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2003/07/14

Racismo, Xenofobia e Belicismo 

Sexta clarificação — Alguns nos considerarão por estas posições — como se fôssemos kamikases do nacionalismo — tentando acaso lançar-nos o anátema de que defenderíamos um nacionalismo radicalmente novo, sem qualquer filiação nos nacionalismos do passado. Na verdade, na verdade chegarão mesmo ao ponto de perguntar:
“Que resta então do nacionalismo?”
Resta-nos o verdadeiro nacionalismo, claro. Um nacionalismo intemporal, o menos condicionado possível pelo acessório e secundário.
Mas essa acusação de sermos nacionalistas radicalmente inovadores - - destruidores é uma acusação a exigir outro claro esclarecimento, para não ficarem dúvidas de que não vimos nem queremos trazer a confusão e o temor ao campo nacionalista, com isso prejudicando a causa de todos, o nacionalismo, e tornando a sua defesa e desenvolvimento mais problemáticos.
Ora, de facto, o que os novos nacionalistas que somos já compreendemos é que o nacionalismo tem sido frequentemente confundido com aspectos meramente secundários dele próprio ou da sua história dos últimos cem anos.
Por exemplo: o racismo, o culto da superioridade étnica, a xenofobia ou o belicismo, como a História demonstra, não são mais intrínsecos do nacionalismo que defendemos do que o são de quaisquer outros regimes ou sistemas políticos, sociais e religiosos, quer tenham sido meras utopias, quer tenham chegado a concretizar-se historicamente.
Portanto, não tem o novo nacionalismo que ter complexos, nem se considerar herdeiro ou responsável dos complexos ou erros dos outros.
Não tem, pois, naturalmente, que pedir desculpa pelos erros e eventuais crimes seja de quem for, tenham-se eles chamado nacionalistas ou não.
O essencial do novo nacionalismo é a defesa, valorização e consolidação das nações como as entidades forjadas na História mais aptas a resistirem vitoriosamente ao totalitarismo da mundialização. A vitória sobre a mundialização resultará dos esforços de cada nação por si, como dos entendimentos bilaterais e multilaterais entre elas, e nunca dum pretenso governo mundial, que facilmente se tornaria no instrumento dum ou de algumas superpotências mundiais e regionais ou dos movimentos internacionalistas anti-globalização.
Acreditamos nas vantagens dum mundo multipolar e rejeitamos qualquer projecto de mundo uni-polar.
Não vencemos os totalitarismos do séc. XX para nos entregarmos algemados ao totalitarismo que se prepara para dominar a humanidade do séc. XXI.
Observo que dizer “vencemos” o totalitarismo do séc. XX não é uma figura de retórica, mas uma realidade verificável.
A “guerra fria” foi verdadeiramente a III Grande Guerra ou II Guerra Mundial do séc. XX, terminada com a vitória sobre a URSS, símbolo e realização mais acabada, até hoje, dum projecto totalitário.
Essa vitória não foi apenas a vitória dos EUA e da NATO, portanto das chamadas democracias. Mas igualmente a vitória da penetração e irradiação das convicções religiosas cristãs, em especial católicas, que minaram o mundo concentracionário do império marxista-leninista-estalinista. Como a vitória também da implosão nacionalista desse mundo em que o internacionalismo e imperialismo comunistas não conseguiram esmagar os sentimentos nacionais de tantos velhos povos europeus, nunca completamente amordaçados.
A vitória foi, pois, a vitória duma frente de forças democráticas, católicas e nacionalistas, frente em que as forças nacionais não foram seguramente as menos importantes.
Uma conclusão me parece inevitável e que deve ser tomada explícita para ajudar os nacionalistas a libertarem-se do complexo de inferioridade e derrotismo que os tomou após aquilo que se chamou aqui “o eclipse do nacionalismo” a seguir a 1945.
Não tenho dúvidas de que o nacionalismo, vencedor a partir de 1991, data marcante da rendição incondicional do comunismo, pôde assumir-se de novo como uma grande ideia-força do futuro.
