugueses, para não terem mais tarde ou mais cedo de ser ou parecer traidores às vossas “convicções”.
Ainda que troca-tintas como esses partidos possam ter alguma justificação, quando mudam para mais sãs “convicções”…
*Adesivos da frente nacional racista
António da Cruz Rodrigues
P.S. Todo o textozinho de Fernando Alba é aliás uma sucessão de “convicções”, mas também de anacronismos. Bastará exemplificar quanto a estes (que as outras já estão largamente documentadas) bastará exemplificar, repito, com a abertura, em que me considera “exilado” na Beira, creio que por passar aqui uma boa parte dos meus dias. Estou em Lisboa, apenas a 300 Kms de Seia, o que não é nada e me permite ligações instantâneas às minhas actividades de Lisboa e da Beira. Fernando Alba julga-se e julga-nos ainda na 1ª metade do séc. XX, talvez no séc. XIX?... F.A. seria então, ele próprio, um vivo anacronismo… morto.
A.C.R.
Etiquetas: Imigração, racismo e racialismo
2005/01/31
Resposta a Álvaro Fernandes - “Causa Nacional”
Agradeço os apoios e as críticas do seu artigo de 28 último.
Quanto à imigração – uma vez que considera impossível “a opção zero” – então eu diria que estamos muito mais próximos do que parecerá, como poderá ver no que sobre ela tenho falado desde há muito tempo e ultimamente (ver, por exemplo, aqui e aqui). Uma coisa não podemos aceitar: é que, seja qual for a política nacional sobre imigração, ela seja inspirada por motivos e discriminações racistas.
António da Cruz Rodrigues
Etiquetas: Imigração, racismo e racialismo









