2012/06/12
Vatileaks: conseguirá Bento XVI pôr a Igreja na ordem?
A fuga de informações e documentos confidenciais não é um exclusivo do Vaticano. Países como os EUA e outros países das suas relações, entre eles Portugal, também foram visados no wikileaks. De resto, Portugal não se pode rir de nada disto, porque antes já cá teve casos de pedofilia quanto baste e, mais recentemente, fugas de informação nos serviços secretos, espiões e confusões... Tudo laico.
Porquê o Vatileaks? O que se pretende com isto? Afastar pessoas do governo da Igreja? Condicionar ou preparar a eleição do próximo Papa? Tentar tornar a Igreja ingovernável a Bento XVI? Sabotar Bento XVI?
Para lançar alguma luz no meio da escuridão, um interessante artigo de Juan Manuel de Prada:
http://www.religionenlibertad.com/articulo.asp?idarticulo=22845
En los últimos meses llegan del Vaticano noticias que parecen novelerías urdidas por un discípulo aventajado de Dan Brown: la filtración de documentos confidenciales que desvelan tramas non sanctas, la destitución del presidente de la banca vaticana, la detención del mayordomo del Papa, sospechoso de remejer en los propios aposentos papales... Inevitablemente, uno recuerda aquella célebre y terrible frase de Pablo VI, pronunciada el 30 de junio de 1972: «Por alguna rendija se ha introducido el humo de Satanás en el templo de Dios». Que ese humo se haya colado hasta en los Palacios Apostólicos resulta, en verdad, estremecedor, un motivo de escándalo que regocija a los enemigos de la Iglesia y que a los católicos conscientes nos acongoja; pues no en vano somos miembros de un mismo cuerpo cuya cabeza visible está sufriendo continuas asechanzas. Aquí vendría al pelo aquella invocación a San Miguel Arcángel que León XIII introdujo hace más de un siglo al final de la misa, después de padecer una visión horrible en la que las huestes infernales se concentraban sobre la ciudad de Roma; oración que, misteriosamente, fue suprimida de la liturgia, para hacer sitio a los buenrrollismos y delicuescencias postconciliares.
En las visiones del Apocalipsis se nos habla de dos mujeres: la mujer parturienta, vestida con el sol de la fe; y la gran ramera con la que han fornicado los reyes de la tierra. Ambas representan la religión en sus dos extremos: la religión fiel, que sirve a la Iglesia, y la religión corrompida, que se sirve de ella, entremezcladas como el trigo y la cizaña. «Fornicar con los reyes de la tierra», en el lenguaje bíblico, significa codiciar los bienes transitorios, camandulear, entablar alianzas con el poder terreno, amalgamar el Reino de Dios y el mundo. Cuando San Juan contempla a la gran ramera, que lleva grabada en la frente la palabra Misterio, confiesa su asombro; y es que, en efecto, hasta al hombre que le habían sido revelados los arcanos más ocultos le espantaba este enigma de la religión adulterada. También nos asombra y espanta a nosotros; pero sabemos que este misterio forma parte de la Iglesia, santa y meretriz a un tiempo: y ambas, la santa y la meretriz, conviven en lazo inextricable hasta el momento de la siega, en el que por fin serán separadas. Cuándo se produzca esa separación o juicio definitivo no lo sabemos; sí sabemos, en cambio, que ese juicio vendrá precedido por una gran tribulación, «la mayor desde el diluvio», producida por la peor de las corrupciones, que es la corrupción de lo óptimo. Pero aun en los momentos más duros de la gran tribulación, hasta cuando el misterio de iniquidad se haya introducido en el templo, perseverarán unos pocos fieles, con su cabeza visible al frente, sobre los que caerá la más furiosa de las persecuciones. Y, aun en medio de esta persecución feroz, «Dios mantendrá sus promesas acerca de la infalibilidad de la doctrina en el Magisterio Supremo; aun cuando todo parezca anochecido, brillará esa luz», escribe Leonardo Castellani.
Nadie padece tanto por causa de esta religión adulterada como el Papa, a quien vemos rodeado de camanduleros y corruptos. Lo estamos viendo en estos días, bulliciosos de intrigas vaticanas; lo estamos viendo, en realidad, desde que comenzara este pontificado, hostigado por escándalos que tienen su fuente en el interior de la propia Iglesia. En esta hora difícil, en la que el humo del que hablara Pablo VI parece anochecerlo todo, la naturaleza martirial de la Iglesia fiel, con Benedicto XVI al frente, brilla más que nunca. Que San Miguel Arcángel lo defienda en la lucha.
Etiquetas: Bento XVI
Só uma achega
O Evangelho da Missa da IX semana do Tempo Comum, iniciada a 3 de Junho (Mateus 28, 16-20) relata o seguinte:
"Undecim autem discipuli abierunt in Galilaeam, in montem ubi constituerat illis Iesus, et videntes eum adoraverunt; quidam autem dubitaverunt. Et accedens Iesus locutus est eis dicens: «Data est mihi omnis potestas in caelo et in terra. Euntes ergo docete omnes gentes, baptizantes eos in nomine Patris et Filli et Spiritus Sancti, docentes eos servare omnia, quaecumque mandavi vobis. Et ecce ego vobiscum sum omnibus diebus usque ad consummationem saeculi»".
"Os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha designado. Ao verem-No, adoraram-No, mas houve alguns que duvidaram. Aproximou-Se Jesus e falou-lhe nestes termos: «Foi-Me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois, ensinai todas as gentes, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-as a observar tudo o que vos mandei. Sabei que Eu estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos»".
Como é possível que pessoas que passam a vida com a Bíblia na mão, em riste, venham depois negar que Jesus Cristo seja Deus e defender que a Trindade divina é uma invenção humana pós-apostólica? Então, porque é que os onze apóstolos adoraram Cristo? Terão cometido um acto de idolatria, adorando alguém que não é Deus? Se a Trindade divina é uma invenção humana pós-apostólica, sem qualquer registo bíblico, como é que Jesus Cristo manda baptizar em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo?
Como é possível que, após este relato, existam pessoas, algumas dizendo-se cristãs e até com pretensões teológicas, neguem o carácter apostólico, missionário, evangelizador - como quiserem chamar - do Cristianismo e, por isso, da Igreja?
manuelbras@portugalmail.pt
Etiquetas: Bento XVI, João Paulo II
2011/09/05
Subsídio para o multiculturalismo
«Não sou criminosa, não fiz nenhum mal. Fui julgada por ser cristã. Creio em Deus e no seu enorme amor. Se o juiz me condenou à morte por amar a Deus, terei orgulho em sacrificar a minha vida por ele»conta o advogado desta paquistanesa, que cita textualmente as declarações de Asia Bibi gravadas no telemóvel.
Há tres meses, numa visita à prisão onde esperava julgamento, Bibi contou que o juiz Muhamed Naveed Iqbal «entrou na cela e deu-lhe a oportunidade de se converter ao Islão para ser libertada. Asia respondeu ao juiz que preferia morrer cristã do que fazer-se muçulmana para sair da prisão».
Tudo começou com um copo de água...
Em Junho de 2009 mandaram a camponesa Asia Bibi, mãe de 5 filhos, buscar água enquanto trabalhava no campo. Outras mulheres protestaram pois, não sendo ela muçulmana, contaminaria o recipiente tornando-o impuro. Exigiram-lhe que abandonasse a fé cristã e se convertesse ao Islão, e ela opôs-se.
Em sua defesa respondeu às companheiras que "Cristo morreu na cruz pelos pecados da humanidade", e perguntou às mulheres que tinha feito Maomé por elas. Ao ouvir estas palavras, recorreram ao imã do lugar, marido de uma delas, que denunciou Asia Bibi à polícia pelo delito de blasfémia. O artº 295 do Código Penal do Paquistão pune com a morte a blasfémia contra o profeta do Islão.
Entretanto, assassinados 2 defensores de Asia Bibi;
um rapto
Em Janeiro de 2011, no Mercado Kohsar de Islamabad, o Governador do Punjab, Salman Taseer, foi assassinado por um elemento da sua segurança, Malik Mumtaz Hussein Qadri, por defender Asia Bibi, e por se opor à lei da blasfémia.
Em Março de 2011, o ministro das Minorias, Shabbaz Bhatti, o único cristão do governo do Paquistão, também foi assassinado pela sua posição sobre as leis da blasfémia. Foi morto a tiro numa emboscada perto da sua residência.
Na sexta-feira passada o filho de Shabbaz Bhatii, foi raptado em Lahore, no leste do Paquistão, informou a polícia e a família.
Bento XVI intervém
Grupos cristãos - católicos e protestantes - tentam evitar a morte de uma pessoa inocente. Os bispos do Paquistão pediram ao Papa que medeie o conflito.
O Papa Bento XVI pediu o indulto para Asia Bibi. Ela reconheceu sentir-se "honrada" com o apelo de Bento XVI e declarou que "é um privilégio saber que falou dela e que segue o caso pessoalmente" e espera "viver o suficiente para poder agradecê-lo em pessoa".
Toda a história num livro
Anne-Isabelle Tollet, repórter do canal televisivo francês France 24 tornou livro a história de Asia Bibi, agora publicado em português com o título "Blasfémia - Condenada à morte por um copo de água".
A Fundação AIS - Ajuda à Igreja que Sofre, apoia a divulgação deste livro. No ano passado, o Bispo Auxiliar de Lahore, no Paquistão, D. Sebastian Shawesteve em Portugal, a convite da Fundação AIS e deu o seu também impressionante testemunho sobre a realidade da perseguição e as dificuldades por que passam os cristãos naquele país de maioria muçulmana.
A Fundação AIS tem presente uma grande campanha de apoio a Asia Bibi e a todos os cristãos perseguidos pela sua fé. Trata-se de uma acção que visa recolher apoios materiais para estas comunidades religiosas, mas também de apelo à oração.
