2011/08/05
Atentados à vida humana e fraudes políticas
Mas houve alguma mulher que fosse presa nesse período? Ou será que aquilo a que eles chamam “mulheres” são “profissionais” da execução do aborto? É que o aborto tem 2 lados: o da vítima, que o sofre, e o dos “profissionais”, que o executam.
Passados 4 anos, o que é que temos? O aborto disparou para 20 mil por ano (cerca de 20% do total de nascimentos em Portugal) e não consta que o aborto clandestino tenha acabado, nem os problemas de saúde em mulheres que foram submetidas a abortos. Mais, verifica-se que uma parte significativa dos números corresponde a casos de reincidência. Ora, isto os defensores da lei do aborto não disseram, nem querem que se diga, aos portugueses.
Em resumo, estamos perante uma fraude política: acenaram aos portugueses com a despenalização para os levar a votar “sim”, e afinal o que conseguiram foi o aborto a aumentar. Entre a retórica e a realidade vai uma grande diferença.
A campanha que se segue é a da eutanásia. E aqui também a fraude política está em campo. Eles acenam com “evitar o sofrimento”, mas o que pretendem é que aumente o número de pessoas, doentes terminais para já, que pedem o “suicídio assistido”, como se de inúteis se tratasse.
E onde está a fraude? Perguntarão alguns.
É que o facto de existir uma lei que consigna a utilização de estruturas hospitalares para o exercício do suicídio, portanto da morte, mesmo que consentida, propósito contrário à existência de serviços hospitalares, cria a priori um clima, um ambiente, que vicia a atitude do doente terminal, levando-o a considerar-se um peso inútil, inclusivé economicamente, para a sociedade. O facto do doente conhecer a existência dessa lei já condiciona a sua atitude no sentido da eutanásia. Ele não será obrigado, mas será influenciado e induzido, o que, para efeitos práticos, vai dar ao mesmo.
Só os cuidados paliativos, a redescoberta do sentido da vida, e do sofrimento, seja pela insubstituível ajuda da família, seja pela fé religiosa, serão respostas à cultura de morte disfarçada de compaixão. Em resumo, só o amor ao doente, mais do que à saúde, é resposta. Porque dar mais valor à saúde do que ao doente terminal é fraudulento.
A “moral” desta cultura de morte pode resumir-se ao seguinte preceito: um ser humano desejado, nascido saudável, e enquanto for saudável, é um herói. Um nascituro com menos de 10 semanas, deficiente, indesejável ou um doente incurável ou terminal, são lixo, alvos a abater quanto antes.
E agora nós podemos, e devemos, questionar: mas quem é o legislador político para presumir o poder de autorizar quem nasce e quem morre? Quais são os limites do seu poder? Será que tem poder absoluto para determinar, ainda que por interpostos terceiros, quem pode e não pode nascer e morrer?
É que alguém que tem a pretensão do poder absoluto sobre a gestão da vida e da morte, é Deus.
Partindo todas as manifestações desta cultura de morte (aborto, eutanásia) de sectores ateus da sociedade e que visam o controle absoluto da vida humana em momentos críticos como o início e o fim, segundo os seus interesses, através do Estado, é legítimo concluir que o aborto e a eutanásia são questões também religiosas.
Afinal de contas os ateus, que não acreditam em Deus, fazem-se, através do Estado, deus: são tão bons, tão bons, que até definem quem pode, e não pode, nascer e morrer.
Qualquer entidade que aspire ao domínio absoluto da vida humana, seja em que etapa for, necessariamente transforma-se num deus, senhor da vida e da morte.
É essa a pretensão dos ateus, através do Estado e da política: serem deus.
manuelbras@portugalmail.pt
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2010/09/21
A superioridade moral dos fumadores
Digo isto a propósito das teses largamente veiculadas pelos media e seus opinion-makers de que é contraproducente proibir o consumo de drogas ou as práticas abortivas, pelo facto de tais proibições ampliarem tais fenómenos na clandestinidade e torná-los ainda mais nefastos, acabando, invariavelmente, por concluir que o melhor é a liberalização, e que o verdadeiro crime está na lei proibitiva.
Curiosamente, ou não, a tese já não vale quando se trata de proibir o fumo… do tabaco. Ninguém admite que os fumadores possam exercer a actividade em locais públicos na clandestinidade. Porque será?
Estamos num caldo de cultura em que o Estado legisla e regulamenta sobre tudo, e em que mostra uma grande determinação de se assenhorear da vida das pessoas na sua origem – daí o aborto e as manipulações embrionárias – no seu ocaso – daí a determinação em dificultar a assistência espiritual aos doentes e moribundos nos hospitais, “longe da vista, longe do coração” – e agora também no seu curso, contra o hábito de fumar tabaco, sempre a pretexto do valor supremo que é a saúde.
Defendo que ninguém deve ser incomodado pelo fumo do tabaco e que os fumadores devem abster-se do fumo se alguém o solicitar. Aliás, é de boa educação pedir licença para fumar, a fim de evitar incómodos. Mas, ao querer regulamentar uniformemente um critério de acção, sem permitir que a sociedade encontre as suas formas próprias de respeitar fumadores e não-fumadores, o que se está a tentar introduzir é um conceito totalitário de saúde, que tem como grupos alvo os fumadores e os obesos. Para já. Porque aí também cabem aqueles que, por pensar de maneira diferente, possam ser enquadrados em qualquer fobia ou patologia mental a definir arbitrariamente.
O facto de se achar que não se deve proibir o consumo de drogas nem o aborto, mas já se pode proibir o tabaco e a obesidade, coloca os fumadores e os obesos num estado de probidade e superioridade moral, que decorre da sua imputabilidade. Pelo contrário, ao permitir o consumo de drogas e o aborto, o Estado está a considerar os toxicodependentes e o pessoal do sector do aborto como débeis e inimputáveis, isto é, como incapazes de respeitar uma restrição legal.
O Estado considera que há uns a quem se pode impor proibições e confia que serão capazes de as cumprir. Aos outros, não.
Eis a diferença.
manuelbras@portugalmail.pt
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2010/09/06
A esquerda e o futuro
É (mais) uma pretensão utópica da esquerda, a par do paraíso terrestre, da eliminação da dor, do sofrimento e, quiçá, da morte corporal, a previsão e o controle do futuro. Nem mais, nem menos.
Por exemplo, Sócrates e Zapatero já sabem ao pormenor como vai ser o clima daqui a 50 anos, como vai variar (aumentar) o défice tarifário da energia, que daqui a 20 anos a escolaridade obrigatória durará 18 anos e incidirá muito mais sobre costumes e conteúdos sociais do que Matemática e Lógica, que quem quiser ter filhos terá de ser submetido a avaliação estatal sobre valores da cidadania e só os poderá adquirir (comprar) in vitro ou trazidos de Paris pela cegonha, em lojas certificadas pelo Estado, a idade e a doença com que cada pessoa vai morrer, as convicções políticas de cada um, o que facilita ao máximo a contagem de espingardas.
Só não conseguem prever atentados como os de 11 de Setembro de 2001, que mudaram o futuro da primeira década do séc. XXI, e talvez muito mais…
Ou será que conseguem?
manuelbras@portugalmail.pt
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2010/08/30
Combate à dor
Sempre que o Estado – nos homens que o materializam – não admite uma instância transcendente além e fora dele próprio, acaba necessariamente por impor a si próprio como Deus, e aos outros aquilo que considera ser os valores supremos, ou seja, na prática, os seus semi-deuses.
Um dos semi-deuses do Estado social é, sem dúvida, um conceito abstracto, utópico e totalitário de saúde, cuja imposição tem justificado um moralismo sanitário, que assenta nos seguintes pressupostos: a saúde e o bem-estar físico são os valores supremos, logo têm que ser garantidos, custe o que custar, doa a quem doer. Resulta daqui a pretensão utópica de eliminar em absoluto a dor e o sofrimento, como se isso fosse possível e não fizesse necessariamente parte da real existência humana. Á boleia das utopias do paraíso terrestre e de uma existência sem sofrimento e dor, enquanto essas promessas não chegam, vão-se triturando, das mais variadas maneiras, as vidas dos mais fracos e doentes, só porque não dão suficientes garantias sanitárias. A moral da história é esta: um ser humano saudável e desejado é um semi-deus; um ser humano doente, sofredor e ainda por cima indesejado é algo para despachar quanto antes, com a maior desfaçatez possível. É bom de ver que, como a eliminação da dor e do sofrimento tem os seus limites, quando não se consegue eliminar a dor e o sofrimento, a solução é fácil: elimina-se o que sofre.
