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2005/01/28

Entrevista de António da Cruz Rodrigues
ao "Causa Nacional" (2ª parte) 

(continuação)
5. A diversidade racial e cultural alimentada pela imigração não destrói a Nação Portuguesa?

O Racismo teórico/ideológico, de que os racialistas são os herdeiros inconfessos, foi a expressão que alguns intelectuais do séc. XIX acharam para fazer frente ao igualitarismo iluminista, ao poder da burguesia triunfante e à mítica classe vanguarda da revolução marxista, o proletariado, pois temiam que a Europa e a civilização europeia fossem desfazer-se contra as novas teorias ameaçadoras. De facto, as raças puras ou a pureza racial, a superioridade ou mesmo supremacia desta ou daquela raça, são simples invenções/artifícios ideológicos, valem tanto ou tão pouco como em geral os postulados de qualquer outra ideologia. O carácter de absolutos que os racialistas dão aos seus postulados étnicos-racistas servem-nos apenas, a nós seus adversários, para ajudar-nos a fazer-lhes o retrato, o retrato-robô, se quisermos.

Não o retrato da Nação portuguesa, de que os racialistas não são representativos. Porque ela própria se construiu dia-a-dia ao longo dos séculos e, nesse sentido, o mais razoável é termos a esperança de que a sua vitalidade permanece em grande parte intacta e apta a vencer, ultrapassar e até tirar proveito de todas as ameaças e agressões internas e externas que venham a sofrer.

Mas a Nação é um ser vivo e pode sempre vir a morrer, como tantas Nações no passado.

Duma coisa, porém, estamos os novos nacionalistas certos. Se ela, a Nação Portuguesa, fosse o que os racialistas-etnicistas-racistas querem ver nela, já há muito a Nação Portuguesa teria deixado de existir; mais provável ainda é que nunca tivesse chegado a existir. Porque não teria sequer chegado a sair dos primitivos limites estreitos do Condado Portucalense e da sua mítica Guimarães.

Os racialistas configuram-se apenas como zeladores do fixismo histórico; tudo o que não fixar a História, num ponto arbitrário qualquer dela, é a seu ver uma ameaça e um risco que devem ser tratados com as mezinhas deles.

Na verdade, o nacionalismo etnicista, ou racialista ou racista, é o puro vazio sem saída, absolutamente estéril nos seus próprios termos e pressupostos.

Ele, sim, seria o pior risco, se o levássemos a sério, a ameaçar a identidade e continuidade da Nação Portuguesa.

6. O que é o nacionalismo à portuguesa (expressão utilizada nas críticas ao Miguel Jardim)?

Creio ter-me em parte antecipado na resposta a esta pergunta, ao afirmar já antes a noção duma “profunda tradição política portuguesa, universalista e anti-racista”.

O “nacionalismo à portuguesa” tem de assentar nisso e desenvolve-se pelo menos desde D. Afonso Henriques e Ourique.

Quero dizer que, pelo menos em Portugal, a realidade nacionalista é muitíssimo anterior a qualquer das teorias do nacionalismo, como as conhecemos a partir do fim do séc. XVIII – séc. XIX. E desde logo o nacionalismo português aparece cerzido a um universalismo.

Ora, pelo menos alguns nacional-racialistas têm afirmado a incompatibilidade entre nacionalismo e qualquer universalismo.

Nós aqui, na aliança Nacional, afirmamos há muito e defendemos o contrário, inspirados exactamente no nacionalismo português ou “à portuguesa”: que não pode haver nacionalismo sem universalismo. Sob pena de o pretenso nacionalismo não passar, nesse caso, de um mero patriotismo. Porventura respeitável, até muito respeitável, mas sem o mesmo alcance do nacionalismo, por o “patriotismo”, entregue a si mesmo, tender facilmente a debruçar-se em exclusivo sobre o seu próprio umbigo, não desenvolvendo uma teoria e uma prática da organização do Mundo em Nações e entre Nações.

O patriotismo será, neste plano, quando muito a infância do nacionalismo.

Não é o caso do nacionalismo à portuguesa que tem raízes profundas na História nacional, que não bebeu a sua formação nas fontes europeias de muitos nacionalismos estranhos ao nosso, e que – repito – já existia, vivo e actuante, muitíssimo tempo antes de de as teorias nacionalistas dos séc. XVIII, XIX e XX terem sido inventadas e postas em prática. De facto, cedo os portugueses souberam dar ao seu patriotismo o universalismo da Cristandade e da Reconquista e o universalismo das Descobertas e da Expansão, que cedo transformaram esse natural patriotismo em verdadeiro nacionalismo “avant la lettre”.

E não, claro, pelas tristes razões (desculpas?) daqueles que dizem termos feito Descobertas e Expansão só porque … porque tínhamos barcos!

Se isso não é ser anti-Português, não sei de nada que intelectualmente possa ser mais anti-português.

São os que nem sequer compreendem que o nacionalismo português o foi sem nunca deixar de continuar radicado em Portugal e nos Portugueses, mas cada vez mais longe dos limites etnicistas da mítica “Guimarães”.

Porque o nacionalismo Português foi sempre, e é, mais isto de específico:

Viagem! Eterna viagem!

Talvez difícil de explicar e de compreender por alguns, só alguns.

(continua)

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