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2004/02/06

Para uma espécie de Balanço do Nacionalismo Português. (IV) 

Ainda a propósito da Universidade Livre.
E para conversa de blogues também.


(continuação do post de 2004/02/05)

Podia ter acrescentado isto, no fim do post anterior, mas sirvo-me do que então não escrevi, para começar o poste de hoje:

Penso, julgo que sem vanglórias, que a Universidade Livre, naquela emergência nacional de 1974-77, terá sido o contributo decisivo para salvar-se o ensino universitário em Portugal, tal era o descalabro a que ia chegando a Universidade pública: das muitas anomalias em geral e, em particular, das passagens administrativas — Eu conheço um "licenciado" em Direito de quem é voz corrente, entre os seus contemporâneos de Coimbra, que não fez, senão na secretaria, mais de metade das cadeiras do curso.

Para as estruturas minadas e corrompidas pelo PREC das velhas Universidades, o “susto” que foi o aparecimento da Universidade Livre em Lisboa, em 1977, e logo no Porto, apenas um ano depois, foi um trauma que de repente os fez cair em si: tinham perdido o monopólio! Brincar em serviço, continuarem a “brincar em serviço” passou a ser uma ameaça de morte para elas, com a novidade da concorrência duma Universidade privada — verdadeiramente a primeira — que vinha para repor ordem, estabilidade e sentido dinâmico das responsabilidades no ensino superior.

Aí começou, lenta mas segura, a regeneração da Universidade pública portuguesa (embora não tenha ainda cicatrizado das feridas todas).

E assim começou a crescer e rapidamente a enraizar-se o sucesso da Universidade Livre, logo tornada uma bandeira para muitos e uma certa entidade mítica para muitos mais, lá dentro e cá fora.

É curioso como ainda há dias, num restaurante cá para cima, a 300 Kms de Lisboa, ouvi numa mesa de magistrados perto da minha que falavam dum colega deles que se formara na Livre, em Lisboa. “Na Victor Córdon”! — disseram eles. Era assim, tu cá, tu lá, que falavam, com simplicidade e alguma cumplicidade e ternura, da “Livre” de boa memória, fechada violentamente por Poderes absolutamente discricionários, vai só para oito anos e já parecem uma eternidade.

Sim, a “Livre” é cada vez mais, para os que a frequentaram e para os amigos e companheiros desses, cada vez mais uma entidade mítica, que atravessou a tragédia portuguesa como um furacão, um raio fulgurante que tudo iluminou por instantes e logo se apagou.

Morreu no tempo certo?

Porque tinha realizado a sua missão?

Sim, também, talvez; mas sobretudo porque não lhe foi nem seria possível resistir ao enredo tecido por inimigos poderosíssimos e implacáveis na perseguição dos seus objectivos e ambições e dos meios de iludirem os seus próprios medos.

Fizeram-nos “morder o pó” sem remissão.

Acertaram em cheio no uso dos seus meios que se sintetizam, no essencial, em duas palavras: Política e “Justiça”.

Sim, as mais vergonhosas tramóias da Política, todos os seus alçapões, na mais descarada e impúdica exibição; e o mais inverosímil mas efectivo manejo dos mecanismos dilatórios da Justiça, pelos mais “admiráveis” advogados mestres em chicana.

Uma notificação que acabam de receber os advogados da Livre, e nossos, deixou-nos simultaneamente orgulhosos e siderados.

Um Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça reconheceu-nos agora a plena razão num processo em que era posta em causa uma assembleia geral da Cooperativa de Ensino Universidade Livre que realizámos em 1981, coroando uma acção que já tínhamos ganho na 1ª Instância e também na Relação, resultados confirmados, portanto, mas apenas (!) vinte e dois anos depois, pelo S.T.J..

Sem a chicana e outras coisas dos tristes advogados dos nossos adversários, a nossa razão deveria ter sido reconhecida há muitos anos e a Universidade Livre não teria seguido os caminhos ínvios que percorreu, nem a espoliação dos direitos nossos e da Livre teria sido possível.

E, finalmente, uma vitória moralmente gloriosa e infinitamente reconfortante, mas que por não chegar em tempo útil pode confirmar-se como totalmente... inútil, para efeitos operacionais.

Não impede que mandemos, para já, um público grande abraço aos nossos Advogados, em particular ao Dr. Manuel Arnao Metelo.

A.C.R.

(continua num próximo post)

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