Foi este endoutrinamento do combate à dor que o Engº Sócrates fez na “bênção” da primeira pedra daquilo que será o novo Hospital de Vila Franca de Xira, daqui a uns anos.
Ao ouvir o Engº falar da prioridade do combate à dor em nome da dignidade humana, qualquer mortal se lembra logo de como o Engº Sócrates e o seu governo maquinaram pela facilitação do aborto em Portugal. Que bela contribuição para o combate à dor.
Pela lógica dele, um ser humano só é digno quando é “desejado”, saudável ou, no mínimo, curável.
Ele é o exemplo acabado de como a dignidade humana pode ser usada para destruir a dignidade humana.
http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Novo-hospital-em-Vila-Franca-de-Xira.rtp&headline=20&visual=9&article=370682&tm=2
manuelbras@portugalmail.pt
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2009/12/10
A Tetralogia da Modernidade
Um dos fenómenos mais caricatos no meio da guerra de costumes a que a sociedade portuguesa está a ser alvo é o aparecimento de gente com o rótulo de “católicos” a apoiar exactamente o contrário daquilo que no Cristianismo e na civilização judaico-cristã (e não só) sempre se entendeu como males ou desordens a evitar ou a corrigir: o aborto, a homossexualidade, a eutanásia, etc.
Será truque? Seja como for, já se percebeu que, quando se trata de criticar a Igreja todos são “católicos”.
Alguém com o rótulo “católico” asseverava ser difícil para a Igreja, neste caso a Conferência Episcopal Portuguesa, condenar a eutanásia. A dificuldade em condenar a eutanásia só existe mercê de um truque semântico – a “morte assistida” – à semelhança do que acontece com a “interrupção voluntária da gravidez” e dos “direitos reprodutivos” em relação ao aborto. Porque se chamarmos a “morte assistida” como aquilo que é, a morte provocada dos doentes terminais, então a condenação está explicada.
Dirão alguns que a morte provocada – agora já sem máscaras – é uma bênção porque alivia o sofrimento inútil, para eles incompreensível e sem sentido. Mas será que os políticos legisladores têm competência para legislar sobre o sentido do sofrimento e da morte, assim arbitrariamente, só porque o ignoram? Os legisladores são tão bons, tão bons, que até autorizam os doentes terminais a pedir que lhes tirem a vida e os médicos a tirá-la.
Dirão esses que é só para quem de forma esclarecida e consciente assim o pedir, que ninguém é obrigado a pedir. Mas basta haver uma lei conhecida que consagra o pressuposto da inutilidade do sofrimento para que o doente terminal se sinta inútil perante a sociedade, e implicitamente pressionado a que o eliminem, como quem sussurra ao ouvido: “Vê lá se te despachas”. É bom de ver que se a saúde do corpo é o valor supremo e o sofrimento é inútil, o que sofre também é. O medo do sofrimento, irracional como todos os outros medos, de que se alimenta a eutanásia e o obscurecimento da vida eterna explicam o resto.
É curioso que a instituição que esses “católicos” criticam tem como fundador o Homem que mudou radicalmente o sentido da dor e do sofrimento no mundo, que de uma maldição cega e absurda passou a ser, para quem com Ele se identifica, um meio (não um fim) com sentido de vitória e salvação.
Como não podia deixar de ser, aparece sempre a retórica recorrente da qualidade de vida e da dignidade, que servem para tudo e o seu contrário. É estranho como esta gente estabelece que a qualidade de vida vale mais que a própria vida. Se eliminam a vida, ainda que terminal, como é que pode haver qualidade de vida? É curioso como os cuidados paliativos até à morte natural, o alívio da dor e do sofrimento, e, mais importante ainda, todo o afecto e sentido de vida que com isso se demonstra ao doente, não são para esta gente sinónimo de qualidade de vida, nem dignidade, nem compaixão. Para eles, “compaixão” é despachar.
De resto, é a qualidade de vida e a dignidade que estão por trás da Tetralogia da Modernidade: foi em nome dessas duas abstracções que foi liberalizado o aborto, que o divórcio (para os heterossexuais) foi promovido, que se justifica o casamento (para os homossexuais) e a morte provocada dos terminais inúteis.
É curioso como a qualidade de vida e a dignidade vistas pela modernidade levam invariavelmente à destruição e à morte.
manuelbras@portugalmail.pt
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2009/10/13
As coisas que o Miguel manda…
O Miguel, nosso amigo e colaborador, enviou o seguinte texto, que me atrevo a actualizar com mais uma alínea, no fim:
a-) VAIS TER RELAÇÕES SEXUAIS?... O GOVERNO DÁ UM PRESERVATIVO.
b-) JÁ TIVESTE?... O GOVERNO DÁ A PÍLULA DO DIA SEGUINTE.
c-) ENGRAVIDASTE?... O GOVERNO DÁ O ABORTO.
d-) TIVESTE FILHO?... O GOVERNO DÁ O ABONO DE FAMÍLIA
e-) ESTÁS DESEMPREGADO?... O GOVERNO DÁ O SUBSÍDIO DE DESEMPREGO.
f-) ÉS VICIADO E NÃO GOSTAS DE TRABALHAR?... O GOVERNO DÁ O RENDIMENTO MÍNIMO GARANTIDO
g-) CABULASTE E NÃO FIZESTES O 2º OU O 3º CICLO?... O GOVERNO DÁ-TO EM 3 MESES NAS NOVAS OPORTUNIDADES.
AGORA.... EXPERIMENTA ESTUDAR, TRABALHAR, PRODUZIR E ANDAR NA LINHA PARA VER O QUE TE ACONTECE!!!... O GOVERNO DÁ-TE UMA BOLSA DE IMPOSTOS PARA PAGAR AS ALÍNEAS ANTERIORES!!!
h) És doente terminal? O Governo dá-te a morte através da eutanásia.
manuelbras@portugalmail.pt
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2009/05/29
Presunção e água benta
Garantia o Sócrates – não o Filósofo – há dias, perante as câmaras, com aquele tom ameaçador de ir às fuças a quem se lhe atravessa à frente – porque já sabemos que quem se mete com ele apanha – que a Ferreira Leite não tem jeito para a política e que a direita não tem nada para oferecer aos portugueses.
Vamos por partes.
Talvez MFL não tenha grande jeito para a política: é apagada no discurso, com ideias que não são fortes nem estimulantes, sem elan político, confessou que dispensava os comícios, como se isso não fosse política. Quem dispensa os comícios e a intervenção perante as massas é porque não tem nada de convincente e forte a dizer. Até porque há comícios mais divertido que o circo.
Mas isto não é o pior. O pior é que o Sócrates está convencido que é um génio da política e despreza os que pensam de forma contrária.
Se por política ele entende propaganda, então talvez tenha um jeito ímpar: lembro apenas os aumentos de impostos (incluindo o IVA), o (não) referendo ao Tratado de Lisboa, para não ir a outros apêndices académicos e judiciais.
Como é que a direita pode ter algo para oferecer aos portugueses se, praticamente, não existe? O País está hemiplégico há mais de 30 anos. Só se faz política sob o jugo da esquerda. A que chama o Sócrates direita? Ao CDS e PSD?
O país não sabe o que é a direita porque nunca a viu. Desde a escola primária à universidade, das televisões aos jornais, da opinião pública ao mundo da cultura, tudo está nas mãos da esquerda. E a isso chamam pluralismo. Nos temas mais transcendentes da vida em sociedade, como os limites ao poder do Estado, direito total à vida, casamento, família, educação, saúde, impostos, etc, todos pensam e dizem o mesmo, pretendendo impor a sua ideologia aos outros e obrigando-os a aceitá-la. Se alguém quiser ter uma visão mais aproximada do que é Deus, que olhe para os políticos da esquerda e fica a saber.