Autora lança o livro em Lisboa
7 de Setembro às 18h30 na livraria Aletheia, Rua do Século, nº 13 - no Bairro Alto, em Lisboa.
Fontes:
http://www.libertaddigital.com/mundo/prefiero-morir-como-cristiana-en-la-horca-que-salir-de-prision-siendo-musulmana-1276407149/
http://www.larazon.es/noticia/3501-si-te-conviertes-al-islam-te-perdonaremos-la-vida
http://es.wikipedia.org/wiki/Asia_Bibi
http://www.publico.pt/Mundo/raptado-filho-do-governador-de-punjab-assassinado-este-ano_1509296
PS Quantos cristãos desta Europa decadente têm a coragem para enfrentar o politicamente correcto que Asia Bibi teve para enfrentar os seus acusadores?
Etiquetas: Asi Bibi, Bento XVI, Em defesa do Ocidente
2011/08/11
Notícias de Madrid
Ya es oficial.
No se autoriza en la Puerta del Sol la manifestación, pero se autoriza en Lavapiés. Una manifestación organizada con el único propósito de hostigar a los miles de peregrinos que en los próximos días disfrutarán de la Jornada Mundial de la Juventud y de Madrid, paseando por el centro de la ciudad, haciendo compras o visitando nuestros monumentos.
Más de 22.000 personas hemos firmado, en menos de 24 horas, la alerta de HO para pedir a la delegada que no autorice este acto de provocación y repudio a la comunidad católica, por parte de los intolerantes de siempre.
Si has apoyado con tu firma esta alerta, ¡gracias! Y si aún no lo has hecho, aún hay razones para firmarla.
Pincha en el siguiente enlace para pedir a la delegada del Gobierno que haga cumplir su resolución y evite una manifestación anti-Papa en Madrid el próximo 17 de agosto.
http://www.hazteoir.org/firma/40580-firma-yo-si-espero-benedicto-xvi
La delegada ha comunicado a los organizadores de la manifestación que, “por razones de seguridad” solo podrán concentrarse en el barrio de Lavapiés. Si quieren expresar su odio y su intolerancia, allí podrán hacerlo.
Madrid no es de los intolerantes. No es una ciudad para repudiar y acosar a nadie. Madrid es una ciudad abierta y alegre. Los vecinos y los peregrinos de la JMJ tenemos derecho a pasear libremente por la Puerta del Sol y a disfrutar en paz y con alegría de nuestra fe, junto al Santo Padre.
Se trata de algo básico: libertad y respeto. Pero hay una minoría extremista que no lo acepta de buen grado. Ya han anunciado que no acatarán la decisión de la delegada del Gobierno y seguirán adelante con su plan de “tomar” la Puerta del Sol la víspera de la llegada del Papa Benedicto XVI.
Si aún no has firmado la alerta de HO, hazlo ahora. Pide a la delegada del Gobierno en Madrid, señora Dolores Carrión, que impida la celebración de la "manifestación anti-Papa" y ponga todos los medios para que los vecinos de Madrid y los pereginos disfruten de una JMJ abierta, alegre y segura.
Pincha en el siguiente enlace para enviar tu petición.
http://www.hazteoir.org/firma/40580-firma-yo-si-espero-benedicto-xvi
Los convocantes de esta manifestación anti-Papa son, entre otros, la "Asociación madrileña de ateos y librepensadores" y "Europa Laica". Ambas entidades convocaron la "procesión atea" del Jueves Santo que finalmente se celebró el 13 de mayo. HazteOir.org estuvo en la "manifestación atea" del 13 de mayo y grabó un vídeo en el que se puede comprobar hasta qué punto el único objetivo de los convocantes es ofender a los cristianos.
Assim vai a tolerância no Reino de Espanha. Pelos vistos existe um grupo de privilegiados com direito ao ódio e à intolerância: são os tolerantes.
manuelbras@portugalmail.pt
Etiquetas: Bento XVI
2011/08/10
A intolerância dos tolerantes
A próxima visita de Bento XVI a Madrid, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), de 16 a 21 de Agosto, proporciona a ocasião para os “indignados” do movimento 15M se destacarem em manifestações hostis ao Papa e aos cristãos, durante a JMJ, e assim ganharem palco gratuitamente, mas também serve para ver quais são os seus intentos e quem os manobra.
Há movimentações e petições para impedir essas manifestações hostis ao abrigo da legislação que, supostamente, defende a liberdade religiosa em actos públicos. Com qualquer outro grupo religioso, político ou social, esses actos de hostilidade previstos seriam vistos e entendidos como de provocação e incitação ao ódio. Mas como agora o alvo são os cristãos e o Papa, se calhar o Governo de Madrid já não entende assim. Vamos ajudá-los a entender assim. Para isso, clicar e preencher o breve formulário:
http://www.hazteoir.org/firma/40580-firma-yo-si-espero-benedicto-xvi
Como justificam os “indignados” a manifestação anti-Papa?
Ahora, la minoría intolerante quiere hacerse notar con motivo de la Jornada Mundial de la Juventud, en la que son esperados en Madrid entre uno y dos millones de peregrinos de todo el mundo, del 16 al 21 de agosto próximos.
Esto es lo que acordaron en la "asamblea" que se celebró en la Puerta del Sol el pasado viernes (copiamos directamente del acta de la asamblea):
. Que dentro de las movilizaciones convocadas, se incluya una manifestación en la que todas vayan disfrazadas de bebés, para protestar contra la pederastia dentro del mundo eclesiástico.
. Que las asambleas de barrios y ciudades de la periferia se organicen para ocupar los colegios públicos cedidos gratuitamente para su uso en las jornadas.
. Boicot a las empresas financiadoras de la JMJ; el listado se puede encontrar en la web de las jornadas en la sección de patrocinadores, siguiendo este enlace: http://www.madrid11.com/es/patrocinadores
. Repetir una acción que se hizo en Barcelona durante la visita del Papa, convocando a todo el mundo a reivindicar los derechos del colectivo LGTB besándose en la calle a su paso.
. Ya hay convocada una manifestación “En contra de la financiación de la visita del Papa” para el día 17.08.2011 a las 19:30, más info en www.cuerposfeministaslaicos.wordpress.com
Pide a la delegada del Gobierno en Madrid, señora María Dolores Carrión Martín, que aplique la Ley, garantice la libertad de las personas para disfrutar pacíficamente de la JMJ y deniegue la autorización a una manifestación que promueve el odio y la intolerancia por motivos religiosos.
Envía tu petición, ahora, pinchando aquí:
http://www.hazteoir.org/firma/40580-firma-yo-si-espero-benedicto-xvi
Este post é dedicado de modo especial aqueles que, por ingenuidade ou maldade, afirmam que a Igreja e os cristãos não têm inimigos.
Odiá-los? Nem pensar. Essa é a lógica deles.
Mas estudá-los e tê-los debaixo de olho? Isso sim.
manuelbras@portugalmail.pt
Etiquetas: Bento XVI
2010/09/14
Enfrentar o mundo

É aquilo que podemos dizer que Bento XVI vai fazer de 16 a 19 de Setembro ao Reino Unido e que terá como ponto alto a beatificação de John Henry Newman – outro homem que não teve medo de enfrentar o mundo – em Birmingham.

http://www.mercatornet.com/articles/view/a_man_of_endless_controversy/
Será, sem dúvida, uma viagem polémica, como polémicas se tornaram as viagens de João Paulo II. Os cristãos não podem ter medo da polémica nem de enfrentar o mundo. O Cristianismo desassossega: o sentido da vida, da morte, a vida eterna, são temas que desassossegam as utopias do paraíso terreno, do utilitarismo, da moral sanitária e da pretensão de dominar o futuro. A polémica tem que servir para unir os cristãos, os verdadeiros cristãos, que só têm que dar razão da sua esperança e enfrentar um mundo que não tem esperança, porque a esperança não se sustenta no que é efémero e caduco.
Esperança e martírio, porque hoje há certa imprensa que é instrumento de martírio. Para quê usar bombas e armas de fogo quando existe certa imprensa?
Enfrentar o mundo… e os seus principezinhos.
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/travels/2010/index_regno-unito_po.htm
http://www.thepapalvisit.org.uk/
http://protectthepope.com/
manuelbras@portugalmail.pt
Etiquetas: Bento XVI
2010/07/13
Até que seja obrigatório
Muitas pessoas pensavam, ingenuamente, que após a equiparação legal de práticas homossexuais ao casamento cada um seguiria o seu caminho, sem que ninguém tivesse nada com isso, poderia divulgar livremente as suas convicções sem ser afrontado ou perseguido por isso…
Puro engano. Isso não é assim para todos. Só para alguns. Querem ver?
Um professor da Universidade de Illinois foi despedido por explicar aos alunos porque as práticas homossexuais são imorais à luz do Cristianismo.
Não é que cá em Portugal isto não pudesse acontecer. Talvez não haja é muitos professores com a coragem deste, embora haja alguns, para que isto pudesse acontecer. De resto, é bem provável que o professor em questão não tenha grande dificuldade em arranjar outro trabalho e que encontre apoio moral e solidariedade da parte da sociedade civil americana.
http://www.foxnews.com/us/2010/07/09/university-illinois-instructor-fired-catholic-beliefs/
Por outro lado, um grupo de jovens cristãos coerentes – por contraste com alguns “políticos-católicos” que em Portugal se entretêm a desacreditar o Papa e a Igreja – impediu que um grupo de homossexuais profanasse a catedral de Lyon (França). Para gente tão pacifista, não está nada mal, não senhor. Decididamente a Igreja não precisa de atacar o lobby gay, porque é o lobby gay que ataca a Igreja.
http://www.religionenlibertad.com/articulo.asp?idarticulo=9354
Após o recrutamento de carne fresca através da “educação sexual” obrigatória em “meio escolar” e da adopção de crianças por homossexuais, só falta mesmo ser obrigatório.
