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2007/07/13

Memórias das minhas Aldeias
Esquecimentos da História
Parte VI - N.º 16 - O DESPERTAR DOUTRO PROVINCIANO 

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Mestre Jean Ousset, como o tratavam os mais jovens apaniguados, gostou efectivamente muito, desde logo, do “aprendiz” Rufino.

Tinha Ousset conhecido nas Américas do Sul e Central meia dúzia ou mais de homens na casa dos vinte, quase trinta anos, que logo se lhe tinham afigurado verdadeiramente promissores e aos quais só faltava um caminho experimentado, que ele lhes dera a conhecer, por onde, a partir dos encontros consigo, podiam seguir o destino que os esperava e era a sua vocação para militantes excepcionais, acreditava o Mestre.

Mas Rufino quase o fizera esquecê-los.

Com Rufino, Ousset pensava, estava certo de ter encontrado tudo pronto para um grande lançamento. Na plenitude do ser adequado e das circunstâncias ideais, com os limites estritamente necessários para não falhar e ser tão bem sucedido quanto possível e Deus quereria; o homem de talento; o homem vocacionado; o homem inspirado; o homem com impulso e ideias próprias que não contradiziam o que o Office tinha para dar-lhe; o homem de fibra para avançar por todos os caminhos abertos, pelos grandes caminhos e os mais estreitos, sem se perder em nenhum e inteiramente entregue ao único Caminho onde desaguam todos os mais.

Era Rufino, esse homem!

Como bom francês, Ousset comparou-o no seu íntimo a Napoleão, o ideal francês do corso nascido para glória da França, como qualquer francês o sonha.

O mesmo béguin se criara e cresceria entre eles.

De facto, também Rufino fora atraído imediatamente pelo grande mestre doutrinador e grande homem, pura e simplesmente, com que o “Office” atraía excepcionais vultos aos seus métodos de trabalho e ao seu proselitismo incansável, brilhante e excelentemente exemplificado naquele homem cheio de talentos e da fé mais empenhada que poderia encontrar-se.

Um dia, mais de dez anos depois, já em plena Revolução, com o PREC a desenvolver-se imparavelmente, ao que parecia, Rufino teve a mais perfeita prova da amizade que os unia, a Ousset e a ele próprio.

Estava-se nas vésperas da Revolução, era já Abril, e uma numerosa e luzida delegação do “movimento”deslocou-se à Suiça, onde em Lausanne, no Palais des Congrès, ia ter lugar, como anualmente desde uns dez anos antes, ia ter lugar o Congresso Internacional do Office de 1974, durante três dias do princípio de Abril.

Sem ter-se chegado a saber como nem porquê ou a que propósito, os congressistas portugueses foram surpreendidos pelo aparecimento do Professor, em Lausanne e no Congresso, logo no primeiro dia da “festa”.

O Congresso era sempre uma manifestação impressionante, pela quantidade dos congressistas, mais de quatro mil sem atropelos num espaço fechado, com grandíssima percentagem de jovens, em geral universitários, entre os quais o entusiasmo e fúria participante das raparigas desafiava sem favor o grande entusiasmo, o empenhamento sem limites e a enorme dedicação dos rapazes. Depois havia a qualidade e vida dos stands de mais de cento e cinquenta países e organizações integradas no espírito e moldes de actuação cívica e cultural propostos e praticados pelo “Office”. As comunicações, sempre objecto do maior cuidado e da melhor atenção, eram sem excepções objecto do interesse que ao longo dos anos os congressistas se tinham habituado a dedicar aos seus autores. O entusiasmo dos ouvintes correspondia em geral ao grande interesse delas, mas atingia níveis de quase transe e paroxismo com o discurso de encerramento do Congresso, sempre obra de Jean Ousset, talvez o maior e mais empolgante orador que até hoje conheci.

Era, ao que todos diziam, o coroamento do maior acontecimento, o mais entusiasmante e com mais conteúdo e de mais substância que se vinha realizando todos os anos, regularmente, em todo o mundo, por tradicionalistas ou quaisquer direitas.

Não admira que o Professor tenha sido como que fulminado pela surpresa de espectáculo tão grandioso, tão bem organizado e tão cheio duma vitalidade que não podia deixar de corresponder a uma realidade e capacidade de realização verdadeiramente irradiante, que também não podiam deixar de estar sintonizadas com um poder efectivo e, “tout court”, realmente impressionante, admirável e respeitável como poucos.

Ainda hoje penso que o Professor não terá compreendido, no fundo, grande coisa daquilo tudo, porque o Office tinha pouco de convencional e o Professor tinha da política e da acção cívica todo o lastro dos métodos de acção e pensamento político da sua formação monárquica mais tradicional e mais anquilosada.

Embora muito inteligente e com notável capacidade de apreensão para as novidades.

Em todo o caso…

A.C.R.

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