E o Sócrates, que tem para oferecer?
Milhares de computadores para comprar votos – sem qualquer avaliação do efeito que isso tem no rendimento escolar, pois ele já concluiu a priori que o resultado é espectacular – educação sexual obrigatória e distribuição de preservativos por mandato ideológico de uns poucos, aborto, divórcio, casamentos gay, eutanásia, cheque dentista – porque não oferece o cheque-ensino? – e, obviamente, mais impostos.
Por fim, oferece às gerações futuras, aos cada vez menos que cá vão ficando, um país podre, decrépito e envelhecido, sob a ameaça de ver o seu espaço ocupado pelo Islão político.
É tudo isto que ele tem para nos oferecer.
manuelbras@portugalmail.pt
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2009/05/22
Para que a memória não falhe
O escândalo à volta da professora de Espinho e das suas aulas “sexy” não é inédito.
Como a coisa correu mal – oxalá não venham os alunos que meteram a boca no trombone a ser lixados em vez da professora – agora os intelectuais de esquerda vêm dizer que aquilo não é educação sexual. Pois é, eles é que definem sempre os conceitos.
Eu não sei se a famosa professora frequentou “acções de formação” da APF, mas recordo aqui outro escândalo à volta do mesmo assunto que rebentou em Maio de 2005 no “Expresso”, para que a memória não falhe.
Como se vê, o mês de Maio é muito dado a estas coisas. Deve ser por causa das flores.
Expresso - 14 Mai 05
Educação sexual polémica
Alguns manuais escolares, elaborados em consonância com as novas orientações dos Ministérios da Educação e da Saúde, propõem aos professores exercícios para crianças de 10 e 11 anos tais como colorir «partes do corpo que gostam que sejam tocadas».
Outra sugestão é pedir aos alunos que indiquem «manifestações sexuais», dando como exemplos a «manipulação dos órgãos genitais, beijos entre namorados e relação sexual». Estes manuais estão a provocar acesa polémica entre os educadores.
Programas sem controlo
EM EXERCÍCIO de 50 minutos, destinado a turmas do 5.º e do 6.º ano, propõe que, durante a aula, os professores ponham os alunos de 10 a 12 anos a pensarem no maior número possível de sinónimos para palavras como testículos, pénis, vagina ou relação sexual. De acordo com os manuais para os professores é «normal e aceitável utilizar expressões consideradas menos adequadas» e que podem mesmo «causar embaraço ou tornar-se desagradáveis». No final, e esgotadas todas as hipóteses, os estudantes devem afixar num «placard» o resultado deste trabalho.
Este é um dos exemplos das tarefas propostas para o ensino de Educação Sexual, uma matéria transversal, isto é, que pode ser dada por qualquer professor e em qualquer disciplina entre o 1.º e os 12.º anos de escolaridade. Em Outubro de 2000, os Ministérios da Educação e da Saúde produziram umas «linhas orientadoras da Educação Sexual em Meio Escolar» que passaram a estar em vigor. Foram feitos manuais e sugeridos textos para ajudar os professores, mas nunca foi feita qualquer avaliação. Neste momento, ninguém sabe como foi dada, por quem e a quantos alunos chegou esta informação. Muito menos se apurou a eficácia deste tipo de conteúdos.
Para Manuela Calheiros, psicóloga e professora universitária, «o exercício proposto é ridículo». Mas esse não é o maior problema deste projecto educativo. Com efeito, por não ser «testado, por não ser feita formação de professores e avaliados os resultados», há aqui «uma falha gravíssima», tanto mais que ninguém sabe «quem é responsável» pelas eventuais falhas cometidas. Manuela Calheiros vai mais longe: «não há contexto emocional» em todos os conteúdos programáticos sobre sexualidade, tal como ausentes estão «as famílias, o próprio envolvimento cultural e, mais grave, a possibilidade de qualquer pessoa dizer ‘não’». Para a psicóloga, mais importante do que enumerar e enunciar os actos sexuais - sejam eles quais forem - «é formar os alunos para sentimentos positivos e negativos» e, nesse processo, «aprender a conhecer-se e reconhecer que pode recusar situações ou atitudes que não aceite».
Outra proposta de trabalho apresentada nos manuais de apoio aos professores, tendo como destinatários crianças de 10 e 11 anos, consiste em pôr os alunos a colorir uma figura (masculina ou feminina), para depois assinalarem «as partes do corpo que elas gostam, ou não, que sejam tocadas. Estes desenhos podem ser recolhidos de forma a constituírem informação para o professor». Outra sugestão passa por pedir aos alunos que façam «uma lista com todas as manifestações sexuais que venham à ideia, colocando à frente de cada um o tipo de sensações presentes». Como exemplos sugeridos aos professores são elencados: «manipulação dos órgãos genitais, beijos entre namorados, relação sexual».
O conteúdo desta «disciplina» está longe de ser consensual. Uma professora do 3.º ciclo recusou-se mesmo a seguir os manuais propostos, mas foi advertida pela direcção da escola «de que não podia fazer objecção de consciência» e corre o risco de ser punida disciplinarmente se não acatar a ordem.
Claudia Muller, mãe de várias crianças, decidiu ir assistir a uma sessão de esclarecimento para alunos, promovida pela Associação de Planeamento da Família na escola dos seus filhos. Destinada a crianças entre os 9 e os 12 anos, a apresentação esclarecia questões tão diversas como «para onde vai o esperma» ou «o que é o sexo oral», finalizando com a médica de um centro de saúde da região de Mafra a dar os seus contactos telefónicos às crianças que quisessem esclarecer outras dúvidas. «É um desprezo total pelos pais, que a toda a hora são chamados à escola. Menos sobre a educação sexual dada aos seus filhos», conclui esta mãe, que se confessa «chocada pela total exclusão dos encarregados de educação».
Por seu lado, Albino Almeida, presidente da Confederação das Associações de Pais (Confap), é pessoalmente adepto da educação sexual nas escolas. Mas admite que a actual orientação tem «lacunas e alguns temas estão desadaptados» às faixas etárias a que se destinam. Os vários tipos de família apresentados, por exemplo, «deviam surgir como vários tipos de união».
«Pares homossexuais não se enquadram no meu conceito de família», sublinha Albino Almeida. «Nem está enquadrada na lei», acrescenta Manuela Calheiros.
Paula Vilariça, pedopsiquiatra do Hospital Dona Estefânia, considera mesmo a desadequação etária um dos problemas mais graves deste programa. Além disso, os conteúdos apresentados «não são esclarecedores» e podem mesmo «ser perturbadores, agressivos e até traumáticos para alguns alunos».
Defendendo uma estratégia mais informativa para estas aulas, a médica rejeita este projecto nos termos em que está apresentado, por o considerar «um atentado à fantasia e à inocência».
Albino Almeida sustenta esta ideia ao referir que a maior lacuna do projecto «é a não inclusão das doenças sexualmente transmissíveis». Em vez de informar, «o programa diverte-se com conteúdos desfasados, esquecendo as doenças que são parte fulcral em matéria de sexualidade», conclui.
A APF - que subscreve as linhas orientadoras e assinou um protocolo com o Ministério da Educação para promover a Educação Sexual nas escolas - garante, no seu relatório anual, que «muitas escolas estão já envolvidas» e «em todo o território nacional». «Mas estamos longe de poder afirmar que todas ou a maior parte das crianças e jovens têm acesso a actividades de educação sexual», dizem, reclamando a publicação de legislação que obrigue, efectivamente, as escolas a cumprir este programa.
Monica Contreras e Rosa Pedroso Lima com Susana Branco
Programa educacional
JOÃO Araújo, professor universitário e pai de quatro crianças, dedicou muitas horas a estudar o programa oficial de Educação Sexual. Os aspectos que mais o chocaram foram organizados num CD que passou a mostrar pelo país, em sessões de esclarecimento para as quais é convidado.
O EXPRESSO foi assistir. Pais, e por vezes professores, enchem as salas para verem uma selecção de textos, desenhos e jogos sugeridos para as salas de aulas. A partir destes dados - confirmados pelo EXPRESSO nos textos originais que servem de documentação oficial - foram pedidas opiniões a diversos especialistas.