“Give me a dozen healthy infants, well-formed, and my own specified world to bring them up in and I'll guarantee to take any one at random and train him to become any type of specialist I might select – doctor, lawyer, artist, merchant-chief and, yes, even beggar-man and thief, regardless of his talents, penchants, tendencies, abilities, vocations, and race of his ancestors. I am going beyond my facts and I admit it, but so have the advocates of the contrary and they have been doing it for many thousands of years”. [John B. Watson; Behaviorism (1930), p. 82]
Etiquetas: Bento XVI, Em Defesa da Vida, Ensino
2010/05/20
Bento XVI em Portugal: notas e flashes
As palavras de Bento XVI que mais marcaram a visita a Portugal talvez não tenham sido pronunciadas em território nacional, mas a bordo do avião que o trouxe. Para dizer aquilo que ele e muitos outros, desde há décadas, já sabiam: a principal perseguição à Igreja não vem de fora, mas de dentro.
É dessa perseguição interna, apresentada como reforma e simulacro de renovação, que vem a podridão, a confusão e a tentativa de destruir a Igreja por dentro.
Eles perceberam que só com a guerra por fora não vão lá. O projecto de destruir a Igreja em duas gerações não funcionou. Assim, tentam destruí-la por dentro. Não a podendo erradicar exteriormente, o projecto passa a ser adulterar os seus meios e fins, transformando a Igreja numa organização dirigida como se fosse uma empresa, um partido político, a UE ou a ONU, e sujeita às orientações ideológicas da moda.
É curioso que essa gente impõe como solução para a Igreja aquilo que são, na verdade, os seus problemas.
Há pedofilia na Igreja? Então façam-se saldos na moral sexual, porque a Igreja tem que se abrir ao mundo. Abriu-se ao mundo, sim senhor. E de que maneira...
A visita de Bento XVI a Portugal foi um sucesso no que toca à recepção, organização e comunicação. E foi um sucesso porque tudo foi feito com profissionalismo e máxima competência, coisas nem sempre bem vistas e valorizadas por cá. A imagem negativamente "construída" pelos media durante 5 anos caiu em 4 dias.
Mas, não nos iludamos. No que toca às mentalidades e convicções dos portugueses estes 4 dias não trouxeram, por si só, qualquer mudança. A indigência espiritual dos portugueses, em particular dos políticos "católicos", continua. Será preciso dar exemplos?
As necessidades da Igreja e do Cristianismo de esclarecer mentalidades, fortalecer convicções e comunicar a sua real identidade, sem medos nem complexos, permanecem objectivos prioritários.
Estes 4 dias podem é ter alimentado a coragem para fazer o que deve ser feito.
A bordo do avião
(…) Por outro lado, a presença do secularismo não é uma coisa totalmente nova. A dialética entre secularismo e fé tem uma longa história em Portugal. Já no século XVIII há uma forte presença do Iluminismo, basta pensar no nome Pombal. Assim, vemos que Portugal viveu sempre, nesses séculos, na dialética que, naturalmente hoje, se radicalizou e se mostra com todos os sinais do espírito europeu de hoje. E, este me parece um desafio e uma grande possibilidade. Nesses séculos de dialética entre Iluminismo, secularismo e fé, nunca faltaram pessoas que quiseram estabelecer pontes e criar um diálogo, ainda que, infelizmente, a tendência dominante foi a da contraposição e da exclusão de um e de outro. Hoje vemos que justamente esta dialética é uma chance; que devemos encontrar uma síntese e um diálogo profundo e de vanguarda. Na situação multicultural na qual estamos todos, vê-se que uma cultura européia que fosse unicamente racionalista não possuiria a dimensão religiosa transcendente; não seria capaz de entrar em diálogo com as grandes culturas da humanidade, que possuem, todas elas, esta dimensão religiosa transcendente, que é uma dimensão do ser humano. Portanto, pensar que existiria uma razão pura, anti-histórica, só existente em si mesma, e que esta seria "a" razão, é um erro; descobrimos cada vez mais que esta toca somente uma parte do homem, expressa uma certa situação histórica, mas não é a razão como tal. A razão, como tal, está aberta à transcendência e só no encontro entre a realidade transcendente, a fé e a razão que o homem encontra-se a si mesmo. Assim, penso que a tarefa e a missão da Europa nesta situação é justamente encontrar este diálogo, integrar a fé e a racionalidade moderna numa única visão antropológica, que completa o ser humano e torna, desse modo, também comunicáveis as culturas humanas. Por isso, diria que a presença do secularismo é algo normal, mas a separação, a contraposição, entre secularismo e cultura da fé é anômala e deve ser superada. O grande desafio deste momento é que ambos se encontrem e, desse modo, achem a sua verdadeira identidade. Como eu disse, esta é uma missão da Europa e uma necessidade humana nesta nossa história.(…)
(…) A novidade que podemos descobrir hoje, nesta mensagem, reside também no facto de que os ataques ao Papa e à Igreja vêm não só de fora, mas que os sofrimentos da Igreja vêm justamente do interior da Igreja, do pecado que existe na Igreja. Também isso sempre foi sabido, mas hoje o vemos de um modo realmente terrificante: que a maior perseguição da Igreja não vem de inimigos externos, mas nasce do pecado na Igreja, e que a Igreja, portanto, tem uma profunda necessidade de re-aprender a penitência, de aceitar a purificação, de aprender por um lado o perdão, mas também a necessidade de justiça. O perdão não substitui a justiça. Em uma palavra, devemos re-aprender precisamente estas coisas essenciais: a conversão, a oração, a penitência e as virtudes teologais. Assim respondemos que somos realistas ao esperar que o mal ataca sempre; ataca do interior e do exterior, mas que também as forças do bem estão presentes e que, no final, o Senhor é mais forte do que o mal, e Nossa Senhora é para nós a garantia visível, materna, da bondade de Deus, que é sempre a última palavra na história.
No Terreiro do Paço (Lisboa)
(…) Sabemos que não lhe faltam filhos insubmissos e até rebeldes, mas é nos Santos que a Igreja reconhece os seus traços característicos e, precisamente neles, saboreia a sua alegria mais profunda. Irmana-os, a todos, a vontade de encarnar na sua existência o Evangelho, sob o impulso do eterno animador do Povo de Deus que é o Espírito Santo. Fixando os seus Santos, esta Igreja local concluiu justamente que a prioridade pastoral hoje é fazer de cada mulher e homem cristão uma presença irradiante da perspectiva evangélica no meio do mundo, na família, na cultura, na economia, na política. Muitas vezes preocupamo-nos afanosamente com as consequências sociais, culturais e políticas da fé, dando por suposto que a fé existe, o que é cada vez menos realista. Colocou-se uma confiança talvez excessiva nas estruturas e nos programas eclesiais, na distribuição de poderes e funções; mas que acontece se o sal se tornar insípido?
Para isso é preciso voltar a anunciar com vigor e alegria o acontecimento da morte e ressurreição de Cristo, coração do cristianismo, fulcro e sustentáculo da nossa fé, alavanca poderosa das nossas certezas, vento impetuoso que varre qualquer medo e indecisão, qualquer dúvida e cálculo humano. A ressurreição de Cristo assegura-nos que nenhuma força adversa poderá jamais destruir a Igreja. Portanto a nossa fé tem fundamento, mas é preciso que esta fé se torne vida em cada um de nós. Assim há um vasto esforço capilar a fazer para que cada cristão se transforme em testemunha capaz de dar conta a todos e sempre da esperança que o anima (cf. 1 Pd 3, 15): só Cristo pode satisfazer plenamente os anseios profundos de cada coração humano e responder às suas questões mais inquietantes acerca do sofrimento, da injustiça e do mal, sobre a morte e a vida do Além. (…)
Encontro com o mundo da cultura (Belém, Lisboa)
(…) De facto, a cultura reflecte hoje uma «tensão», que por vezes toma formas de «conflito», entre o presente e a tradição. A dinâmica da sociedade absolutiza o presente, isolando-o do património cultural do passado e sem a intenção de delinear um futuro. Mas uma tal valorização do «presente» como fonte inspiradora do sentido da vida, individual e em sociedade, confronta-se com a forte tradição cultural do Povo Português, muito marcada pela milenária influência do cristianismo, com um sentido de responsabilidade global, afirmada na aventura dos Descobrimentos e no entusiasmo missionário, partilhando o dom da fé com outros povos. O ideal cristão da universalidade e da fraternidade inspiravam esta aventura comum, embora a influência do iluminismo e do laicismo se tivesse feito sentir também. A referida tradição originou aquilo a que podemos chamar uma «sabedoria», isto é, um sentido da vida e da história, de que fazia parte um universo ético e um «ideal» a cumprir por Portugal, que sempre procurou relacionar-se com o resto do mundo.
