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2005/10/20

“A Nação” 

Um contributo muito válido do Dr. Manuel Monteiro para esclarecimento do conceito de Nação e, portanto, de Nacionalismo, que temos o gosto de arquivar aqui.

A.C.R.


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A ideia de Nação como comunidade de homens ligados, de forma natural, por laços que conjuntamente os identificam e caracterizam, tem de voltar a estar presente no debate político. Não se trata de assumir para a Nação qualquer perspectiva transcendental. A Nação somos nós! E o «nós» é palpável, existe, vive, mas da mesma forma que existe e vive também pode desaparecer e morrer.

Se não subsistem florestas sem árvores, também não teremos Nações sem Homens que desejem a sua presença e continuação. Este aspecto é demasiado importante para ser esquecido. Mesmo contra a vontade do poder político dominante, a Nação pode manter-se quando isso corresponda ao sentimento dos nacionais. Ao contrário, se o poder político pretende impor a Nação ela pode demorar a constituir-se, se essa disposição não traduzir a vontade daqueles que a hão-de compor. A Nação corresponde afinal à Casa comum dos homens que possuem vínculos históricos, culturais e linguísticos. Defender a Nação e apresentá-la como valor político é defender o Homem na sua mais natural realidade. O Homem realiza-se e completa-se na Nação, porque ao lutar pela concretização dos seus interesses, os manifesta perante uma comunidade que o entende, que o acolhe e que, respeitando as suas individuais diferenças, o vê e trata igualmente sob o ponto de vista jurídico e político. Mas se a Nação resulta do que é mais natural no homem, ela também exprime a sua liberdade. A pertença efectiva a uma comunidade nacional é um dos testemunhos mais solenes e mais enriquecedores para cada homem. Defender hoje a Nação como valor político distinto é ainda importante, para libertar o homem do utopismo socialista e da servidão globalizadora. A Nação é a Nova Via, a Nova Alternativa, aos desafios do futuro e aos problemas do presente. Afirmar e reforçar o valor Nação é dar um testemunho de crença no homem concreto, no homem que tem interesses e que os evidencia antes de tudo perante aqueles de quem se sente mais próximo.

É esta ideia redutora, contrária à liberdade de circulação e ao desejo de adquirir novos conhecimentos? Pode ela ser vista como querendo impedir a busca de novos espaços, condenando a possibilidade de partilha com homens de outras Nações, de outros Continentes? Não! Definitivamente não! Do que se trata é, em nome do realismo político, de encontrar uma resposta clara aos problemas que a globalização inevitavelmente traz e trará. Actividades profissionais que pura e simplesmente desaparecem; empresas que encerram diante da adulteração das mais elementares leis de mercado; cidadãos que se julgarão preteridos em matéria de emprego, no seu próprio país, perante outros que saíram das suas terras em busca legítima de melhores condições de vida; filhos de imigrantes que se sentem desenraizados, enclausurados entre duas culturas e duas línguas, eis algumas das questões a que o valor Nação pode cabalmente responder. Como? Dando às Nações, enquanto tais, o mesmo direito à afirmação de diferença, que reivindicamos para os homens quando individualmente considerados. Quando desdramatizarmos a ideia de Nação, libertaremos tensões e esvaziaremos quem em seu nome cultiva e alimenta o ódio. Trazer a ideia de Nação ao debate é algo que não pode continuar adiado. Ora nada melhor do que a presença de eleições presidenciais para desejar, e até incentivar, sem complexos e com coragem uma profunda reflexão sobre o papel insubstituível, que a Nação tem de ocupar no palco da intervenção política.

18 de Setembro de 2005

Manuel Monteiro


(Crónica publicada no
Expresso online em 18 de Outubro de 2005)

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