A grande responsável pela actual filosofia orientadora da educação sexual nas escolas é a Associação para o Planeamento da Família (APF) - filial de uma das maiores ONG mundiais - que participou na produção das «Linhas Orientadoras», fez vários manuais, formou e continua a formar professores no âmbito de protocolos com o Ministério da Educação.
Um dos livros aconselhados - «Educação Sexual na Escola», de Júlio Machado Vaz e Duarte Vilar, da APF - propõe como conteúdos para o pré-escolar e o 1.º ciclo: aprender a realizar a masturbação, se existir, na privacidade; conhecer diferentes tipos de família; adquirir um papel de género flexível e reconhecer comportamentos sexuais como carícias, beijos e relações coitais.
manuelbras@portugalmail.pt
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2009/04/16
O Dia dos Impostos

Na América, ao contrário do que sucede em Portugal e na Europa, o cidadão comum pede contas aos governantes pela forma como utilizam o dinheiro público, isto é, o dinheiro de impostos.
Por razões históricas, celebra-se a 15 de Abril o “Anti-tax Tea Party”, que, no presente momento, adquire um novo sentido e uma nova urgência contra o despesismo de Obama em variados sectores, eufemísticamente designado por “estímulo” e “investimento público”, mas que acaba por ser um programa de engenharia social para, “de cima”, redesenhar o estilo de vida de muitos americanos.
Por cá, porque o que é público é propriedade privada da esquerda, a saúde, a educação, a opinião, a imprensa, a cultura, etc, e como também há subsídios para tudo e mais alguma coisa e muito medo de os perder, ninguém questiona a forma como a esquerda e os governantes utilizam o dinheiro arrecadado aos contribuintes.
Mas se olharmos para a relação custo benefício dos “investimentos públicos” na educação e na saúde, para não ir mais longe, talvez fiquemos a perceber que a engenharia social, um único sistema centralizado e dirigido pelo Estado é lesivo para a sociedade e a exigir a sua mudança progressiva para a esfera da sociedade civil.
http://www.foxnews.com/politics/2009/04/15/anti-tax-tea-party-protests-expected/
manuelbras@portugalmail.pt
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2009/01/26
Aí está o “Mundo melhor”!!!
Ao fim de três dias de posse já se está a ver o qual é o “mundo melhor”: revogou a lei que impedia utilizar dinheiros públicos americanos para subsidiar organizações que se dedicam a promover o aborto, obviamente, sempre usando o mito da “saúde das mulheres”, contrariando a promessa da campanha de reduzir o número de abortos.
Talvez Obama queira fazer como o Sócrates: diminuir o nº de abortos promovendo e facilitando a sua prática.
Genial, não é?
Mundo melhor, para quem?
Pois é… a cor da pele é só o embrulho.
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2008/12/23
Não chamamos cá ninguém
É bom, por vezes, ir aos Centro de Saúde do Sistema Nacional de Saúde (SNS) para ver e ouvir as coisas fantásticas que por lá se fazem e dizem.
Imagine-se que alguém pretende uma consulta com o “Médico de Família”, mas este já mudou e então é arrastado para as “consultas de recurso”. Acontece que o nº de consultas de recurso é limitado diariamente a 6, logicamente aos primeiros 6 que chegam ao balcão às 8h da manhã, ao ponto de alguém que chegou às 7.40h já não ser atendido nesse dia. A alternativa é fazer sucessivamente a mesma experiência cada dia mais cedo, já que não é possível marcar consultas por telefone. Talvez chegando à porta do Centro de Saúde às 5h da manhã se consiga consulta.
Quando se tenta explicar à empregada que marca (ou não marca) as consultas que o sistema está viciado, a resposta não pode sintetizar melhor a filosofia da instituição: “Não chamamos cá ninguém”.
Deu-se a feliz coincidência de, nesse mesmo dia, terem sido publicadas as contas – deficitárias – do SNS, relativas a 2007: um buraco de €330 milhões, quase o dobro do previsto. Tudo isto nem sequer chega para as consultas de recurso. É obvio que o Sistema precisa de muito mais dinheiro.
É claro que se a demanda fosse de qualquer prática de esterilização (temporária ou permanente), tais como pílulas, abortos e coisas do género, o assunto era logo encaminhado sem demora. Dá ideia que este tipo de “operações” é o único em que não há listas de espera no SNS.
Os Correias de Campos, Louçãs e demais defensores do “serviço público” estão de parabéns.
Eu sei que não é hábito os portugueses pedirem contas de gastos de dinheiros públicos, que lhes saem do bolso, aos governantes de esquerda, embora já gostem de pontificar sobre os dinheiros privados, que não lhes saem do bolso. Mas, numa época em que o “serviço público” anda à caça de crimes em contas e dinheiros mal parados, é caso para perguntar pelo destino de tantos milhões enterrados no SNS e pelo destino de tantos milhões enterrados, ao longo dos anos, na educação estatal para dar o que dá: cada vez piores resultados, quer em termos académicos, quer em termos humanos.
E nos dinheiros públicos, não haverá crime?
Quem é que supervisiona o Estado?
manuelbras@portugalmail.pt
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2008/10/07
Inverno Demográfico
A parte da manhã, na qual estive presente e só a essa me refiro, foi dedicada a deputados do Parlamento Europeu. Numa coisa todos tiveram de acordo: o reconhecimento de que estamos perante um problema grave, embora nem todos mostrassem a mesma lucidez e firmeza acerca da sua resolução.
Silva Peneda reconheceu o problema e apontou alguns possíveis caminhos, talvez avulsos, mas, fica-se com a ideia de que sem grandes compromissos e que essa não é uma causa prioritária para ele. O problema existe e alguém se há-de mexer para que se resolva, mas nada de mudanças relevantes na visão das coisas.
Edite Estrela acha que a causa do fenómeno não foi o crescente trabalho das mulheres fora de casa, nem o crescente número de divórcios, nem a volatilidade das relações humanas, nem o facto da maternidade se ter tornado, na mentalidade das pessoas, uma possibilidade com as mesmas expectativas que um televisor, um carro ou qualquer outra comodidade, sempre subordinada ao emprego. Acha que o problema se resolve fiscalizando e perseguindo os empresários e as empresas que não criam melhores condições para as mulheres terem mais filhos, por vezes pressionando-as até para não os ter, esquecendo-se de que, por muito canalha que seja essa realidade, a finalidade directa das empresas não é aumentar a natalidade, mas sim aumentar a produtividade e o lucro. As empresas não têm que ser penalizadas pelo défice de natalidade, criado sobretudo por uma mentalidade, na qual a esquerda desde sempre se empenhou em educar as pessoas: que a maternidade atenta contra a igualdade, vista da esquerda, sendo por isso mal vista e combatida.
Edite Estrela não foi capaz de superar este bloqueio ideológico, tal como as facções mais radicais do PS de Sócrates não são, e, por isso, não conseguiu reconhecer que o trabalho educativo de uma mãe é tão, ou mais, importante, também em termos sociais, que o trabalho extra-familiar, e que, por isso, devia ser recompensado em termos económicos e financeiros.
Está aqui em jogo o conflito entre duas coisas boas e necessárias: a maternidade e o trabalho das mulheres, se o desejarem e puderem, fora de casa, coisa que, em maior ou menor medida, consoante as modas, sempre aconteceu. O problema é que, como a maternidade é hoje socialmente mal vista, encontra-se subordinada à primazia do emprego. Enquanto isto for assim entendido, cheio da mentalidade e dos complexos de esquerda, será difícil encontrar uma conciliação eficaz entre trabalho intra e extra-familiar.
O deputado do CDS, que substituiu José Ribeiro e Castro fez um diagnóstico lúcido da situação, com algumas colheradas de humor, aproveitando os paradoxos e contradições da política nesta matéria, mas dando a entender nas entrelinhas que no actual quadro político partidário não há grande margem para mudanças. Pudera! São os que nos meteram no pântano, como é que nos vão tirar?