Daí a minha insistência na vertente futurista do novo nacionalismo.
Também na guerra de 1914-18 foi enorme o esforço das nações, como tal, pelo que, se umas tantas o pagaram com a derrota, foram ainda mais as que hauriram nos seus sentimentos nacionalistas as energias e condições para a vitória.
Donde resultou o gigantesco surto nacionalista que se seguiu, que os EUA adivinharam e quiseram contrariar com a, frustrada, iniciativa da SDN, Sociedade das Nações.
Da vitória das nações na “guerra fria” — mas igualmente entre as derrotadas, como não podia deixar de ser, sobretudo na Rússia — resultaria também um forte surto nacionalista.
Mas as analogias terminam aí.
Porque não podemos tentar levar à letra os modelos nacionalistas de há oitenta anos e copiá-los ou sequer inspirarmo-nos deles, em muitos aspectos, quando as circunstâncias históricas e os problemas contemporâneos, as mentalidades e exigências dos povos, o nível dos conhecimentos e as tecnologias, etc., apresentam abissais diferenças.
Copiar esses modelos seria duma ingenuidade imperdoável.
A profundidade das nossas energias e a nossa vitalidade nacionalista não saem por isso diminuídas nem têm nada a perder.
Não voltaremos a deixar-nos prender em nacionalismos ingénuos.
Com o passado remoto aprendemos sobretudo isso: não tornar a cometer os erros de ingenuidade e presunção de alguns nacionalismos de há 80 anos, de consequências trágicas, que durante quase cinquenta anos nos desacreditaram injustamente e nos ostracizaram por completo.
Mas curámo-nos de complexos e traumas.
O decisivo para superá-los aconteceu.
A vitória de 1991 deixou-nos desta vez do lado dos vencedores. Mas não basta. O nacionalismo que encarnamos tem de apresentar-se como novo e ser realmente novo.
Novo, luminosamente novo, de face resplandecente.
Desligado e tendo cortado com as ingenuidades do passado, não será por isso menos essencialmente forte o nosso nacionalismo.
A segunda enorme oportunidade que historicamente nos é dada em cem anos, não vamos falhá-la, temos de jurá-lo a nós próprios e entre nós.
Juramento sagrado! Em nome da nova mística que toma conta de nós, uma mística sem embriaguez, lúcida mas mais que lúcida, uma mística da própria lucidez e da própria Razão.
A sua primeira virtude — diria que a própria natureza dela — será o realismo lúcido. Nem por isso menos dominador. Teremos de ser efectivamente dominadores pela força da nossa determinação lúcida.
Uma determinação e lucidez que nos obrigarão a não escamotear nenhum dos grandes problemas que se nos apresentam ou apresentem, sejam eles os mais radicais e os mais fracturantes, digamo-lo sem temores.
Só por sermos nacionalistas. Isto é, carne e inteligência e sangue e alma e natureza com os nossos Povos. Só por essa co-naturalidade com os nossos povos, com eles identificados, não vamos falhar. Seremos os melhores, teremos de ser.
Porque saberemos enfrentar e resolver os problemas da segurança interna e externa dos nossos Povos.
Porque saberemos enfrentar e resolver os problemas da união dos povos, nações e Estados europeus.
Porque saberemos sempre de que lado estar, sem ilusões nem precipitações, na confrontação mundial de civilizações, interesses e ideologias que se desenha.
Porque saberemos enfrentar os problemas migratórios e demográficos.
Porque saberemos enfrentar e resolver os problemas dos recursos para o desenvolvimento ambiental, económico e cultural.
Porque saberemos enfrentar e resolver os problemas da adequada promoção e justa distribuição das riquezas criadas, através dos mecanismos da economia, da educação, da cultura e da mobilização social.
Porque, enfim, saberemos enfrentar e resolver os problemas das eventuais agressões de qualquer tipo às identidades nacionais legitimamente assumidas.

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