A Igreja aparece como a grande defensora de uma sã e alta tradição, cujo rico contributo coloca ao serviço da sociedade; esta continua a respeitar e a apreciar o seu serviço ao bem comum, mas afasta-se da referida «sabedoria» que faz parte do seu património. Este «conflito» entre a tradição e o presente exprime-se na crise da verdade, pois só esta pode orientar e traçar o rumo de uma existência realizada, como indivíduo e como povo. De facto, um povo, que deixa de saber qual é a sua verdade, fica perdido nos labirintos do tempo e da história, sem valores claramente definidos, sem objectivos grandiosos claramente enunciados. Prezados amigos, há toda uma aprendizagem a fazer quanto à forma de a Igreja estar no mundo, levando a sociedade a perceber que, proclamando a verdade, é um serviço que a Igreja presta à sociedade, abrindo horizontes novos de futuro, de grandeza e dignidade. Com efeito, a Igreja «tem uma missão ao serviço da verdade para cumprir, em todo o tempo e contingência, a favor de uma sociedade à medida do ser humano, da sua dignidade, da sua vocação. […] A fidelidade à pessoa humana exige a fidelidade à verdade, a única que é garantia de liberdade (cf. Jo 8, 32) e da possibilidade dum desenvolvimento humano integral. É por isso que a Igreja a procura, anuncia incansavelmente e reconhece em todo o lado onde a mesma se apresente. Para a Igreja, esta missão ao serviço da verdade é irrenunciável» (Bento XVI, Enc. Caritas in veritate, 9). Para uma sociedade composta na sua maioria por católicos e cuja cultura foi profundamente marcada pelo cristianismo, é dramático tentar encontrar a verdade sem ser em Jesus Cristo. Para nós, cristãos, a Verdade é divina; é o «Logos» eterno, que ganhou expressão humana em Jesus Cristo, que pôde afirmar com objectividade: «Eu sou a verdade» (Jo 14, 6). A convivência da Igreja, na sua adesão firme ao carácter perene da verdade, com o respeito por outras «verdades» ou com a verdade dos outros é uma aprendizagem que a própria Igreja está a fazer. Nesse respeito dialogante, podem abrir-se novas portas para a comunicação da verdade. (…)
(…) Foi para «pôr o mundo moderno em contacto com as energias vivificadoras e perenes do Evangelho» (João XXIII, Const. ap. Humanae salutis, 3) que se fez o Concílio Vaticano II, no qual a Igreja, a partir de uma renovada consciência da tradição católica, assume e discerne, transfigura e transcende as críticas que estão na base das forças que caracterizaram a modernidade, ou seja, a Reforma e o Iluminismo. Assim a Igreja acolhia e recriava por si mesma, o melhor das instâncias da modernidade, por um lado, superando-as e, por outro, evitando os seus erros e becos sem saída. O evento conciliar colocou as premissas de uma autêntica renovação católica e de uma nova civilização – a «civilização do amor» - como serviço evangélico ao homem e à sociedade.
Caros amigos, a Igreja sente como sua missão prioritária, na cultura actual, manter desperta a busca da verdade e, consequentemente, de Deus; levar as pessoas a olharem para além das coisas penúltimas e porem-se à procura das últimas. Convido-vos a aprofundar o conhecimento de Deus tal como Ele Se revelou em Jesus Cristo para a nossa total realização. Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza. (…)
Fátima
(…) Irmãos, ao ouvir estes inocentes e profundos desabafos místicos dos Pastorinhos, poderia alguém olhar para eles com um pouco de inveja por terem visto ou com a desiludida resignação de quem não teve essa sorte mas insiste em ver. A tais pessoas, o Papa diz como Jesus: «Não andareis vós enganadas, ignorando as Escrituras e o poder de Deus?» (Mc 12, 24). As Escrituras convidam-nos a crer: «Felizes os que acreditam sem terem visto» (Jo 20, 29), mas Deus – mais íntimo a mim mesmo de quanto o seja eu próprio (cf. Santo Agostinho, Confissões, III, 6, 11) – tem o poder de chegar até nós nomeadamente através dos sentidos interiores, de modo que a alma recebe o toque suave de algo real que está para além do sensível, tornando-a capaz de alcançar o não-sensível, o não-visível aos sentidos. Para isso exige-se uma vigilância interior do coração que, na maior parte do tempo, não possuímos por causa da forte pressão das realidades externas e das imagens e preocupações que enchem a alma (cf. Card. Joseph Ratzinger, Comentário teológico da Mensagem de Fátima, ano 2000). Sim! Deus pode alcançar-nos, oferecendo-Se à nossa visão interior. (…)
(…) Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída. Aqui revive aquele desígnio de Deus que interpela a humanidade desde os seus primórdios: «Onde está Abel, teu irmão? […] A voz do sangue do teu irmão clama da terra até Mim» (Gn 4, 9). O homem pôde despoletar um ciclo de morte e terror, mas não consegue interrompê-lo… Na Sagrada Escritura, é frequente aparecer Deus à procura de justos para salvar a cidade humana e o mesmo faz aqui, em Fátima, quando Nossa Senhora pergunta: «Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele mesmo é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?» (Memórias da Irmã Lúcia, I, 162). (…)
Organizações da Pastoral Social (Fátima)
(…) Muitas vezes, porém, não é fácil conseguir uma síntese satisfatória da vida espiritual com a acção apostólica. A pressão exercida pela cultura dominante, que apresenta com insistência um estilo de vida fundado sobre a lei do mais forte, sobre o lucro fácil e fascinante, acaba por influir sobre o nosso modo de pensar, os nossos projectos e as perspectivas do nosso serviço, com o risco de esvaziá-los da motivação da fé e da esperança cristã que os tinha suscitado. Os pedidos numerosos e prementes de ajuda e amparo que nos dirigem os pobres e marginalizados da sociedade impelem-nos a buscar soluções que estejam na lógica da eficácia, do efeito visível e da publicidade. E todavia a referida síntese é absolutamente necessária para poderdes, amados irmãos, servir Cristo na humanidade que vos espera. Neste mundo dividido, impõe-se a todos uma profunda e autêntica unidade de coração, de espírito e de acção. (…)
(…) As vossas actividades assistenciais, educativas ou caritativas sejam completadas com projectos de liberdade que promovam o ser humano, na busca da fraternidade universal. Aqui se situa o urgente empenhamento dos cristãos na defesa dos direitos humanos, preocupados com a totalidade da pessoa humana nas suas diversas dimensões. Exprimo profundo apreço a todas aquelas iniciativas sociais e pastorais que procuram lutar contra os mecanismos sócio-económicos e culturais que levam ao aborto e que têm em vista a defesa da vida e a reconciliação e cura das pessoas feridas pelo drama do aborto. As iniciativas que visam tutelar os valores essenciais e primários da vida, desde a sua concepção, e da família, fundada sobre o matrimónio indissolúvel de um homem com uma mulher, ajudam a responder a alguns dos mais insidiosos e perigosos desafios que hoje se colocam ao bem comum. Tais iniciativas constituem, juntamente com muitas outras formas de compromisso, elementos essenciais para a construção da civilização do amor. (…)
Na Avenida dos Aliados (Porto)
(…) Nada impomos, mas sempre propomos, como Pedro nos recomenda numa das suas cartas: «Venerai Cristo Senhor em vossos corações, prontos sempre a responder a quem quer que seja sobre a razão da esperança que há em vós» (1 Ped 3, 15). E todos afinal no-la pedem, mesmo quem pareça que não. Por experiência própria e comum, bem sabemos que é por Jesus que todos esperam. De facto, as expectativas mais profundas do mundo e as grandes certezas do Evangelho cruzam-se na irrecusável missão que nos compete, pois «sem Deus, o ser humano não sabe para onde ir e não consegue sequer compreender quem seja. Perante os enormes problemas do desenvolvimento dos povos, que quase nos levam ao desânimo e à rendição, vem em nosso auxílio a palavra do Senhor Jesus Cristo que nos torna cientes deste dado fundamental: "Sem Mim, nada podeis fazer" (Jo 15, 5), e encoraja: "Eu estarei sempre convosco até ao fim do mundo" (Mt 28, 20)» (Bento XVI, Enc. Caritas in veritate, 78).
Mas, se esta certeza nos consola e tranquiliza, não nos dispensa de ir ao encontro dos outros. Temos de vencer a tentação de nos limitarmos ao que ainda temos, ou julgamos ter, de nosso e seguro: seria morrer a prazo, enquanto presença de Igreja no mundo, que aliás só pode ser missionária, no movimento expansivo do Espírito. Desde as suas origens, o povo cristão advertiu com clareza a importância de comunicar a Boa Nova de Jesus a quantos ainda não a conheciam. Nestes últimos anos, alterou-se o quadro antropológico, cultural, social e religioso da humanidade; hoje a Igreja é chamada a enfrentar desafios novos e está pronta a dialogar com culturas e religiões diversas, procurando construir juntamente com cada pessoa de boa vontade a pacífica convivência dos povos. O campo da missão ad gentes apresenta-se hoje notavelmente alargado e não definível apenas segundo considerações geográficas; realmente aguardam por nós não apenas os povos não-cristãos e as terras distantes, mas também os âmbitos sócio-culturais e sobretudo os corações que são os verdadeiros destinatários da actividade missionária do povo de Deus. (…)
Referências:
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2010/may/documents/hf_ben-xvi_spe_20100511_portogallo-interview_po.html
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2010/documents/hf_ben-xvi_hom_20100511_terreiro-paco_po.html
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2010/may/documents/hf_ben-xvi_spe_20100512_incontro-cultura_po.html
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2010/documents/hf_ben-xvi_hom_20100513_fatima_po.html
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2010/may/documents/hf_ben-xvi_spe_20100513_pastorale-sociale_po.html
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2010/documents/hf_ben-xvi_hom_20100514_porto_po.html
Etiquetas: Bento XVI
2010/05/10
Desafios de Bento XVI
Parece não haver dúvidas de que os grandes desafios que Bento XVI tem pela frente se referem ao esclarecimento, para dentro e fora da Igreja, essencialmente, de muitas coisas que dizem respeito à natureza da própria Igreja e aos fundamentos da moral cristã, em particular no que toca à sexualidade.
A observação pode, à primeira vista, parecer demasiado redutora, e até se pode arguir que a resposta para esses desafios deverá ser mais abrangente e não tão incisiva, mas a verdade é que têm sido estes os flancos escolhidos, ao longo das últimas décadas, para deturpar e minar a autoridade da Igreja na sua missão de ensinar. E a prova de que são questões importantes está na insistência e na voracidade com que são pasto das chamas dos críticos e dissidentes. E a estes factos talvez não se deva voltar a cara e fugir com medo ao embate, como parece ter acontecido em alguns sectores.
