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2010/07/09

Saramago visto da América 

Manuel Brás

Sendo em Portugal a falta de liberdade de expressão habilmente gerida para não parecer que existe, dificilmente um colunista ou algum jornal de “referência” teria a coragem de o publicar sem temer represálias. Em Portugal foram poucos os colunistas que tiveram a coragem de criticar a ideologia e o passado político de Saramago. Mas nenhum pôs o dedo na ferida como este colunista do “Boston Globe”.

The Boston Globe: There is no ‘good’ communist.... Portuguese writer José Saramago was an ‘unflinching‘ communist.

If José Saramago, the Portuguese writer who died on Friday at 87, had been an unrepentant Nazi for the last four decades, he would never have won international acclaim or received the 1998 Nobel Prize for Literature.
Leading publishers would never have brought out his books, his works would not have been translated into more than 20 languages, and the head of Portugal’s government would never have said on his death — as Prime Minister José Sócrates did say last week — that he was “one of our great cultural figures and his disappearance has left our culture poorer.’’

But Saramago wasn’t a Nazi, he was a communist. And not just a nominal communist, as his obituaries pointed out, but an “unabashed’’ (Washington Post), “unflinching’’ (AP), “unfaltering’’ (New York Times) true believer. A member since 1969 of Portugal’s hardline Communist Party, Saramago called himself a “hormonal communist’’ who in all the years since had “found nothing better.’’ Yet far from rendering him a pariah, Saramago’s communist loyalties have been treated as little more than a roguish idiosyncrasy. Without a hint of irony, AP’s obituary quoted a comment Saramago made in 1998: “People used to say about me, ‘He’s good but he’s a communist.’ Now they say, ‘He’s a communist but he’s good.’ ’’

But the idea that good people can be devoted communists is grotesque. The two categories are mutually exclusive. There was a time, perhaps, when dedication to communism could be absolved as misplaced idealism or naiveté, but that day is long past. After Auschwitz and Babi Yar, only a moral cripple could be a committed Nazi. By the same token, there are no good and decent communists — not after the Gulag Archipelago and the Cambodian killing fields and Mao’s “Great Leap Forward.’’ Not after the testimonies of Alexander Solzhenitsyn and Armando Valladares and Dith Pran.

In the decades since 1917, communism has led to more slaughter and suffering than any other cause in human history. Communist regimes on four continents sent an estimated 100 million men, women, and children to their deaths — not out of misplaced zeal in pursuit of a fundamentally beautiful theory, but out of utopian fanaticism and an unquenchable lust for power.

Mass murder and terror have always been intrinsic to communism. “Many archives and witnesses prove conclusively,’’ wrote Stéphane Courtois in his introduction to “The Black Book of Communism,’’ a magisterial compendium of communist crimes first published in France in 1997, “that terror has always been one of the basic ingredients of modern communism.’’ The uniqueness of the Holocaust notwithstanding, the savageries of communism and of Nazism are morally interchangeable — except that the former began much earlier than the latter, lasted much longer, and shed far more blood.

At this late date, there is no excuse for regarding communism and its defenders with one whit less revulsion than we regard neo-Nazis or white supremacists. Saramago’s communism should not have been indulged, it should have been despised. It should have been as great a blot on his reputation as if he had spent the last 41 years as an advocate of murderous repression and cruelty. For that, in a nutshell, is what it means to be an “unabashed’’ and “hormonal’’ communist.

Anyone who imagines that the horrors of communist rule is a thing of the past ought to spend a few minutes with, say, the State Department’s latest human rights report on North Korea. (Sample passage: “Methods of torture . . . included severe beatings, electric shock, prolonged periods of exposure to the elements, humiliations such as public nakedness, confinement for up to several weeks in small ‘punishment cells’ in which prisoners were unable to stand upright or lie down . . . and forcing mothers recently repatriated from China to watch the infanticide of their newborn infants.’’) Communism is not, as its champions like to claim, an appealing doctrine that has been perverted by monstrous regimes. It is a monstrous doctrine that hides behind appealing rhetoric. It is mass crime embodied in government. Nothing devised by human beings has caused more misery or proven more brutal.

Saramago may have been a fine writer, but he was no exemplar of goodness. Good people do not embrace communism, and communists are not good.

Jeff Jacoby can be reached at
jacoby@globe.com.

http://www.boston.com/bostonglobe/editorial_opinion/oped/articles/2010/06/23/there_is_no_good_communist/

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2010/06/23

Corridos à pedrada 

Manuel Brás

José Saramago foi uma daquelas pessoas a quem se tornou proibido criticar as palavras, as acções, a obra literária e a ideologia. Não só depois da morte, mas ainda em vida. Porque tudo foi lido e contado à “luz” dessa ideologia: o marxismo, ou, se quiserem, o materialismo ateu.