Na sessão final de respostas a perguntas formuladas por escrito, o destaque foi para a gaffe de Edite Estrela, quando foi confrontada com o apoio da maior parte do PS à lei do aborto. “Eu sou contra o aborto, mas não contra a IVG” levantou uma onda de gargalhadas. Penso que se enganou na resposta e que queria ter lançado a falácia da despenalização, mas falhou. Fica o registo.
Faltou apurar culpados para o desastre demográfico que nos cerca. Ou será que não há culpados?
A APF (Associação para o Planeamento da Família) tem dedicado os seus 40 anos de existência em Portugal a educar os portugueses para o controle da natalidade e para a aceitação do aborto. Não será injusto considerar a APF como a única instituição em Portugal que consegue cumprir na íntegra os seus objectivos: o aborto está liberalizado e a pirâmide demográfica levou uma valente machadada nos últimos 40 anos. Que mais se pode querer? A APF está de parabéns.
Reparem: os governos querem diminuir o défice e a despesa pública, os juízes e os tribunais querem por a justiça a funcionar, as polícias querem deter os corruptos e os criminosos, os economistas querem fugir à recessão, alguns “activistas” querem proibir o clima de variar, a selecção de futebol quer ganhar qualquer coisa, e olhem o que acontece...
Na escola, os jovens, de computador em riste, podem não saber fazer contas, nem ler mais que duas páginas seguidas, ou mesmo escrever uma frase com sentido completo, saber onde fica a Austrália, nem conhecer figuras relevantes da História de Portugal - que interessa isso? - mas conhecerão, de certeza, todos os métodos contraceptivos e saberão tudo sobre a “educação sexual”.
Nos hospitais e centros de saúde as consultas de oftalmologia, de medicina interna, de ortopedia, de cardiologia, etc, bem como as variadas cirurgias, podem demorar meses ou anos, mas os abortos, as esterilizações, o fornecimento de todo o tipo de pílulas (abortivas e contraceptivas) é que são prioritários.
Não há dúvida. Em Portugal só a APF consegue cumprir objectivos.
É fantástico.
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2008/02/13
Inverno Demográfico
Fez dia 11 de Fevereiro um ano que o aborto foi liberalizado por via de um referendo. É provável que ninguém consiga demonstrar, nem garantir, que o aborto clandestino - o terror é o “clandestino”, não o aborto, entenda-se - acabou. Talvez tão provável como a sua continuidade real, que agora já não inquieta esses espíritos.
Para além do drama do aborto em si, agora mais facilitado, acrescem os danos físicos e psíquicos às mulheres que a essa prática se submetem, como foi reportado por especialistas numa conferência realizada em Lisboa no passado dia 8 de Novembro.
A tudo isto ainda acresce a miserável situação demográfica decorrente de uma população envelhecida, de uma taxa de natalidade exígua, que está a milhas de renovar gerações, a que se soma uma cada vez mais generalizada instabilidade familiar, sulcada por um número crescente de divórcios e de uniões precárias.
O Engº Sócrates, por seu lado, apoia tudo isto e o seu contrário. Ferrenho defensor da liberalização do aborto, vem uns meses mais tarde anunciar a concessão de prestações de apoio à gravidez para certos estratos sócio-económicos, bem como alguns aumentos de abono de família. Ora bolas: não seria de começar por apoiar as mulheres que passam pelo dilema do aborto, sem deixar de apoiar as restantes, e promover outras alternativas? Porque é que aqueles que são vítimas do aborto não podem contar para a natalidade que o País precisa? Bloqueio ideológico?
Mas será que o governo, com essas medidas financeiras de “incentivo” à natalidade - como eles dizem - vai conseguir inverter as tendências demográficas dos últimos 40 anos? Dito de outra forma: será que a concessão desses subsídios é suficiente para mudar uma mentalidade forjada nas gerações nos últimos 40 anos, desde os bancos das escolas aos centros de saúde? Não creio. Os casos de outros países na mesma situação, que começaram primeiro esse tipo de “incentivos” apontam para um ligeiro, mas insuficiente, aumento da natalidade em anos subsequentes.
A APF tem dedicado os seus 40 anos de existência em Portugal a educar os portugueses para o controle da natalidade e para a aceitação do aborto. Não será injusto considerar a APF como a única instituição em Portugal que consegue cumprir na íntegra os seus objectivos: o aborto está liberalizado e a pirâmide demográfica levou uma valente machadada nos últimos 40 anos. Que mais se pode querer? A APF está de parabéns.
Reparem: os governos querem diminuir o défice e a despesa pública, os juízes e os tribunais querem por a justiça a funcionar, as polícias querem deter os corruptos e os criminosos, os economistas querem fugir à recessão, a selecção de futebol quer ganhar qualquer coisa, e olhem o que acontece.
Na escola, os jovens, de computador em riste, podem não saber fazer contas, nem ler mais que duas páginas seguidas, ou mesmo escrever uma frase com sentido completo, saber onde fica a Austrália, nem conhecer figuras relevantes da História de Portugal - que interessa isso? - mas conhecerão, de certeza, todos os métodos contraceptivos e saberão tudo sobre a “educação sexual”.
Nos hospitais e centros de saúde as consultas de oftalmologia, de medicina interna, de ortopedia, de cardiologia, etc, bem como as variadas cirurgias, podem demorar meses ou anos, mas os abortos, as esterilizações, o fornecimento de todo o tipo de pílulas (abortivas e contraceptivas) é que são prioritários.
Não há dúvida. Em Portugal só a APF consegue cumprir objectivos. É fantástico.
Manuel Brás
manuelbras@portugalmail.pt
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2006/11/02
Resposta de uma mulher ao senhor ministro da Saúde
Registo a insistência dos adeptos do "sim" na afirmação de que o objecto do referendo é a despenalização do aborto e não a sua liberalização, quando o aborto até às dez semanas passaria a ser livre, universal e gratuito. O Estado passa a colaborar activamente na sua prática, vinculado somente ao desejo da mulher.
1. Segundo parece, na badalada Conferência Internacional sobre a Saúde Sexual e Reprodutiva da Mulher, o dr. Correia de Campos fez um apelo às mulheres e aos médicos para que promovam o sim à "despenalização" do aborto. No que respeita aos médicos, a quem o senhor ministro pede que abjurem de um código deontológico milenar de serviço à vida humana, haverá com certeza alguém que lhe responda. No que toca ao primeiro apelo referido, gostaria - enquanto mulher - de fazer umas observações. De facto, na mesma ocasião, o dr. Albino Aroso terá dito que "nenhum homem sabe o que é levar até ao fim uma gravidez não desejada". Presumo, portanto, que ele próprio também não sabe, nem desejada, nem indesejada. Tão-pouco o sabem o senhor engº. Sócrates ou o senhor ministro da Saúde.
2. Não julgo que valha a pena insistir na vacuidade, contradições (e, já agora, demagogia) dos dois "argumentos" apresentados por José Sócrates. Basta pensar que a proposta do PS "persegue" e "envia para a prisão" as mulheres que abortam às 11 semanas de gravidez, às quais não evitaria o aborto clandestino (o qual, aliás, como já reconheceram alguns defensores da liberalização, não acabará, por razões várias). Mas esta incoerência chama a atenção para o verdadeiro "clandestino" dessa argumentação - o não nascido - e para o que estará em causa no próximo referendo: saber se essa vida humana deve ser protegida pela lei, ou se, pelo contrário, deve ficar à mercê do interesse arbitrário de outrem, como se fosse uma "coisa" para usar ou deitar fora, sem valor intrínseco, a custas do Estado.
3. Registo também a insistência desesperada dos adeptos do "sim" na afirmação de que o objecto do referendo é a despenalização do aborto e não a sua liberalização, como malevolamente propalariam alguns. Repare-se: o aborto até às dez semanas passaria a ser livre, universal e gratuito. Não se trata de apenas de uma despenalização ou de uma mera descriminalização. O Estado passa a colaborar activamente na prática do aborto, vinculado somente ao desejo da mulher. Enfim, o que se pretende é mesmo a consagração do "direito ao aborto", até às dez semanas, como se "na minha barriga mandasse eu".