São, todos eles, desafios artificialmente empolados, porque a quem quiser saber a resposta e esclarecer-se não lhe faltam documentos escritos pelos últimos papas, incluindo os documentos do Concílio Vaticano II. O que parece suceder é que aqueles que invocam o Concílio Vaticano II para dar cobertura às suas coisas não leram ou não quiseram entender os seus documentos, redefinindo-o à imagem e semelhança dos seus interesses, pessoais e/ou colectivos. É um facto que quando alguém, a priori, não quer entender uma coisa, não há argumento que lhe valha. Certamente este é o caso de boa parte dos críticos em relação ao Papa e à Igreja.
Mas, vale a pena, independentemente da má vontade dos críticos e dissidentes, com que sempre é preciso contar, indagar o porquê da não aceitação de aspectos que se referem à natureza específica da Igreja e da moral sexual.
E aqui é difícil não reconhecer o alinhamento dessas pessoas com o “politicamente correcto”, com aquilo que no momento é bem visto pelas opiniões e ideologias da moda, pretendendo-se subordinar a Igreja e os seus ensinamentos à imagem e semelhança das organizações políticas e civis, como se a Igreja fosse um partido político, uma ONG ou um parlamento.
Ter filhos é mal visto? Então vamos dizer aos cristãos que não tenham filhos. O celibato dos padres é mal visto pela “opinião pública”? Então vamos dizer aos padres que se casem já. Há mulheres em todas, ou quase todas, as profissões na sociedade? Então também tem que haver no sacerdócio. Há legislação civil sobre o divórcio? Então a Igreja também tem que aceitar o divórcio. A lei civil acha que a homossexualidade é uma relação como qualquer outra? Então a Igreja também tem que achar e não pode criticar esses comportamentos. A legislação civil prevê o “casamento” de pessoas do mesmo sexo? Então a Igreja também tem que aceitar. A ONUSIDA, e outras organizações do género, acham que é distribuindo preservativos que se estanca a propagação de HIV/SIDA? Então a Igreja também tem que achar e não pode apontar outras soluções. O Richard Dawkins e os ateus acham que Deus não existe? Então a Igreja também tem que achar. Os darwinistas acham que a evolução é um produto do acaso, sem nexo nem lógica, sem princípio nem fim? Então a Igreja também tem que achar. E por aí fora...
No fundo, parece que o grande desígnio destes autoproclamados modernos é que os padres se casem, os casados se divorciem, e todos se acabem por transformar em homossexuais.
Urge, por isso, proteger a Igreja na sua liberdade de ser o que é, na singularidade da sua natureza, e de não se tornar mais uma organização civil ou política como tantas que há por aí.
Seja pelo combate e pela recusa à tomada de assalto por uma ideologia totalitária que a pretende pôr ao seu serviço, à semelhança da “teologia da libertação” nos anos 70 e 80, seja pela simples recusa da pretensão de algumas pessoas, críticas e dissidentes, moldarem a Igreja e os seus ensinamentos ao sabor das suas conveniências pessoais ou de grupo.
manuelbras@portugalmail.pt
Etiquetas: Bento XVI, Em Defesa da Vida, Manuel Brás
2010/05/09
Respostas polémicas
Alguns jornais, inclusivamente em Portugal, como por exemplo o “Expresso”, publicaram com grande destaque e na íntegra uma longíssima carta do Sr. Hans Küng aos bispos católicos. Em certos momentos e passagens da carta até parece que o Papa é ele.
Ele já se deu mal com João Paulo II, e agora com Bento XVI, mas a condição de dissidente dá-lhe protagonismo, fama e palco. Aliás, atacar o Papa e a Igreja é fácil, divertido, dá palco e até, quem sabe, se tornou negócio florescente.
O certo é que, por exemplo, a carta que Bento XVI escreveu aos bispos irlandeses em 19 de Março
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/letters/2010/documents/hf_ben-xvi_let_20100319_church-ireland_po.html
não mereceu publicação na íntegra, ficando-se por umas citaçõezitas em artigos de opinião dos especialistas do costume.
Mas, voltando ao dissidente Küng, e depreendendo-se da carta que pretende transformar a Igreja numa organização política à imagem da ONU, da UE ou de um partido político, subordinada ao igualitarismo e à ideologia do género – é aqui que os cristãos têm que abrir os olhos e estão a ser manipulados para fins políticos e ideológicos –, eis uma resposta de George Weigel:
Apr 21, 2010
George Weigel
Dr. Küng:
A decade and a half ago, a former colleague of yours among the younger progressive theologians at Vatican II told me of a friendly warning he had given you at the beginning of the Council’s second session. As this distinguished biblical scholar and proponent of Christian-Jewish reconciliation remembered those heady days, you had taken to driving around Rome in a fire-engine red Mercedes convertible, which your friend presumed had been one fruit of the commercial success of your book, The Council: Reform and Reunion.
This automotive display struck your colleague as imprudent and unnecessarily self-advertising, given that some of your more adventurous opinions, and your talent for what would later be called the sound-bite, were already raising eyebrows and hackles in the Roman Curia. So, as the story was told me, your friend called you aside one day and said, using a French term you both understood, “Hans, you are becoming too evident.”
As the man who single-handedly invented a new global personality-type—the dissident theologian as international media star—you were not, I take it, overly distressed by your friend’s warning. In 1963, you were already determined to cut a singular path for yourself, and you were media-savvy enough to know that a world press obsessed with the man-bites-dog story of the dissenting priest-theologian would give you a megaphone for your views. You were, I take it, unhappy with the late John Paul II for trying to dismantle that story-line by removing your ecclesiastical mandate to teach as a professor of Catholic theology; your subsequent, snarling put-down of Karol Wojtyla’s alleged intellectual inferiority in one volume of your memoirs ranked, until recently, as the low-point of a polemical career in which you have become most evident as a man who can concede little intelligence, decency, or good will in his opponents.
I say “until recently,” however, because your April 16 open letter to the world’s bishops, which I first read in the Irish Times, set new standards for that distinctive form of hatred known as odium theologicum and for mean-spirited condemnation of an old friend who had, on his rise to the papacy, been generous to you while encouraging aspects of your current work.
Before we get to your assault on the integrity of Pope Benedict XVI, however, permit me to observe that your article makes it painfully clear that you have not been paying much attention to the matters on which you pronounce with an air of infallible self-assurance that would bring a blush to the cheek of Pius IX.
You seem blithely indifferent to the doctrinal chaos besetting much of European and North American Protestantism, which has created circumstances in which theologically serious ecumenical dialogue has become gravely imperiled.
You take the most rabid of the Pius XII-baiters at face value, evidently unaware that the weight of recent scholarship is shifting the debate in favor of Pius' courage in defense of European Jewry (whatever one may think of his exercise of prudence).
You misrepresent the effects of Benedict XVI’s 2006 Regensburg Lecture, which you dismiss as having “caricatured” Islam. In fact, the Regensburg Lecture refocused the Catholic-Islamic dialogue on the two issues that complex conversation urgently needs to engage—religious freedom as a fundamental human right that can be known by reason, and the separation of religious and political authority in the twenty-first century state.
You display no comprehension of what actually prevents HIV/AIDS in Africa, and you cling to the tattered myth of “overpopulation” at a moment when fertility rates are dropping around the globe and Europe is entering a demographic winter of its own conscious creation.
You seem oblivious to the scientific evidence underwriting the Church’s defense of the moral status of the human embryo, while falsely charging that the Catholic Church opposes stem-cell research.
Why do you not know these things? You are an obviously intelligent man; you once did groundbreaking work in ecumenical theology. What has happened to you?
What has happened, I suggest, is that you have lost the argument over the meaning and the proper hermeneutics of Vatican II. That explains why you relentlessly pursue your fifty-year quest for a liberal Protestant Catholicism, at precisely the moment when the liberal Protestant project is collapsing from its inherent theological incoherence. And that is why you have now engaged in a vicious smear of another former Vatican II colleague, Joseph Ratzinger. Before addressing that smear, permit me to continue briefly on the hermeneutics of the Council.
While you are not the most theologically accomplished exponent of what Benedict XVI called the “hermeneutics of rupture” in his Christmas 2005 address to the Roman Curia, you are, without doubt, the most internationally visible member of that aging group which continues to argue that the period 1962–1965 marked a decisive trapgate in the history of the Catholic Church: the moment of a new beginning, in which Tradition would be dethroned from its accustomed place as a primary source of theological reflection, to be replaced by a Christianity that increasingly let “the world” set the Church’s agenda (as a motto of the World Council of Churches then put it).
The struggle between this interpretation of the Council, and that advanced by Council fathers like Ratzinger and Henri de Lubac, split the post-conciliar Catholic theological world into warring factions with contending journals: Concilium for you and your progressive colleagues, Communio for those you continue to call “reactionaries.” That the Concilium project became ever more implausible over time—and that a younger generation of theologians, especially in North America, gravitated toward the Communio orbit—could not have been a happy experience for you. And that the Communio project should have decisively shaped the deliberations of the 1985 Extraordinary Synod of Bishops, called by John Paul II to celebrate Vatican II’s achievements and assess its full implementation on the twentieth anniversary of its conclusion, must have been another blow.
Yet I venture to guess that the iron really entered your soul when, on December 22, 2005, the newly elected Pope Benedict XVI—the man whose appointment to the theological faculty at Tübingen you had once helped arrange—addressed the Roman Curia and suggested that the argument was over: and that the conciliar “hermeneutics of reform,” which presumed continuity with the Great Tradition of the Church, had won the day over “the hermeneutics of discontinuity and rupture.”