É por isso que tem imensa piada ver o Prof. Carlos Reis, um académico com créditos bem firmados, mestre e profundo conhecedor da literatura portuguesa, dizer na TV que Saramago, a propósito das suas polémicas investidas anti-religiosas, tinha uma outra leitura dos textos bíblicos. Não há coisa mais óbvia. Faltou apenas explicitar qual a chave de leitura usada por Saramago, o que é determinante. Seremos nós capazes de ler a obra de Saramago com uma chave diferente daquela com que ele a escreveu, ou seja diferente dessa brincadeira de pedir contas a Deus – como se lhe devesse alguma coisa e não lhe pagasse – para depois concluir a afirmação de princípio de que não existe?

Faltou, na pretensão de apresentar Saramago como um crítico e um profeta da desgraça da União Europeia, que é bem capaz de chegar, pelo menos interrogar-se como é que ele não foi capaz de prever a derrocada da União Soviética, em cuja ideologia continuou a acreditar, aparentemente, até ao fim. Isto para já não falar nos saneamentos do DN...

Então, e o Prémio Nobel? Pois é... Só se espanta disso quem não sabe como a atribuição desses prémios está viciada política e ideologicamente. Será preciso dar exemplos? Se Saramago não fosse ateu, fosse crente, teria recebido o Prémio Nobel? Teria recebido as distinções e honrarias fúnebres em Portugal? Ou seria mais um escritor entre tantos?

Querem dois escritores do século XX português mais valiosos que Saramago? Fernando Pessoa e Miguel Torga.

Entretanto, descobre-se também uma faceta científica em Saramago, que pontificou em matéria de alterações climáticas. Ou seja, lendo o sentido do seu depoimento científico, conclui-se de imediato que Saramago também era cientista e podia, ou melhor devia, ter partilhado o Nobel da Paz com o Al Gore e o Rajendra Pachauri.
http://ecotretas.blogspot.com/2010/06/tretas-de-saramago.html

Mas, a julgar pelo ambiente animado que reinou a bordo do avião que trouxe os restos mortais de Saramago para Lisboa, testemunhado pela Ministra da Cultura, e até por alguma ou outra citação da morte como porta para a vida, durante as reportagens mediáticas, dir-se-ia que também os ateus acreditam na vida eterna. O que não deixa de ser espantoso.

Correndo o risco de ser corrido à pedrada, aqui fica.

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2009/11/13

Saramago e a Inquisição: um privilégio negado 

Na absurda polémica de Saramago a propósito da Bíblia tudo é caricato e ridículo.

A referência à Inquisição não escapa à regra. Ele bem queria morrer na fogueira para ser herói! Mas não tem sorte. Que frustração!

Provavelmente vai ter que se contentar com uma injecção do Sócrates ou do Zapatero.

Isso não impede, obviamente, que daqui a 50 ou 100 anos algum historiador, em perfeita sintonia com a modernidade e dentro do mais puro espírito científico, venha a descobrir que afinal o Saramago morreu queimado nas fogueiras da Inquisição.

manuelbras@portugalmail.pt

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2009/10/23

Caim, Caim 


Manuel Brás

Sobre a polémica à volta das declarações ridículas de Saramago já quase tudo foi dito, até que Deus não precisa de insultar o Saramago para vender mais bíblias.

O que é facto é que o homem tem uma soberba que vai daqui até à Lua, ao ponto de dar ordens à Judite de Sousa sobre o que pode e não pode falar a respeito dele. E a soberba, como se sabe, cega o entendimento. Ele lá sabe porque se dedicou tanto à cegueira, não à dos olhos, mas da razão.

Saramago diz-se ateu, o que significa que pensa que Deus não existe. Mas depois vem dizer que o Deus da Bíblia é cruel, vingativo e não é de fiar. Ora bolas. Como é que alguém que não existe pode ser cruel, vingativo e infiel?

Por este andar, vamos ter mais revelações…

manuelbras@portugalmail.pt

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2004/04/05

Democracia, Saramago e outros 

Um comunista vem dizer-nos, proclamatório, que a democracia está já de rastos, em via de liquidação, em Portugal e em geral.

As provas são relativas ao funcionamento do sufrágio universal, implicando portanto que o sufrágio universal é reconhecido como o essencial do sistema, no que estamos de acordo desde há muito.

Os “beneméritos” do costume morderam a isca e saíram à liça para mais pancada no burro moribundo ou para tentar aliviá-lo nos seus infortúnios.

O que é que ao romancista Saramago teria passado pela cabeça? Não percebe que cada sua nova derrota nestas matérias é mais um prego no caixão do seu tão caro marxismo-leninismo-estalinismo?...

Ou será pelo gosto de ver tanta “boa gente” espalhar-se com ele, deixando transparecer que lhes falece, a todos, cada vez mais a fé e a confiança?

Há muito digo que aos novos nacionalistas cabe, como a ninguém, corrigir e defender o sistema e o sufrágio universal.

Talvez acabemos por ser só nós.

A.C.R.

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