Todavia, para contrariar este efeito - como já foi explicado, e por muito que isso irrite o engº. Sócrates - não é necessário "perseguir as mulheres". No nosso sistema jurídico já estão previstos mecanismos que conciliam a função do direito penal de tutela de bens jurídicos fundamentais (como é, antes de qualquer outro, o da vida humana) com a consideração de circunstâncias atenuantes da culpabilidade, associadas a condições dramáticas e desesperadas de existência.
4. Por fim, não me comove a alegação de que Portugal tenha uma das leis mais restritivas da Europa. Não é que o direito penal comparado não seja interessante ou que não devamos estar atentos às "melhores práticas". Contudo, por um lado, o que os outros fazem, embora relevante, não pode substituir ou anular o que a própria razão e consciência nos dita. Por outro lado, ao longo da história, muitos avanços civilizacionais (a escravatura, os direitos políticos dos pobres e das mulheres...) foram conseguidos pela resistência de uma minoria com razão face a uma maioria sem razão.
Por último, o conhecimento adquirido nos últimos anos - quer os progressos científicos no campo da genética e fetologia (que tornam incontornável a questão do estatuto jurídico do não nascido), quer a descoberta das consequências devastadoras para a mulher que o aborto (legal ou clandestino) acarreta - torna cada vez menos defensável, numa sociedade decente, que o aborto seja considerado um "direito". Agora, em Portugal, podemos evitar isso. Associação Mulheres em Acção
(Artigo publicado no Jornal “Público” em 2006/10/31)
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2005/09/26
Saúde reprodutiva: clarificação

No último dia da Cimeira da ONU, que decorreu em Nova York de 13 a 16 de Setembro, o governo americano emitiu uma tomada de posição oficial, clarificando o seu entendimento sobre a controversa “saúde reprodutiva”, termo equívoco cooptado nos anos 90 para a nomenclatura onusiana.
O comunicado, divulgado pelo novo embaixador americano John Bolton, esclarece que “os Estados Unidos consideram que as referências à Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, à Declaração de Pequim, à Plataforma de Acção e a utilização do termo “saúde reprodutiva”... não criam quaisquer direitos e não podem ser interpretadas como apoio, recomendação ou promoção do aborto”.
Tal declaração, que fará parte do documento oficial desta Cimeira, surge num momento em que o termo “saúde reprodutiva” é utilizado por várias agências da ONU e por poderosas ONG’s como inclusivo de um suposto direito ao aborto, ainda que a Assembleia Geral da ONU nunca tenha concordado com tal interpretação.
Para além disso, o IPPF (International Planned Parenthood Federation), do qual a APF é uma filial, declarou vitória nas negociações da Cimeira posto que os EUA concordaram em trabalhar para que “todos tenham acesso à saúde reprodutiva em 2015”. Tal declaração de vitória não se compreende se se tiver em conta que a tomada de posição dos EUA exclui o aborto do conceito de saúde reprodutiva e que o IPPF é o mais importante e poderoso (entenda-se rico) promotor do aborto no mundo.
Pelo quarto ano consecutivo a Administração Bush rejeitou a concessão de 34 milhões de dólares ao UNFPA (Fundo das Nações Unidas para a População) em virtude das suas demonstradas cumplicidades com a promoção de práticas abortivas no mundo.
Manuel Brás
manuelbras@portugalmail.pt
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2005/01/06
Eutanásia e utopias

Não é, por isso, de admirar, que apareça alguém a fazer a apologia da eutanásia, inclusivamente chamando eutanásia aquilo que não o é.
Aplicar uma injecção letal a um doente para o matar é eutanásia. Desligar uma máquina quando se verifica que tal já não permite que o doente volte a realizar as funções vitais pelos seus próprios meios, não é eutanásia; é prescindir de cuidados terapêuticos extraordinários que se tornaram inúteis para a sua sobrevivência.
O móbil dos defensores da eutanásia é o medo do sofrimento e da dor, uma realidade da vida de todo o ser humano com que eles têm muita dificuldade em lidar: não lhe conhecem o sentido; é pena.
É pena, entre outras razões existenciais, porque desconhecem a prática dos cuidados paliativos que todos os dias é uma realidade na vida dos doentes terminais. É pena, porque desconhecem que o carinho e a dedicação de tantos e tantas profissionais de saúde, familiares e voluntários dão autênticas razões e sentido de vida a um doente terminal, que uma mente materialista não pode alcançar. É pena, porque desconhecem que os doentes que pedem a eutanásia o fazem por se sentirem sós e abandonados, não por estarem doentes; e, mesmo assim, só o pedem depois de insistentemente “mentalizados”. É pena, porque desconhecem que em países onde é mais forte a apologia da prática da eutanásia tem havido casos de pessoas eliminadas sem o pedirem.
Estamos perante uma guerra civilizacional, entre a cultura da vida e a cultura da morte, entre dois entendimentos inconciliáveis de homem, de vida e de mundo: um materialista, ateu, particularmente jacobino, o dos homens de 1789, e outro, aberto à transcendência, de cariz monoteísta, particularmente judaico-cristão, embora não exclusivamente.
O primeiro entendimento é protagonizado pela ética planetária inventada pelos iluminados socialistas da ONU durante os anos 90, tais como Bill Clinton, Al Gore, Gro Harlem Brundtland, Nafis Sadik, etc, e posta em prática pela equipa de Kofi Annan desde 1997. É daqui que vêm os vocábulos, frequentemente equívocos, que os políticos – socialistas, a diesel e não só – papagueiam aos microfones: consenso (pensamento único), governação (governo mundial em detrimento das soberanias nacionais), saúde reprodutiva e direito de escolha (aborto, controle da natalidade, homossexualismo, eutanásia), consciência ecológica (igualdade radical, também nos direitos, de todas as formas de vida, cuja totalidade é representada pela Terra, que é sagrada, o grande todo e fonte de toda a vida), o desenvolvimento sustentado, etc. É também daqui que vêm os recentes escândalos de corrupção, de assédio e abuso sexual de que a equipa de Kofi Annan é acusada pelos próprios funcionários da ONU.
O segundo entendimento é protagonizado pelas religiões monoteístas – Judaísmo, Cristianismo e Islamismo: a vida e o mundo como criação e dom do único Deus, perante quem, cada homem, criado à sua imagem e semelhança, é responsável, que se manifesta na vida e na História dos homens com um desígnio salvífico. Dizer que a Igreja quer impôr normas de conduta universal, tal como a ONU também quer, não é mentir, mas é ficar muito aquém. O mais perverso é querer impôr uma ordem social jacobina e ateia, vontade de uma minoria de iluminados, a uma maioria de crentes das religiões monoteístas. Será certamente a eclosão de uma religião terrena e política.
A morte só é uma injustiça para quem não vê mais longe que a caducidade da vida presente. Mas como todos concordam que é inevitável, então não pode ser injustiça, é condição. Há uma maneira inútil de a tentar iludir, que é acreditar na utopia do paraíso terreno: alguns passam a vida inteira a laborar nesse erro. Eu é que não tenho pachorra para ser mainstreamed pelo Kofi Annan.
Manuel Brás
manuelbras@portugalmail.pt
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2004/12/28
Outras guerras além Iraque (VI)
Por fim, as contradições da ideologia onusiana.
1. Direito de escolha para uma só escolha: a deles
Os conceitos de desenvolvimento sustentado e de ambientalismo malthusiano que a ONU e centenas de ONG’s afectas procuram que os governos implementem não admitem alternativas. Ou se faz como eles dizem ou temos o inferno na terra. É irredutível, não há outra possibilidade de escolha. Eles é que sabem as escolhas a fazer pelas Nações.
2. O valor do sufrágio e a inversão do poder: minorias vs maiorias
Sendo duvidoso que nos sistemas democráticos das últimas décadas tenha sido o povo ou a maioria a governar, como têm apregoado os sistemas democráticos, actualmente essa dúvida não existe. O sufrágio hoje serve apenas a legitimação do poder de certas minorias. A maioria já não interessa, a não ser na medida em que legitima o poder das minorias e a elas se submete. A maioria são as escadas por onde sobem as minorias.
3. Democracia não representativa: os não eleitos ao poder
Certas minorias, seja pelo imperativo de um igualitarismo radical, seja pela presunção de uma discriminação sistemática ao longo da História, justificam a tentativa de dirigir o poder para as suas esferas e obrigar a maioria a suportar passivamente os seus interesses e determinações.