Perhaps, while you and Benedict XVI were drinking beer at Castel Gandolfo in the summer of 2005, you somehow imagined that Ratzinger had changed his mind on this central question. He obviously had not. Why you ever imagined he might accept your view of what an “ongoing renewal of the Church” would involve is, frankly, puzzling. Nor does your analysis of the contemporary Catholic situation become any more plausible when one reads, further along in your latest op-ed broadside, that recent popes have been “autocrats” against the bishops; again, one wonders whether you have been paying sufficient attention. For it seems self-evidently clear that Paul VI, John Paul II, and Benedict XVI have been painfully reluctant—some would say, unfortunately reluctant—to discipline bishops who have shown themselves incompetent or malfeasant and have lost the capacity to teach and lead because of that: a situation many of us hope will change, and change soon, in light of recent controversies.
In a sense, of course, none of your familiar complaints about post-conciliar Catholic life is new. It does, however, seem ever more counterintuitive for someone who truly cares about the future of the Catholic Church as a witness to God’s truth for the world’s salvation to press the line you persistently urge upon us: that a credible Catholicism will tread the same path trod in recent decades by various Protestant communities which, wittingly or not, have followed one or another version of your counsel to a adopt a hermeneutics of rupture with the Great Tradition of Christianity. Still, that is the single-minded stance you have taken since one of your colleagues worried about your becoming too evident; and as that stance has kept you evident, at least on the op-ed pages of newspapers who share your reading of Catholic tradition, I expect it’s too much to expect you to change, or even modify, your views, even if every bit of empirical evidence at hand suggests that the path you propose is the path to oblivion for the churches.
What can be expected, though, is that you comport yourself with a minimum of integrity and elementary decency in the controversies in which you engage. I understand odium theologicum as well as anyone, but I must, in all candor, tell you that you crossed a line that should not have been crossed in your recent article, when you wrote the following:
There is no denying the fact that the worldwide system of covering up sexual crimes committed by clerics was engineered by the Roman Congregation for the Doctrine of the Faith under Cardinal Ratzinger (1981-2005).
That, sir, is not true. I refuse to believe that you knew this to be false and wrote it anyway, for that would mean you had willfully condemned yourself as a liar. But on the assumption that you did not know this sentence to be a tissue of falsehoods, then you are so manifestly ignorant of how competencies over abuse cases were assigned in the Roman Curia prior to Ratzinger’s seizing control of the process and bringing it under CDF’s competence in 2001, then you have forfeited any claim to be taken seriously on this, or indeed any other matter involving the Roman Curia and the central governance of the Catholic Church.
As you perhaps do not know, I have been a vigorous, and I hope responsible, critic of the way abuse cases were (mis)handled by individual bishops and by the authorities in the Curia prior to the late 1990s, when then-Cardinal Ratzinger began to fight for a major change in the handling of these cases. (If you are interested, I refer you to my 2002 book, The Courage To Be Catholic: Crisis, Reform, and the Future of the Church.)
I therefore speak with some assurance of the ground on which I stand when I say that your description of Ratzinger’s role as quoted above is not only ludicrous to anyone familiar with the relevant history, but is belied by the experience of American bishops who consistently found Ratzinger thoughtful, helpful, deeply concerned about the corruption of the priesthood by a small minority of abusers, and distressed by the incompetence or malfeasance of bishops who took the promises of psychotherapy far more seriously than they ought, or lacked the moral courage to confront what had to be confronted.
I recognize that authors do not write the sometimes awful subheads that are put on op-ed pieces. Nonetheless, you authored a piece of vitriol—itself utterly unbecoming a priest, an intellectual, or a gentleman—that permitted the editors of the Irish Times to slug your article: “Pope Benedict has made worse just about everything that is wrong with the Catholic Church and is directly responsible for engineering the global cover-up of child rape perpetrated by priests, according to this open letter to all Catholic bishops.” That grotesque falsification of the truth perhaps demonstrates where odium theologicum can lead a man. But it is nonetheless shameful.
Permit me to suggest that you owe Pope Benedict XVI a public apology, for what, objectively speaking, is a calumny that I pray was informed in part by ignorance (if culpable ignorance). I assure you that I am committed to a thoroughgoing reform of the Roman Curia and the episcopate, projects I described at some length in God’s Choice: Pope Benedict XVI and the Future of the Catholic Church, a copy of which, in German, I shall be happy to send you. But there is no path to true reform in the Church that does not run through the steep and narrow valley of the truth. The truth was butchered in your article in the Irish Times. And that means that you have set back the cause of reform.
With the assurance of my prayers,
George Weigel
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Dejá vu (II)
http://www.mercatornet.com/articles/view/how_the_nazis_engineered_a_paedophile_priests_scare/
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2010/05/07
Vem aí um desconhecido

Talvez um dos maiores paradoxos dos meios de comunicação de massas se possa resumir ao seguinte: quanto mais se fala de uma coisa ou pessoa, menos se sabe dela. Os leitores saberão, certamente, compreender o significado disto, mas talvez alguma vez na vida tenhamos chegado à conclusão de que para distorcer mais vale o silêncio.
A figura e a pessoa de Bento XVI não é excepção a este panorama mediático, muito enviesado e viciado por uma agenda política totalitária. É só estudar as suas preferências informativas.
Bento XVI é mal conhecido de uns e desconhecido de outros, apesar de todos saberem que ele existe. A despropósito: um dos males do ocidente moderno é pensar que percebe alguma coisa do Cristianismo.
Aqui fica um texto e um link como pequenos contributos para um melhor conhecimento de Bento XVI.
http://www.youtube.com/watch?v=CNXNVLGuP9E&NR=1
1927 “Nasci no dia 16 de Abril, Sábado Santo, em Markl im Inn (Baviera). Fui baptizado na manhã seguinte. A parte mais importante e mais bonita da minha infância passei-a em Traunstein, uma cidade muito influenciada por Salzburg. Por conseguinte, Mozart entrou na nossa alma desde o princípio, e ainda hoje continua emocionando-me porque é tão claro e, ao mesmo, tempo tão profundo.”
“No Outono íamos aos campos procurar alface-brava; nos prados em redor encontrávamos, sob orientação da nossa mãe, várias coisas úteis para o presépio.”
“Não sou capaz de indicar uma prova de verdade da fé mais convincente do que a sincera e franca humanidade que a fé fez amadurecer nos meus pais e em muitas outra pessoas que encontrei ao longo da vida.”
1939 J. Ratzinger entra no Seminário. Depois da guerra dirá: “Gratidão e vontade de renascer, de trabalhar na Igreja e para o mundo, eram estes o sentimentos que dominavam a atmosfera daquela casa.”
1943 Juntamente com os colegas de Seminário é obrigado a prestar serviço militar: “Uma noite tiraram-nos da cama e mandaram-nos reunir ainda meio adormecido. Um oficial das SS chamou-nos da fileira, um a um, e tentou induzir-nos a que nos alistássemos voluntariamente no corpo das SS, aproveitando-se do nosso cansaço e da posição de cada um em frente ao grupo todo reunido. Muitos camaradas, que inclusive eram boas pessoas, foram alistadas desta maneira, neste grupo criminoso. Juntamente com outros, eu tive a sorte de poder dizer que queria ser sacerdote católico. Cobriram-me de impropérios e de insultos e mandaram-nos para trás…”
1951 É ordenado sacerdote juntamente com o irmão Georg: “Éramos mais de quarenta candidatos; quando fomos chamados respondemos Adsum ‘Eis-me aqui’. Era um esplêndido dia de verão que se tornou inesquecível como o momento mais importante da minha vida.”
1952 Começa a sua actividade como professor de teologia. Quando do Maio/68 ninguém lhe tirou o microfone ou lhe atirou ovos: “Não, sempre se entendeu bem com os alunos. Uma vez houve um debate com os professores Küng, Seckler, Ratzinger, Neumann. Na apaixonada discussão que se seguiu o professor Ratzinger não abriu a boca. De repente ouvem-se as vozes dos alunos: ‘que fale Ratzinger, que fale Ratzinger…”
1962-65 É consultor teológico do Card Frings durante o concilio Vaticano II. Certa vez o Cardeal havia pedido a Ratzinger que lhe preparasse um texto para uma conferência que tinha que fazer em Génova. A conferência causa tanto impacto em Itália que o papa João XXIII chama o Cardeal de Colónia a Roma e diz-lhe ‘querido Cardeal: disse tudo o que eu penso e queria dizer…”
1977 É nomeado por Paulo VI Arcebispo e depois Cardeal de Munique.
1981 É chamado para trabalhar em Roma pelo Papa: “Ratzinger reconhecia na pessoa carismática e pastoral de João Paulo II uma ‘paixão pelo homem’ e uma capacidade para descobrir a ‘dimensão espiritual da história’. O papa Wojtyla reconhecia na pessoa tímida de Ratzinger um intelectual contemporâneo que era um teólogo mais completo do que ele próprio. Em conjunto formavam uma equipa intelectual fantástica.”
2005 A 19 de Abril é eleito Papa e escolhe o nome Bento XVI: “ Rogo-vos [aos cardeais depois da sua eleição]: jamais deixeis faltar-me a vossa amizade.”
“O nosso ministério é um dom de Cristo aos homens, para construir no Seu corpo o mundo novo. Vivamos o nosso ministério assim, como dom de Cristo aos homens! Peçamos com insistência ao Senhor, para que depois do grande dom do Papa João Paulo II, nos ofereça um pastor segundo o Seu coração, um pastor que nos guie ao conhecimento de Cristo, ao seu amor, à verdadeira alegria. Amén.”
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2010/05/03
Actualização sobre a pedofilia na Igreja
Os números, os documentos, a actuação de Bento XVI e a explicação dos casos que vieram à luz. A forma como a Igreja está a tratar uma ferida de que tem consciência.
OS NÚMEROS: QUANTOS SÃO OS CASOS DE ABUSO?
A contagem do número efectivo de casos de pedofilia por parte dos eclesiásticos não tem como finalidade reduzir o fenómeno, mas compreendê-lo na sua justa dimensão.