O lema é: minorias ao poder.
4. Não discriminação de minorias, exclusão da maioria
É um dado a priori que as minorias são necessariamente discriminadas pela maioria. Não é uma constatação factual genérica. É uma generalização e um ponto de partida, à luz do qual se traça o programa de combate ao influxo cultural e político da maioria. A pretensão é que, em nome da não discriminação, da igualdade e de uma etérea inclusão de valores, como se tudo fosse igual e redutível ao mesmo, as maiorias se abstenham da exigência dos seus interesses e da crítica desfavorável a certas minorias. Afinal, a inclusão leva à exclusão. O caso Buttiglione é por demais eloquente.
5. Contra as identidades, criam-se novas identidades: homossexuais, consumidores de droga, movimentos migratórios.
6. Rejeição da tradição e seus valores, mas cria a sua própria sustentabilidade e tradição.
Rejeição das tradições associadas às religiões monoteístas, entendidas como factores de divisão impeditivos de uma ética planetária e de uma espiritualidade global, assentes numa consciência ecológica que preconiza a igualdade radical de todas as formas de vida e no culto à Terra-Mãe, sagrada, o grande todo e fonte de toda a vida.
7. Ética inclusiva, exclusiva, da família, religiões monoteístas, empresas, soberanias nacionais, que são substituídas, respectivamente, pela família em todas as suas formas, pelas espiritualidades pagãs e politeístas, por ONG’s e pela governação mundial.
8. Qualidade de vida contra a vida
A ideologia da ONU absolutiza o direito ao prazer, forma compreensível de manter as populações amestradas, mas condena o consumismo, como se a escalada pelo prazer como fim último da vida humana não fosse um processo cada vez mais refinado e exigente, compatível com o ideal da vida selvagem em uníssono com a Mãe-Terra.
A ideologia da ONU absolutiza a saúde, mas promove uma cultura de morte. Num momento histórico em que se assiste a um crescente domínio da ciência e da tecnologia, esses recursos são frequentemente canalizados para destruir vidas consideradas inúteis, em vez de as melhorar e conservar: isso sim, seria qualidade de vida.
Os ideólogos da ONU esquecem-se que para haver qualidade de vida é preciso que, primeiro, haja vida.
Manuel Brás
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2004/12/02
Outras guerras além Iraque (V)
(continuação)
Depois de identificar algumas das principais batalhas da guerra civilizacional em curso, que enfrenta duas Europas, duas Américas, duas globalizações – uma espontânea, outra programada –, no fundo, duas visões inconciliáveis de homem, de vida, de mundo, da própria existência, uma materialista e utópica, outra aberta à transcendência e assente no realismo da condição humana, surge a necessidade de criar na Europa um movimento cultural e intelectual, à semelhança do que sucedeu nos EUA durante os últimos anos, para erradicar a ideologia socialista (totalitária) veiculada pela ONU aos governos e aniquilar os seus efeitos nefastos na sociedade europeia.
É urgente e absolutamente necessário fazer emergir a Europa – as Nações europeias – da profunda decadência em que se encontra: decadência demográfica, crise de identidade, profundas divisões culturais e políticas, entre uma Europa de matriz cultural e histórica cristã, embora não confessional, e uma Europa anti-cristã, jacobina, de barrete frígio.
A primeira grande machadada a desferir é chumbar a “Constituição Europeia” pela via referendária. Não precisamos disso para nada. Basta de eurotachos.
Não temos nada a perder em votar NÃO! Tanto faz que se entenda ou não a pergunta. A resposta é sempre NÃO!
Não ao centralismo lúgubre de Bruxelas. Não a um super-estado totalitário que esmaga a soberania, a liberdade e a independência das Nações. Não temos nada a perder votando NÃO! O mais que nos pode acontecer é sermos soberanos, livres e independentes.
Apesar dos principais partidos do sistema aprovarem de cruz a “Constituição”, que vem alimentar a sua clientela, é muito provável que a maior parte das pessoas – apartidários e abstencionistas – chumbe o logro, como aconteceu em outros referenda.
Se a “Constituição” for chumbada estamos perante uma travagem histórica nos planos totalitários da ONU e, consequentemente, da UE, que só tem paralelo com a travagem imposta pela vitória de Bush, contra tudo e contra todos: ONU, UE, comunicação social. Houve 58 milhões de americanos que votaram contra a corrente dos poderes deste mundo, contra o sistema montado para que tudo acontecesse ao contrário.
Os recentes escândalos, desde assédio e abuso sexual a corrupção, que abalaram Kofi Annan e a ONU, pondo em causa a credibilidade e a legitimidade desta estrutura, são um forte revés para as suas pretensões de hegemonia política e ideológica. Afinal de contas o mundo vê, com estupor, todos estes escândalos rebentarem à volta da equipa incumbida de implementar a ética planetária, o direito de escolha, a saúde reprodutiva, a orientação sexual e o desenvolvimento sustentado.
Na América cresce, também entre democratas, a contestação a Kofi Annan e à própria ONU, que nos últimos anos tem ido muito além das incumbências para as quais foi criada. O movimento MoveAmericaForward lançou um spot televisivo com o slogan “Vamos atirar com a ONU para fora dos EUA” e exige uma revisão das contribuições dos EUA para a ONU.
Se a isto juntarmos o chumbo da “Constituição” do barrete frígio, a ONU e a sua ideologia materialista e totalitária sofrem mais um rude golpe, em favor, desta vez, da liberdade das Nações europeias.
Não tenhamos dúvidas: a UE é o cavalo de Tróia da ONU para a Europa.
Manuel Brás
(continua)
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2004/07/30
Novo Governo: muitas perguntas

Álvaro Barreto e Bagão Félix: Não acredito que incumba aos governantes arranjar emprego para quem quer que seja, mesmo que na penosa situação de desemprego. Nem creio que tal promessa – que alguns persistem em fazer – seja possível de cumprir. No entanto, a sua acção governativa pode ser indirecta mas determinante, daí que faça sentido perguntar: serão eles capazes de apontar objectivos exaltantes aos (pequenos, médios e grandes) empresários dos vários sectores da economia nacional ou vamos continuar a acreditar que são os políticos que dirigem os destinos da economia?
Paulo Portas: Será capaz de apetrechar a Marinha e a Força Aérea com os meios necessários à defesa da costa portuguesa e da sua zona económica exclusiva, designadamente do tráfico de droga, de pessoas e do contrabando? Será ele capaz de alargar a acção das Forças Armadas a outros tipos de defesa do território, como a prevenção e o combate aos fogos?
António Monteiro: Alinhará as nossas relações diplomáticas à luz de critérios de soberania, de liberdade e de independência numa União de Nações Europeias? Privilegiará relações com outras nações que repudiam a hegemonia do eixo franco-alemão, como a Inglaterra (nosso mais antigo aliado), a Irlanda, a Itália e a Áustria? Ou será que vai ser cúmplice nessa farsa totalitária que dá pelo nome de Constituição Europeia, através da qual se pretende criar um super-estado de nações juridicamente amordaçadas governado pelo eixo franco-alemão?
Daniel Sanches: Será capaz de combater energicamente a onda de criminalidade que grassa nas áreas urbanas e suburbanas, devolvendo a confiança e a autoridade aos seus agentes e a segurança às populações? Será capaz de combater eficaz e realmente o tráfico de droga e de pessoas mediante vigilância adequada (como poderá ser de outra forma?), inclusivamente nas fronteiras? Será que os agentes da autoridade virão mais para a rua?
José Luís Arnaut: Conseguirá imprimir um estilo de construção habitacional mais ampla destinado a famílias mais numerosas? É uma questão de cultura. Conseguirá fixar objectivos e concitar o empenho das forças vivas locais e regionais, para criar actividades económicas de modo a repovoar o interior? Conseguirá imprimir uma toada de honestidade e transparência entre as edilidades locais, os projectos de construção habitacional e as empresas de construção civil?