EUA: De acordo com o estudo feito em 2004 pelo John Jay College of Criminal Justice (link), os sacerdotes acusados de terem tido relações sexuais com menores entre 1950 e 2002 são cerca de 4.392. Num artigo publicado no Avvenire, Massimo Introvigne fez notar que, destes, os que foram efectivamente acusados de pedofilia foram 958, ascendendo o total dos sacerdotes condenados a 54, pouco mais de um por ano (o número de sacerdotes e religiosos dos Estados Unidos é de cerca de 109.000). Nesse mesmo período, e ainda nos EUA, foram 6.000 os professores de ginástica e treinadores desportivos considerados culpados do mesmo crime pelos tribunais americanos. De acordo com um estudo encomendado pela Conferência Episcopal Norte Americana (link), em 2009 estão a ser analisados 6 casos, num total de 109.000 sacerdotes e religiosos. A revista Newsweek (link) observa que as companhias de seguros americanas não exigem às instituições católicas prémios mais elevados nos seguros contra abusos sexuais, porque os dados provam que os riscos não são superiores aos de outras instituições.
Alemanha: Num artigo publicado no Giornale, Andrea Tornielli informa que, desde 1995, foram denunciados na Alemanha 210.000 casos deste crime contra menores, sendo os casos suspeitos de terem tido lugar no âmbito da Igreja Católica 94 (1 em cada 2.000).
Irlanda: O Relatório Ryan de 2009 (link) registou depoimentos de casos de violência (não apenas sexual, mas sobretudo física e psicológica) no sistema educacional da ilha entre 1914 e 2000, tendo detectado 381 pessoas que declararam ter sido vítimas de abusos sexuais por parte do pessoal educativo, de visitantes, de alunos mais velhos e, em proporção reduzida, do clero. O Relatório Murphy (link) sobre a diocese de Dublin registou, entre 1974 e 2000, depoimentos de 440 pessoas que acusam sacerdotes.
Malta: De acordo com os dados fornecidos por uma comissão ad hoc (link), entre os anos 70 e a actualidade foram acusados 45 sacerdotes. 19 destas acusações foram rejeitadas por falta de fundamento, 13 estão ainda por analisar e outras 13 deram lugar a um processo; de entre as 13 últimas, 4 sacerdotes foram condenados, 7 serão ainda ouvidos pela Santa Sé e 2 já morreram.
Congregação para a Doutrina da Fé: Mons. Scicluna, da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, declarou numa entrevista que, entre 2000 e 2010, a Congregação tratou de cerca de 3.000 casos de sacerdotes diocesanos e religiosos por delitos cometidos nos últimos 50 anos. Desses, 10% dos casos – ou seja, cerca de 300 em todo o mundo – dizem respeito a actos de pedofilia. Em todo o mundo, existe um total de 400.000 sacerdotes diocesanos e religiosos.
DOCUMENTOS E DISPOSIÇÕES EXPLÍCITAS
Nas intervenções sobre a pedofilia, têm vindo à baila alguns documentos que os jornalistas afirmam erradamente conterem instruções para o encobrimento dos casos de pedofilia. Na realidade, todos os documentos são oficiais e públicos, e a atitude de condenação dos abusos é clara e enérgica. As incompreensões resultam de traduções mal feitas e de imprecisões devidas ao facto de os documentos terem sido redigidos em latim e de não haver, até há pouco tempo, traduções oficiais noutras línguas.
O primeiro destes documentos é a instrução Crimen sollicitationis (texto latino), um texto de 1922 reeditado por outro texto de 1962 de João XXIII, e que diz respeito ao crime de instigação a actos torpes por parte dos confessores. O documento, que trata principalmente de outros abusos, também refere a pedofilia, designando-a como crimen pessimum. Está explicitada no documento a obrigação de denunciar estes crimes (tradução não oficial, para italiano, das passagens mais explícitas).
O segundo é o documento De delictis gravioribus (texto latino, texto italiano), assinado por Joseph Ratzinger e Tarcisio Bertone em 2001 e redigido para dar andamento ao motu proprio Sacramentorum sanctitatis tutela (texto latino, texto italiano), do Papa João Paulo II, que, precisamente para evitar encobrimentos locais, atribui à Congregação para a Doutrina da Fé a competência nas matérias relacionadas com pedofilia.
Tudo isto foi ainda confirmado pelas Linhas de orientação que se seguiram à Instrução: informar a Santa Sé, acatar as disposições da justiça civil, afastar o suspeito das actividades pastorais.
Se houve encobrimentos e omissões, ficaram a dever-se à falta de fidelidade para com as disposições do Papa e do Magistério.
A ACTUAÇÃO DE BENTO XVI
O Papa Bento XVI, primeiro como Prefeito da Doutrina da Fé, e depois como Papa, é sem dúvida nenhuma aquele que mais se empenhou na eliminação desta chaga da Igreja. Leia-se a recente Carta aos católicos irlandeses, em que procede a uma clara condenação do fenómeno e a um enérgico convite aos bispos para que assumam as suas responsabilidades na reparação do mesmo e na tomada de medidas que impeçam a sua repetição no futuro. O Papa deu provas da mesma clareza e determinação na viagem que fez aos EUA (veja-se aqui uma resenha das intervenções que fez sobre a pedofilia) e à Austrália (veja-se aqui uma resenha das intervenções).
OS CASOS QUE APARECERAM NOS MEDIA
Foram recentemente trazidos à baila nos jornais alguns casos de pedofilia que, de uma maneira ou de outra, parecem dizer respeito ao Pontífice. Vistos de perto, todos eles mostram a conduta clara de Ratzinger:
1. Padre Murphy, em Milwakee: trata-se do caso de um sacerdote acusado de crimes de pedofilia nos anos 70. De acordo com os documentos, a Congregação para a Doutrina da Fé (de que Ratzinger era na altura o Prefeito) foi consultada vinte anos depois dos factos, devido a uma acusação de crime de solicitação (e não por causa dos abusos). A Congregação ordenou que, apesar de terem decorrido muitos anos sem indícios de novos crimes e de a justiça civil ter arquivado o caso, o sacerdote se mantivesse afastado de actividades pastorais (veja-se aqui a descrição completa do caso).
2. Padre Kiesle, de Oakland: trata-se do caso de uma carta de 1985 em que o Cardeal Ratzinger não concede apressadamente a dispensa do celibato a um sacerdote acusado de pedofilia que já era alvo de um processo para expulsão do sacerdócio. Alguns meios de informação confundiram as duas coisas: a dispensa do celibato (que é uma concessão) coma a expulsão do sacerdócio (que é uma pena) (veja-se aqui a descrição completa do caso).
3. Padre H da arquidiocese de Munique e Freising: pedófilo que foi transferido para a diocese quando Ratzinger era arcebispo da mesma. O caso remonta a 1980, veio à luz em 1985 e foi julgado por um tribunal alemão em 1986. O Cardeal Ratzinger desconhecia os factos, como reconheceu o então vigário geral da diocese (veja-se aqui a descrição).
4. O irmão do Papa: dois casos de abuso que tiveram lugar em Ratisbona por volta de 1958 pareceram envolver o irmão do Papa. Na realidade, trata-se de casos já conhecidos, juridicamente encerrados e que dizem respeito a um período diferente daquele em que Georg Ratzinger dirigiu o coro (1964 a 1994) (veja-se o já citado artigo de Tornielli que explica os dois casos).
O CELIBATO NÃO TEM NADA A VER COM A PEDOFILIA
Também se falou de um nexo entre pedofilia e celibato. O psiquiatra Manfred Lutz, um dos maiores especialistas no tema, explicou numa entrevista recente que tal nexo é na realidade inexistente; pelo contrário, os especialistas afirmam que as pessoas que vivem a abstinência sexual correm menos riscos de cometer abusos, em comparação com as pessoas casadas. No já citado artigo de Introvigne, são referidos os estudos de Philip Jenkins, que mostraram que há mais casos de pedofilia entre as diversas denominações protestantes, cujos pastores podem contrair matrimónio; por outro lado, os já referidos 6.000 casos de abusos verificados nos Estados Unidos no mesmo período em que se verificaram os dos eclesiásticos foram cometidos, na sua maioria, por pessoas casadas. Em suma, não parece haver qualquer relação entre o celibato e a pedofilia.
Fonte: http://www.documentazione.info/article.php?id=1111&idsez=41
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Dejá vu
No meio da guerra cultural e mediática em curso, com o pretexto de alguns clérigos pedófilos, quem consegue descobrir quando, onde e quem disse estas palavras?
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2010/04/26
Bronca no Foreign Office
O Foreign Office pretende educar o Papa durante a sua viagem ao Reino Unido em Setembro próximo, como alguns estados europeus educam as pobres criancinhas nas escolas. O plano, insultuoso, desenhado por alguns dos seus funcionários, foi descoberto. Depois, pediram desculpa.
A União Europeia é cada vez mais um espaço em que se pode manifestar livremente convicções, sem ser insultado por isso. Claro, desde que essas convicções não contradigam a agenda estabelecida no memorando do Foreign Office, que por acaso é a agenda do igualitarismo e da ideologia do género.
Está cada vez mais à vista quais são os verdadeiros motivos que movem a perseguição ao Papa.
http://www.telegraph.co.uk./news/newstopics/religion/7628752/Ministers-apologise-for-insult-to-Pope.html
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2010/04/19
Como se monta uma perseguição mediática

A CARTA DE 1985 DO CARDEAL RATZINGER
Por Massimo Introvigne (Avvenire, 10 de Abril de 2010)
Durou vinte e quatro horas o novo disparate lançado pela Associated Press contra o Papa. Até os media mais hostis, acossados pelos especialistas em direito canonico, fizeram marcha atrás. Mas, de acordo com o preceito segundo o qual vale a pena caluniar que sempre fica qualquer coisa, na cabeça dos utentes mais distraidos terão ficado apenas os títulos, segundo os quais, em 1985, o actual Pontífice «protegeu um padre pedófilo».