José Pedro Aguiar Branco: Será ele que vai iniciar o processo de despolitização/despartidarização da justiça e dos tribunais, devolvendo-lhes a independência e a credibilidade que tanto lhes falta? Será ele que vai impedir que processos, como o da pedofilia na Casa Pia, fiquem em águas de bacalhau, quando tudo se parece encaminhar para a conclusão de que afinal não foi ninguém? Será ele, enfim, que vai mudar o Ministério da Justiça?
Carlos Costa Neves: Continuaremos nós, portugueses, a confundir agricultura, pescas e floresta com subsídios? Será que existem objectivos e prioridades concretas para orientar e dinamizar a actividade dos agricultores, proprietários rurais e pescadores? Será que existe um plano de reflorestação do território com espécies autóctones (castanheiro, carvalho, pinheiro, sobreiro, azinheira,...) ou vamos continuar a assistir à cavalgada do eucalipto? Será que existe um plano exequível de limpeza e protecção das florestas?
Maria do Carmo Seabra: Conseguirá ela acalmar a fúria de reformas curriculares dos últimos anos? Será ela que vai mudar o Ministério da Educação para que o ensino possa mudar? Conseguirá ela convencer um novo ministério da educação de que, melhor que fazer reformas à toa, o que se deve fazer é cumprir com competência os programas em vigor? Será ela que vai conseguir que o Estado trate equitativamente o ensino estatal e o ensino particular e cooperativo? Conseguirá desideologizar o ensino estatal e a fazer com que o ME reconheça a primazia das famílias na educação dos seus filhos?
Maria da Graça Carvalho: Conseguirá agilizar e rentabilizar os recursos e o trabalho dos bons investigadores que por cá existem? Conseguirá ela deter a fuga de cérebros? Será ela que vai fazer a ponte entre o que se ensina nas universidades e as necessidades do mercado de trabalho e das empresas? Reajustará o número de vagas do ensino superior às reais necessidades do mercado de trabalho, como por exemplo nos cursos de medicina, enfermagem e afins?
Luís Filipe Pereira: Será desta que o Estado salda as dívidas a farmácias, clínicas e laboratórios de análises? Tornar-se-á o serviço público de saúde mais organizado e menos dispendioso? Porque será que, no serviço público, exceptuando o caso de urgências, muitos médicos, ou quase todos, só estão uma parte do dia (por exemplo, de manhã) ao serviço? Será possível, assim, dar vazão às listas de espera? Será desta que os serviços públicos se articularão com os privados, de tal forma que se garanta o mais importante: que as pessoas sejam atendidas de forma competente, independntemente do serviço ser público ou privado? Será ele capaz de superar o dogma de que o serviço público é que é bom, mesmo que seja deficiente e dispendioso, e o privado não presta, mesmo que funcione melhor e mais barato?
Fernando Negrão: Haverá sensibilidade para a falência do sistema de segurança social que se aproxima com o envelhecimento da população? Será ele a cortar com as despesas do fundo de desemprego? Porá em prática uma política de incentivo à natalidade de tal forma que, no mínimo, se consiga renovar as gerações? Haverá aumentos de abono de família e prémios à natalidade? Ou continuarão a ser penalizados os casais que têm filhos? Será desta que o trabalho (a tempo inteiro ou parcial) das mães de família em casa – administradoras do lar – é contabilizado para efeitos de pensão de reforma? Terá ele a coragem de endurecer as leis anti-pedofilia até aos 18 anos?
Maria João Bustorff: Será ela que vai acabar com a cultura subsidiodependente, verdadeiro sorvedouro de subsídios? Será ela que vai valorizar realmente os artistas das várias artes que plasmam os sinais e imagens de Portugal? Será ela que vai requalificar tanto património artístico e cultural descuidado, fazendo disso ocasião de reencontro entre os portugueses e a sua História e Cultura?
Luís Nobre Guedes: Será ele capaz de levar às indústrias uma mentalidade de efluente zero? Será ele capaz de comprometer os pequenos, médios e grandes industriais numa política de tratamento total de resíduos? Conseguirá proporcionar os meios adequados para a recolha e tratamento de resíduos urbanos e industriais em todo o País?
Pedro Santana Lopes – Cabe-lhe a espinhosa missão de evitar aquilo que já começou a acontecer: os sinais de caos e de improviso, num governo em que parece que primeiro se escolhem os ministros e depois vamos lá ver onde é que os encaixamos. Para que este governo seja, de facto, uma nova página na História de Portugal e uma nova geração de governantes que surge à cena, o Primeiro Ministro tem que garantir que todos serão capazes de superar divergências pessoais e ter como objectivo máximo a unidade e a sintonia com a sociedade civil – a Nação, no fim de contas – que esta oportunidade histórica de virar página lhes depara.
Oxalá estejam à altura disso.
Ao Dr. Pedro Santana Lopes desejo, sinceramente, as maiores felicidades nessa árdua tarefa.
Manuel Brás
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2004/02/27
Um imperativo nacional de primeira ordem. Pela cultura de vida, contra a cultura de morte — Tendências e soluções.
Tudo continua inquietante, nessas tendências, claro! — escrevi num poste anterior.
Que concluir? — perguntei no fim.
Primeiro: que nem tudo é inquietante.
É positiva a melhoria prevista da esperança de vida, que prolongando a vida de muitos, preenche lugares vagos deixados pelos que não chegaram a nascer.
E note-se que não são seres inválidos ou menos inválidos aqueles “idosos” cuja vida é prolongada pela melhoria generalizada dos cuidados de saúde: pode tratar-se, e trata-se muitíssimas vezes, de gente na força da vida, na plenitude do seu discernimento e da experiência, com perfeita solidez de julgamento e do poder de decisão, gente mais criativa e mais serena que o geral.
É também muito positiva a diminuição, que se poderia chamar drástica, da taxa de mortalidade infantil, ou mortalidade no 1º ano de vida: sendo menos os que nascem, em parte isso é compensado por serem também menos os que morrem.
É ainda positivo que a taxa de fertilidade (filhos por mulher) prevista para 2050 (1,7) seja superior, embora ligeiramente e de modo insuficiente, à taxa de 2002.
Como se poderia melhorar essa taxa?
É também por isso que as lutas contra a mentalidade abortista e pelo sentido das responsabilidades; e contra as condições que levam muitas mulheres ao aborto são tão importantes.
VITAIS!
Mas também é positivo que hoje se valorize, entre nós, a imigração como factor positivo de crescimento social e económico, para lá dos factores de risco conflitual e de retrocesso social e económico que também apresenta.
Igualmente me parece positivo o crescimento acentuado de nascimentos de mães mais velhas, entre os 35/39 anos, entre os 40/44 e até entre os 45/49 anos.
Estes os lados positivos revelados pelo relatório.
E os lados negativos?
O decréscimo populacional futuro, aparentemente considerado facto assente, antes de tudo o mais. Por isso impõe-se — para ser ainda evitado — que se valorizem ao máximo todos os factores positivos sublinhados acima.
É também lado negativo aquilo que o relatório conta do aumento do número de crianças nascidas fora do matrimónio, que em 2002 já representou 25,2% do total das crianças nascidas.
Mas será um facto tão negativo como isso, dum ponto de vista dominantemente demográfico?
Já o crescimento do número de filhos de mães solteiras adolescentes oferecerá menos dúvidas.
Enfim, se apesar de tudo os lados positivos sobrelevam em número os negativos, o dado certo é que, saldo feito, tudo aponta na mesma para o decréscimo fatal da população.
Todos os governos têm de encarar isso como o problema dos problemas que o País enfrenta.
Limites da imigração e vistas largas, aconselham-se.
Política escolar de assimilação dos imigrantes, isto é, boas escolas para eles, em vez do refugo, pelo menos para os filhos de imigrantes capazes de aprender como qualquer português, sem se obrigar os filhos dos Portugueses a aprenderem menos e pior para não se distanciarem dos menos bons.
Quanto aos outros aspectos positivos salientados, são precisas decisões que os favoreçam e incentivem.
Em resumo e conclusão final.
Precisa-se de uma política de natalidade e de forte discriminação positiva a favor das famílias numerosas.
Ou seja, precisamos duma política realmente natalista de natalidade.
Precisamos dum Portugal não despovoado de Portugueses.
A.C.R.