Para se compreender o significado da carta escrita pelo Cardeal Ratzinger a Mons. John Stephen Cummins (e não «Cummings»), Bispo de Oakland (California), a 6 de Novembro de 1985, é preciso ter algumas noções, ainda que básicas, de direito canónico. A perda do estado clerical pode ocorrer (a) como pena imposta pelo direito canónico por delitos especialmente graves; ou (b) quando solicitada pelo próprio sacerdote. Assim, um sacerdote acusado ou condenado por pedofilia pode perder o estado clerical (a) como pena pelo delito cometido ou (b) a seu pedido, pedido esse que o padre pedófilo pode ter interesse em fazer por razões diversas, por exemplo, para escapar à vigilância da Igreja (a vigilância do Estado é mais branda, como fica demonstrado em diversos casos), ou porque pretende casar-se. No primeiro caso, está-se a castigar o padre pedófilo. No segundo caso, está-se a fazer-lhe um favor.
Até 2001, a pena pelo delito de pedifilia – o castigo – era imposta pelas dioceses; em 2001, essa competência passou para a Congregação para a Doutrina da Fé. Em contrapartida, a análise dos pedidos de dispensa do estado clerical – o favor – já em 1985 era da competência da Congregação para a Doutrina da Fé.
Em 1985, Stephen Miller Kiesle, sacerdote acusado de abusos de menores, foi objecto de dois processos distintos. O primeiro dizia respeito à averiguação canónica susceptível de levar à demissão do estado clerical deste sacerdote como pena pelos absusos praticados, averiguação que era da estrita competência da Diocese de Oakland, e em que a Congregação para a Doutrina da Fé de modo nenhum intervinha.
O segundo processo dizia respeito à solicitação, feita pelo mesmo Padre Kiesle, de dispensa do estado clerical, solicitação que chegou à secretária da Congregação para a Doutrina da Fé, a qual – por uma praxe que adquiriu valor de regulamento – não concede a referida dispensa a um sacerdote que não tenha completado os quarenta anos. Na altura, o Padre Kiesle tinha trinta e oito anos e o Bispo Cummins solicitou à Congregação para a Doutrina da Fé que abrisse uma excepção porque, acolhendo a solicitação de Kiesle, Roma libertaria a diocese de Oakland do embaraço de prosseguir a averiguação penal pelos abusos (indagação essa que, em 1985 – antes das alterações processuais introduzidas em 2001 – era, recorde-se, da estrita competência da diocese, e na qual a Congregação dirigida pelo Cardeal Ratzinger não podia intervir).
Se a Congregação tivesse acolhido o pedido de Kiesle, não teria «castigado» o sacerdote; pelo contrário, ter-lhe-ia feito um favor. Na verdade, Kiesle pretendia abandonar o sacerdócio porque tinha a intenção de se casar.
É muito importante distinguir o acolhimento de um pedido de dispensa do estado clerical, que constitui um benefício concedido ao sacerdote e que é da competência da Congregação para a Doutrina da Fé, da demissão do estado clerical como punição, que era, até 2001, da competência das dioceses, e não de Roma.
Enquanto Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Cardeal Ratzinger responde exprimindo a sua compreensão pela delicada posição em que o bispo se encontra – ou seja, agora em termos menos curiais, diz-lhe que compreende que o bispo preferisse que fosse Roma a tirar as castanhas do lume –, mas salienta que, para bem da Igreja, se devem respeitar rigorosamente as praxes, e que a idade do solicitante não permite dar-lhe a dispensa do estado clerical. «Considerando o bem universal da Igreja» – o que não significa, evidentemente, «para evitar escândalos» (aliás, o caso dos abusos sexuais atribuídos a Kiesle já tinha sido amplamente comentado na Califórnia, e o escândalo já se tinha verificado), mas sim «para não criar um precedente que abriria a porta a muitas outras solicitações de dispensa de sacerdotes com menos de quarenta anos» –, o Cardeal Ratzinger explica ao bispo que será necessário ter a prudência de esperar, como sempre acontece em casos de pedidos de sacerdotes que ainda não fizeram quarenta anos.
Entretanto, a Diocese de Oakland poderá, naturalmente, dar andamento à outra averiguação penal, susceptível de conduzir à demissão de Kiesle do estado clerical, não a seu pedido, mas como pena pelos abusos cometidos. Em 1987, enquanto a Diocese de Oakland prossegue as suas averiguações sobre Kiesle – depois de o ter proibido de exercer a actividade ministerial –, o sacerdote faz quarenta anos. Nesta altura, e como é da praxe, a Congregação acolhe o seu pedido de redução ao estado clerical. Kiesle abandona o exercício do ministério sacerdotal e casa-se, continuando a ser conhecido pela polícia como personalidade perturbada e suspeito de abuso de menores.
Os actos cometidos por Kiesle depois de 1987 não são, evidentemente, da responsabilidade da Igreja, mas apenas dos tribunais civis e da polícia. Se praticou outros abusos, a culpa não é da Igreja – que Kiesle abandonou e que deixou de ter quaisquer razões para o vigiar –, mas das autoridades civis.
Como é que ter recusado um pedido que um padre suspeito de pedofilia – que tencionava casar-se – apresentava como pedido de um favor, no seu próprio interesse, equivale a «proteger um padre pedófilo» é coisa que terá de ser a Associated Press a explicar.
http://www.mercatornet.com/articles/view/message_to_the_lynch_mob_the_pope_is_innocent/
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Crucifica-o!
JOÃO CÉSAR DAS NEVES
Como Nero, os jornais hoje querem convencer-nos de que os padres comem criancinhas.
A pedofilia é um crime horrendo. Pior se o criminoso for educador. Mais ainda se for clérigo. A prioridade em casos tão graves é prevenção, socorro às vítimas e punição exemplar. A Igreja Católica tem de ter regras muito claras para estes casos, e vigilância atenta e severa. E tem.
Então porquê o debate? Ele mistura dois crimes diferentes. As acusações de pedofilia vêm a par de outro crime, muito menos grave mas mais vasto, de difamação contra a Igreja.
Sabemos tratar-se de difamação porque os sintomas tradicionais são evidentes. Primeiro as acusações não se dirigem aos verdadeiros culpados. Quem realmente se ataca são, não pedófilos, mas o Papa, cardeais e bispos. Discute-se, não psicologia infantil, mas política eclesiástica.
Em segundo lugar utiliza-se um truque estatístico clássico. Tomam-se 50 anos, em todo o mundo e acumulam-se todos os casos encontrados. Desta forma demonstra-se o que se quiser; este é o método das provas "científicas" invocadas por horóscopos, charlatães e milagreiros. Empilham-se situações muito antigas e muito diferentes que, juntas, ninguém perde tempo a considerar com atenção. Conta só a imagem global. A imaginação faz o resto. Nunca se questiona a agregação de casos díspares ou a razão de surgirem todos de repente agora.
O terceiro sintoma é não se usarem os indicadores adequados: percentagens. Que peso dos criminosos no total dos sacerdotes? Muito mais importante, qual a percentagem destes casos no total dos abusos? Se o que nos preocupa são as crianças, este dado é decisivo. Os poucos estudos sociológicos sérios mostram que «no mesmo período em que uma centena de sacerdotes católicos eram condenados por abusos sexuais de menores, o número de professores de educação física e de treinadores de equipas desportivas (...) considerados culpados do mesmo delito nos tribunais americanos atingia os seis mil. (...) Dois terços dos abusos sexuais a menores não são feitos por estranhos (...) mas por membros da família» (www.cesnur.org/2010/mi_preti_pedofili.html). E omitem-se factos incómodos, como «80% dos pedófilos são homossexuais» (idem).
Descuidadas nos dados, as notícias fervilham de comentários e interpretações. Muitas antecedidas de frases como «até há quem pense…», o que permite colocar a seguir o que se quiser, pois há sempre quem pense o mais abstruso. Espanta que jornais respeitáveis entrem nestas práticas. Práticas cuja finalidade fica clara ao ler-se a conclusão invariável: «perda de autoridade moral da Igreja». Mas a autoridade da Igreja vem de outro lado. E que autoridade moral tem o jornal para dizer isto? O contexto é a guerra cultural. Parecendo combater a pedofilia, visa-se a promoção do aborto, eutanásia, divórcio, promiscuidade.
A prática é tradicional. Assim se criou há séculos o mito da Igreja sanguinária nas cruzadas e Inquisição. Tirando os casos do contexto, relacionando épocas diferentes e empolando os números, gerou-se a lenda do terror inquisitorial em que hoje ainda até muitos católicos acreditam. Não importa que os processos fossem rigorosos e transparentes, as condenações uma ínfima minoria dos casos julgados e pouquíssimas face às execuções civis, numa época de pena capital habitual. Julgadas em contexto cultural muito diferente, essas informações distorcidas e parciais criaram uma das maiores falsificações da História.
Nada disto anula os terríveis pecados cometidos, quer nos atropelos da Inquisição, quer nos indiscutíveis casos de padres pedófilos. Cada injustiça inquisitorial, como cada abuso de menor, é horrível e exige atenção e punição exemplar. Por isso Papa e bispos pedem desculpa e impõem responsabilidades.
Mas o que temos agora é outra injustiça, a de tentar degradar toda uma classe respeitável e, por arrastamento, a maior denominação religiosa do mundo, com acusações apressadas e distorcidas. Como Nero, os jornais hoje querem convencer-nos que os padres comem criancinhas. Como há 2000 anos, esta Páscoa é celebrada ao som do grito «crucifica-o, crucifica-o!»
manuelbras@portugalmail.pt
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